segunda-feira, 30 de maio de 2016

Mulheres utilizam a poesia como forma de inserção na sociedade

Marina Mara gosta de comparar a poesia a uma bala: uma vez instalada no alvo, deixa marcas. A diferença é que, ao contrário da bala, a poesia não é passível de cirurgia. É preciso, portanto, cuidar dos versos. E Marina faz deles uma bandeira para muitas questões, assim como Juliana Motter, Noélia Ribeiro e Ádyla Maciel. Elas são poetas de gerações diferentes, mas cultivam temas afins e enxergam a poesia como forma de posicionamento político, cultural e social.

Aos 54 anos, autora de quatro livros, Noélia Ribeiro considera que, ultimamente, ficou difícil se distanciar de questões políticas e sociais. Ela tem escrito mais sobre os temas que de costume. “Minha poesia representa meu empoderamento político e social porque não tem como fugir disso”, acredita a autora de Escalafobética. “A poesia empodera sempre: é uma maneira de falar de forma bela, artística. Sempre vai ser uma arma se você souber usar, se souber comover o outro. E sempre vai ser uma arma de mudança do pensamento.”

É uma forma de pensar que também agrada a mais nova desse time de mulheres empenhadas em encarar os versos como forma de inserção no contexto social. Ádyla Maciel tem 22 anos, nasceu em Brasília e vem de uma história trágica de violência sofrida pela mãe. Estudante de letras, ela encara a poesia como instrumento de inserção social. Com verba do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), ela criou a Mostra itinerante de poesia falada, com sessões de declamação em 20 instituições de 10 cidades do Distrito Federal. Nos versos, Ádyla carrega várias bandeiras, inclusive a feminina.

Para a jovem poeta, a literatura é uma forma de união e, no caso das mulheres, uma forma de defesa. “Antigamente, as mulheres eram mais isoladas e não sabiam do poder que tinham contra o machismo. Nós conseguimos nos defender através da literatura”, diz. Política, vida familiar, as próprias experiências, tudo pontuado pela opinião, são ingredientes da poesia de Ádyla. Nos versos, ela encontra uma espécie de libertação. Filha de uma costureira, foi em Planaltina que ela encontrou, aos 12 anos, o primeiro abrigo literário na forma de saraus e de um concurso de poesia.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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