segunda-feira, 30 de maio de 2016

Menina de 16 anos que foi estuprada por 30 homens desabafa na internet: “Não dói o útero e sim a alma”

Adolescente, vítima de estupro coletivo, deixa hospital ao lado da mãe, no Rio.


A adolescente de 16 anos que foi vítima de um estupro coletivo no Rio voltou a fazer um desabafo nas redes sociais. Diante de tantas mensagens de apoio e solidariedade, a jovem acrescentou a mensagem. “Todas podemos um dia passar por isso... Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes!! Obrigada ao apoio”, disse a menina, que, na manhã de sexta (27), também aderiu à campanha na rede social pelo “fim da cultura do estupro”.

Na noite desta quinta (26), ela já havia feito um agradecimento na internet. “Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que seria julgada mal”. De acordo com relatos da vítima, 33 homens armados teriam participado do crime.


A polícia já pediu a prisão de quatro homens. Um deles é Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, com quem a adolescente tinha um relacionamento, Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, Michel Brazil da Silva, de 20, e Raphael Assis Duarte Belo, de 41.

Segundo a família da menina, o rapaz que a menina conheceu na escola e com o qual ela já havia tido um relacionamento, teria agido premeditadamente. “Um deles é namorado dela, tinha sido namorado dela, que ela conheceu na escola. E isso foi uma vingança dele. Ele fez isso com ela e chamou mais 30 para fazer o mesmo. O pai dela nem aguenta falar que chora muito. Um ser humano que é capaz de fazer isso com uma menina de 16 anos só, cheia de sonho, né? E eles fazem isso. A família está assim, sem palavras”, lamentou.


Como denunciar

Após a divulgação das imagens, cerca de 800 denúncias chegaram à Ouvidoria do MP. A instituição pede que agora só sejam encaminhadas informações que acrescentem à investigação, como identificação de envolvidos, endereços ou novas provas. As informações podem ser enviadas neste canal.

Casos de estupro, assédio sexual, importunação ofensiva ao puder (provocações verbais) e ato obsceno também podem ser denunciados no site da Polícia Federal ou por meio do Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher. Também é possível procurar delegacias estaduais especializadas nesse tipo de crime.

O delegado Alessandro Thies, responsável pelas investigações do caso no Rio de Janeiro, pede ao cidadão que tenha qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores que entre em contato através do endereço de e-mail: alessandrothiers@pcivil.rj.gov.br.


Estupro é crime

Mulheres são violentadas a cada onze minutos no Brasil. Esta foi a conclusão do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 2015. E não esqueçamos que até o ano de 2009, o estupro era considerado crime contra a honra. E ainda hoje o estupro é um dos crimes menos notificados do Brasil.

Cerca de 50 mil casos de estupro são registrados anualmente no Brasil e estima-se que isso representa apenas 10% da quantidade dos casos. A pessoa que é violentada, a maioria das vezes, deixa de denunciar com medo de retaliações, com vergonha de se expor, e até mesmo com receio de serem culpadas ou tachadas pela violência sofrida.

Não se cale diante de um estupro. É crime. Denuncie!


ATUALIZAÇÃO: 
Um suspeito de participar do estupro coletivo da jovem já foi identificado e terá a prisão pedida. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio investiga o caso e disse que a vítima já foi ouvida e que as investigações estão em andamento. As informações são do G1.
Mais tarde, novos fatos foram surgindo e esclarecendo o crime. A Polícia Civil já pediu à Justiça a prisão de quatro homens que envolvidos no estupro. 
Segundo informações da Veja, Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, e Michel Brazil da Silva, de 20 anos, são suspeitos de divulgar as imagens da vítima na internet.
Já Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, é o rapaz com quem a adolescente tinha um relacionamento e teria participação direta no crime. O outro homem que teria participado do estupro é Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, que aparece nas imagens ao lado da garota. 
Segundo depoimento dado à polícia civil, a adolescente de 16 anos foi estuprada no sábado (21) numa comunidade da Zona Oeste do Rio. Em depoimento à polícia, ela disse que foi até a casa de um rapaz com quem se relacionava há três anos. 
Ela diz se lembrar de estar a sós na casa dele e só acordar no domingo, em uma outra casa, na mesma comunidade, com 33 homens armados com fuzis e pistolas. Ela destacou que estava dopada e nua.
A garota retornou para casa na terça-feira (24). A família só soube do estupro na quarta-feira (25), quando fotos e vídeos exibindo a adolescente foram divulgados na internet. A investigação segue em curso. 
A advogada Eloisa Samy Santiago, que atendeu a adolescente na noite de ontem,divulgou em um post no Facebook que ela não é usuária de drogas e que tinha ido até a comunidade recuperar seu celular que tinha sido roubado. "Ela foi dopada e estuprada por traficantes, após voltar à comunidade para recuperar um celular furtado." 
O caso segue sendo investigado.

Em nota divulgada na noite desta quinta-feira (26), a ONU Mulheres Brasil se solidariza com as duas adolescentes vítimas de estupro coletivo no Brasil.

Um dos casos aconteceu no Rio de Janeiro, com uma jovem de 16 anos, estuprada por vários homens. No último dia 20, no Piauí, uma adolescente de 17 anos foi amarrada, amordaçada e estuprada por cinco homens.

No comunicado, a ONU Mulheres solicitou aos poderes públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Piauí que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento de tais casos "para acesso à justiça e reparação às vítimas, evitando a sua revitimização".


Fonte: Portal O Sul / Jornal Huffpost Brasil (EUA)

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes