domingo, 3 de abril de 2016

Pessoas com albinismo são perseguidas e mortas por praticantes de ‘bruxaria’, destaca relatora da ONU


Em algumas partes do mundo, pessoas albinas são caçadas e mutiladas por praticantes de “bruxaria”, que usam as partes do corpo de suas vítimas em rituais e na fabricação de amuletos e poções. Órgãos e membros de indivíduos com albinismo chegam a ser vendidos num mercado ilegal extremamente lucrativo: braços e pernas podem custar 2 mil dólares, enquanto que um corpo inteiro chega a 75 mil dólares.

As informações são de um novo relatório publicado na semana passada (22) pela especialista independente da ONU sobre os direitos humanos dos albinos, Ikponwosa Ero.

Há oito meses realizando pesquisas para o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), a relatora informou que, durante esse período, recebeu relatos de 40 ataques a albinos em sete países.

“Mitos perigosos alimentam esses ataques a pessoas inocentes. Muitos erroneamente acreditam que as pessoas com albinismo não são seres humanos, mas são fantasmas ou subumanos e não podem morrer, mas apenas desaparecer”, explicou.

Há relatos de casos em que indivíduos são desmembrados ainda vivos, tendo seus dedos, membros, olhos, partes genitais, pele, ossos, a cabeça e o cabelo arrancados com facões – prática observada pela relatora como usual em países da África.

Também no continente africano, foram registrados casos de saque dos túmulos de pessoas com albinismo, cujos cadáveres são roubados para a realização de sacrilégios.

Os números informados à especialista são provavelmente apenas uma fração do total de episódios, uma vez que a maioria dessas violações ocorre em rituais secretos nas zonas rurais e raramente são noticiados.

Algumas ocorrências contam com a participação até mesmo de familiares dos albinos perseguidos. Muitos envolvidos nos crimes acreditam que as partes do corpo utilizadas em poções serão tanto mais eficazes, quanto mais as vítimas gritarem.




Segundo o relatório, crianças representam uma grande proporção do número de vítimas devido a outra crença tradicional de que quanto mais inocente for a pessoa sacrificada, mais poderosas serão as suas partes do corpo para a produção de poções.

Mulheres albinas também são vítimas particulares em meio à violência contra albinos. Um mito de que relações sexuais com parceiras albinas poderiam curar a Aids torna essas mulheres mais suscetíveis a agressões sexuais. Mães de filhos albinos, mesmo quando não apresentam a falta de pigmentação, são oprimidas, pois sua prole é vista como resultado de uma maldição, um mau presságio ou de infidelidade.


Relatora fez recomendações para combater a violência contra albinos

Para erradicar a violência, a especialista independente acredita que seja necessário identificar as causas dos ataques e entender, cuidadosamente, as práticas e formas de “bruxaria” que vitimam albinos.

“Medidas efetivas para acabar com ataques incluirão planos para acelerar a investigação imediata de denúncias e a acusação dos supostos perpetradores; reparações e cuidados legais, sociais, psicológicos e médicos apropriados para as vítimas; ações para impedir o tráfico de partes corporais, bem como medidas para a reintegração segura de albinos deslocados”, destacou a relatora.

Ero enfatizou que, embora os albinos enfrentem discriminação baseada na cor da pele todos os dias, discursos sobre essa forma de preconceito raramente se aplicam o albinismo, concentrando-se mais em questões de raça ou etnia.

Apesar dessa lacuna, o caso dos albinos preenche os requisitos para ser enquadrado pela Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial.

De acordo com seu relatório, em países ditos ocidentais e também na África Subsaariana, milhares de albinos são estigmatizados e sofrem formas diversas de discriminação, que variam do bullying na escola até manifestações mais extremas, como infanticídio, ameaças físicas e ataques – estas três últimas violações foram registradas na África Subsaariana.

Na Europa e na América do Norte, a incidência da falta de pigmentação varia de um a cada 17 mil para um a cada 20 mil pessoas. Na África Subsaariana, a ocorrência é maior, chegando a um albino por 5 mil pessoas. Em alguns países africanos, a tendência é bem mais alta – um a cada 1,4 mil.


Fonte: ONU BR

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