segunda-feira, 23 de maio de 2016

Grupo Violes debate violência e abuso sexual infantil na UnB

Foto: Júlio Minasi/Secom UnB
Maria Lúcia Leal, coordenadora do evento e do grupo Violes.

“Aos 9 anos eu fui abusada não por um desconhecido, sim pelo meu padastro. Por causa do preconceito da época, guardei a minha dor por 25 anos. É muito triste viver essa realidade. Poder falar abertamente sobre isso, já é um avanço”. A história de vida da agente ambiental e representante da população de rua, Antônia Cardoso, foi contada por ela, na última quarta-feira (18), data que lembra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil.

Na UnB, o encontro foi organizado pelo Grupo de Pesquisa “Violes”, do Departamento de Serviço Social. O evento ocorreu no ICC Norte e discutiu temáticas relacionadas a esse tipo de violência e as formas de lutar contra ela, com ênfase para os grupos mais vulneráveis.

Organizadora do evento e coordenadora do Núcleo da Infância e Juventude, Maria Lúcia Leal explica a importância de trazer essa discussão para as universidades. "Aqui se forma não só conhecimentos, mas também ética e cultura. A discussão deve vir para cá principalmente quando a sociedade reclama que direitos estão sendo violados, com o objetivo de construir uma consciência coletiva e garantir tais direitos”.

A representante do Rede Ecpat* Brasil, Lídia Rodrigues, explica que essa violência é mais recorrente em mulheres. “Os aspectos do patriarcado nunca deixaram de existir. Isso fica marcado na nossa educação e desvaloriza a mulher”.

A estudante e representante do Movimento Secundarista do DF, Ana Flávia Maia, conta que, durante os protestos de grupos secundaristas, muitas estudantes relataram ameaças de estupro e de violência sexual por parte de policiais. “Acredito que muito disso aconteça porque acredita-se que mulheres amadurecem mais rápido. O que não é verdade. Eu tenho 16 anos ainda, minhas colegas são mais novas ou próximas a essa idade”.

Outro grupo apontado como grande vítima do abuso sexual foram as crianças e adolescentes de baixa renda. “Meninos e meninas submetidos ao abuso sexual são empurrados a isso pela miséria e falta de amparo”, ressaltou a deputada federal Erika Kokay.

Para contribuir com a discussão, também falaram, na aula pública, os professores de Serviço Social Míriam Albuquerque, Vicente de Paula Faleiros, Neila Paiva, além de representantes do Centro Acadêmico de Serviço Social (CASESO) e do Núcleo de Estudos da Infância e Juventude (Neij).


*Ecpat - End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes (Fim da Prostituição, pornografia e tráfico de crianças para finalidades sexuais)


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes