domingo, 15 de maio de 2016

Mais de 460 milhões de crianças vivem em países afetados por emergências humanitárias, diz UNICEF


Quase um quarto das crianças com idade escolar (462 milhões) vive em países afetados por emergências humanitárias, segundo novo relatório publicado na semana passada (4) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e parceiros.

O relatório concluiu que aproximadamente uma em cada seis, ou 75 milhões, de crianças de 3 a 18 anos vive em países afetados por crises e são classificadas como tendo profundas necessidades de apoio educacional. No entanto, em média, apenas 2% dos recursos humanitários globais são dedicados à educação, disse o UNICEF em comunicado à imprensa.

“A educação muda vidas em emergências”, disse a chefe global do UNICEF para educação, Josephine Bourne. “Ir à escola mantém o futuro das crianças seguro, assim como o futuro de suas comunidades. É hora de a educação ser priorizada pela comunidade internacional como parte essencial da resposta humanitária básica, além de água, alimentos e abrigo”, disse.

O UNICEF disse ter lançado as novas estatísticas antes da primeira Cúpula Humanitária Internacional em Istambul em 23 e 24 de maio, onde um novo fundo será lançado para dar acesso à aprendizagem por crianças em situação de emergência.

O fundo pretende arrecadar aproximadamente 4 bilhões de dólares para atingir 13,6 milhões de crianças precisando de educação em situações de emergência em 5 anos, antes de atingir 75 milhões de crianças em 2030, disse a agência.

O novo relatório foi divulgado durante viagem do embaixador da Boa Vontade do UNICEF, o ator inglês Orlando Bloom, ao leste da Ucrânia para levantar atenções para a crise educacional enfrentada por crianças em situação de emergência humanitária.

Bloom visitou salas de aula atingidas por bombardeios a apenas 3 km da zona do conflito iniciado mais de dois anos atrás. Aproximadamente 580 mil crianças estão em necessidade premente de ajuda e mais de 230 mil foram forçadas a deixar suas casas.

Além disso, uma em cada cinco escolas e jardins de infância na região foi danificada ou destruída e cerca de 300 mil crianças estão em necessidade imediata de assistência para continuar sua educação, disse o UNICEF.

“Conheci crianças como Liana, de 11 anos, que se escondeu no porão da escola por quase duas semanas, em condições congelantes, sem luz ou calor, enquanto bombardeios devastavam sua sala de aula”, disse Bloom.

“Agora, depois de sobreviver à experiência mais assustadora que a vida poderia colocar, tudo o que querem é voltar para a rotina escolar com segurança e planejar o futuro”, completou.

O UNICEF apoiou o reparo e reabilitação de 57 escolas no leste da Ucrânia, e forneceu instrumentos de estudo a centenas de milhares de crianças, como cadernos, mesas e canetas, assim como apoio psicológico e aulas particulares.

Durante sua estadia na Ucrânia, Bloom também se encontrou com crianças recebendo aconselhamento do UNICEF por psicólogos, para ajudá-las a se recuperar das experiências vividas durante o conflito.


Imunização

Quase dois terços das crianças que não foram imunizadas com vacinas básicas vivem em países que estão parcialmente ou totalmente afetados por conflitos, segundo o UNICEF.

Dos países em conflito, o Sudão do Sul tem o mais alto percentual de crianças não imunizadas, com 61% sem ter recebido as vacinas infantis básicas, seguido pela Somália, com 58%, e pela Síria, com 57%, disse o UNICEF em comunicado à imprensa.

“O conflito cria um ambiente ideal para surtos de doenças”, disse o chefe de imunização do UNICEF, Robin Nandy. “As crianças ficam sem imunizações básicas por causa do colapso, e às vezes destruição deliberada, de serviços de saúde vitais. E mesmo quando os serviços médicos estão disponíveis, a insegurança frequentemente atrapalha.”

As principais causas de doenças infantis e morte incluem sarampo, diarreia, infecções respiratórias e má nutrição, que podem piorar em conflitos e emergências, de acordo com o UNICEF.

Na Síria, os níveis de imunização caíram de mais de 80% em 2010, antes do conflito, para 43% em 2014. A poliomielite ressurgiu no país em 2013, depois de 14 anos sem casos.

No país, uma campanha de vacinação começou no fim de abril e teve como alvo crianças que não tiveram acesso à vacinação de rotina, especialmente em áreas isoladas e de difícil acesso. Muitas dessas crianças, que nasceram durante o conflito, nunca tinham sido vacinadas, disse o UNICEF.


Fonte: Portal da ONU

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