segunda-feira, 2 de maio de 2016

Artigo - E aí, você vai ficar pra titia?


Por: Xinho Montenegro*

Ninguém entende como ela está só. Linda, simpática, culta, inteligente, sabe se sair bem em qualquer conversa, pois mesmo que não saiba sobre tudo, ela sabe respeitar, sabe ouvir, e sabe se fazer presente de corpo e alma. E muitos se questionam dos motivos que a levam a estar solteira. Por outro lado, ela olha os relacionamentos ao seu redor, conversa com suas amigas e se questiona: por que tantos estão sozinhos mesmo estando envolvidos em “relacionamentos sérios”?

Olhando de fora fica fácil entender. Ela aprendeu com a vida. Sofreu. Apanhou. Também bateu. Por fim, cresceu. Entendeu que ter alguém não significa que necessariamente estará acompanhada. Ou melhor, não quer dizer que estará em boa companhia. Compreendeu também que, não ter namorado ou marido, tampouco significa não ter felicidade. Entendeu que estar longe de alguém fisicamente, nem sempre é estar distante. Percebeu que proximidade significa muito mais do que dividir uma casa, programas, sonhos. E entendeu que, muitas vezes, o que os casais dividem realmente são apenas sonhos, meras ilusões. Ela prefere realidade. Ela prefere viver de verdade. Ela não deixou de crer no amor e nem em relações verdadeiras, mas há muito tempo deixou de crer em príncipe encantado. Ela não gosta de frases feitas. Ela não suporta a ideia de ser a metade da laranja. Afinal, ela não suporta ser metade de nada. E ela também não quer nada pela metade.

Assim fica fácil entender o porquê de estar “sozinha”. Ela olha pro lado e, quase todo o tempo, se sente aquela criança, naquele filme, onde “eu vejo pessoas mortas”. O mais estranho aos seus olhos é que essas pessoas se sentem vivas, ou fingem que assim se sentem, pois ainda acreditam que só faz sentido viver se estiverem com alguém ao seu lado. Mesmo que esse alguém ao lado seja um morto vivo, acomodado, estagnado em uma relação na qual entrou por que precisava estar com alguém , e da qual não consegue sair por não conseguir viver sozinho. Ela não é do tipo recalcada, que diz por aí que “é bem melhor estar sozinha”. Claro que ela queria ter alguém. Claro que ela já sofreu por solidão. Obviamente ela já quis estar acompanhada em algumas situações. Sem dúvida ela já se questionou se também não deveria “tentar” entrar em uma relação e “ver no que vai dar”. Mas aí está o seu diferencial: ela se questiona, pensa nos prós e nos contras e, assim segue, como dizem por aí... sozinha!

Acho que o maior problema dela é o fato de ter muitas qualidades. Calma, posso explicar. Ela apenas decidiu que não se contentará com nada menos do que aquilo que ela sabe que pode oferecer. Ela exige parceria, antes de tudo. Ela quer reciprocidade. Ela não aceitará ser metade e nem aceitará ninguém pela metade. Ela quer uma relação completa. Se isso é sonho, para ela pouco importa. Prefere manter-se sonhando do que matar seus sonhos em uma “relação séria” que não seja uma relação verdadeira. Ela vai esperar, nem que isso signifique seguir tendo que responder aquelas perguntas sobre o porquê de estar “sozinha”. Seguir ouvindo as brincadeiras sobre ficar para titia. Mas se um dia se importou, hoje ela pouco se importa com tudo isso. Ela não sofre por solidão, ela tornou-se sua melhor companhia. E não é clichê, é realidade, é escolha. Ela não procura por ninguém, pois encontrou a si mesma. Mas obviamente, está aberta ao que a vida pode lhe oferecer, entretanto, seu “controle de qualidade” está cada vez mais elevado. Talvez surja alguém, mas até lá, aproveitará para dar conselhos às suas amigas que a procuram querendo conversar sobre as traições que sofrem ou que realizam. Seguirá tentando auxiliar suas amigas que terminam seus relacionamentos e se sentem enganadas, mesmo sabendo que tudo que ocorreu era tudo que já se esperava que aconteceria.

E ela seguirá admirando aqueles casais que demonstram ter uma relação séria e verdadeira, e não uma relação apenas para que tenham o que mostrar aos outros. E para aquelas amigas que seguem errando, pulando de relação em relação, ela seguirá dando o conselho que sempre dá: “Cuidado, esse seu despero para encontrar alguém, ainda lhe fará se perder de você mesma!”


* Xinho Montenegro é um professor de música e educação especial que ama cantar e, por também amar as palavras, se arrisca a ser escritor e compositor e, tenta através de seus textos e músicas falar um pouco do que sente, além de ter a pretensão de buscar falar um pouco do que outras pessoas sintam e talvez não consigam traduzir em palavras.


Fonte: Portal Obvious

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes