segunda-feira, 2 de maio de 2016

Artigo - Síndrome de Peter Pan: Adultos que não aprenderam a crescer


Por: Anna Gimeno*

Essas pessoas preferiram se afastar das exigências do mundo real e se esconder em um mundo de fantasia, assim ficaram presos na Terra do Nunca. Dessa forma não conseguem desempenhar seus papéis com sucesso em seus trabalhos e vida pessoal, que é o que se espera na vida adulta. Relutam em cortar a ligação de dependência com os pais e, geralmente, têm apenas relações superficiais com os outros. Assim como o personagem “Peter Pan”, ficam voando por aí à procura de aventuras e são incapazes de pousar em algum lugar, porque têm medo de enfrentar o mundo real.

Essa resistência em crescer é mais comum em homens do que em mulheres. Essa síndrome tende a se tornar cada vez mais comum e crônica em nossa sociedade capitalista e imediatista que vivemos. A cada dia que passa as coisas são conquistadas com menos esforço e compromisso.

Pessoas que sofrem da síndrome de Peter Pan podem parecer despreocupadas e felizes, mas a sua vida pessoal é cheia de sentimentos de solidão e insatisfação, acompanhados de dependência pessoal. Eles precisam ter ao seu lado alguém que atenda as suas necessidades e que os façam se sentir protegidos. Estas pessoas geralmente tentam buscar satisfação através dos pais, irmãos mais velhos ou parceiro.


Consequências da síndrome de Peter Pan:

As consequências da SPP podem levar a alterações emocionais graves, como altos de níveis de ansiedade e tristeza que podem levar à depressão. Eles se sentem insatisfeitos com as próprias vidas, uma vez que não assumem a responsabilidade pelas suas ações, o que faz com que não tenham realizações próprias, afetando diretamente a autoestima.


Adultos Incapazes de assumir responsabilidades:

Manter relações com outras pessoas é algo trabalhoso, pois são muito exigentes com os outros. A pessoa com Síndrome de Peter Pan, apesar de parecer arrogante, esconde uma grande fragilidade. Possuem muitas qualidades, como a criatividade e a engenhosidade, e em geral são bons profissionais. Geralmente se esforçam para despertar a admiração e o reconhecimento das pessoas do seu círculo social. Mas ainda que socialmente sejam líderes prestigiados pelas suas capacidades em divertir e animar o ambiente, por dentro são muito exigentes, intolerantes e desconfiados. Poderíamos resumi-los com a seguinte frase: “Um líder por fora e um tirano por dentro”.

A nível de relacionamentos, muitos deles são solteiros conhecidos como ”playboys” pela sua capacidade de sedução e de pular de um relacionamento a outro constantemente.
Sinais para reconhecer pessoas com Síndrome de Peter Pan:
  • Embora sejam adultos com mais de 30 anos, ainda se comportam como crianças;
  • Sentem uma grande necessidade de chamar atenção;
  • Só sabem receber, ordenar e criticar: não se preocupam em dar ou fazer algo pelos outros. Só te dão o que você pede e, geralmente, o fazem a contra gosto.
  • São egoístas, só se preocupam consigo mesmos.
  • Estão sempre insatisfeitos com o que tem: querem ter tudo, mas sem se esforçarem para conseguir.
  • Consideram o compromisso como um obstáculo à liberdade.
  • Não se responsabilizam pelos próprios atos.
  • Vivem se escondendo atrás de desculpas.
  • Tentam viver em contato com o público mais jovem.
  • Se sentem inseguros e têm baixa uma baixa autoestima.

Causas da Síndrome de Peter Pan:

A Síndrome de Peter Pan, assim como outros fenômenos psicológicos, é causada por múltiplos fatores, tais como traços de personalidade dependente, o estilo de lidar com problemas e padrões educacionais. Ao que parece, a infância tem grande peso na causa dessa síndrome. Uma infância muito feliz e despreocupada pode ocasionar a síndrome, assim como uma infância muito infeliz também pode causá-la.

No primeiro caso, a síndrome é uma forma de perpetuar os momentos felizes vividos na infância, enquanto no segundo caso, a função da síndrome é tentar recuperar a infância que foi roubada através da liberdade oferecida pela vida adulta.

“Amadurecimento”: redefinindo o conceito:

Crescer como pessoa é parte do desenvolvimento natural dos seres humanos, mas nem sempre é uma tarefa fácil. Para ser adulto é necessário que você tome a decisão de crescer e adote valores e objetivos de vida. É também necessário que você desista de algumas coisas para que atinja seus objetivos, se responsabilize pelos próprios erros e tolere os dias de frustração.

Amadurecer não significa ter que perder a criança que há dentro de nós, pois precisamos que essa criança venha à tona, às vezes, para que a vida não seja tão rígida, só não permita que essa criança te domine e dificulte a sua vida adulta, como no caso de Peter Pan. É indispensável ter uma relação harmoniosa entre o adulto e a criança interior. Amadurecer com sucesso é alcançar um equilíbrio entre esses dois aspectos da nossa personalidade.


* Anna Gimeno é Graduada em Psicología Clínica pela Universidade de Barcelona. Especializada em Personalidade, Avaliação e Tratamento. Mestre em prática clínica cognitivo-conductual pela AEPCCC. Psicoterapeuta.


Fonte: Portal Middi / Portal Psicologia y Mente (Espanha)
Tradução e Adaptação: Psiconlinews

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