domingo, 3 de abril de 2016

Número de obesos no mundo cresceu seis vezes nos últimos anos, diz estudo


O número de obesos no mundo cresceu seis vezes nas últimas quatro décadas, subindo de 105 milhões de pessoas acima do peso em 1975 para 641 milhões em 2014. A revelação é resultado de um grande estudo internacional, publicado ontem na revista The Lancet, que considerou mais de 1,6 mil levantamentos feitos em 186 países no período analisado. O trabalho mostra que a média global de peso por indivíduo subiu 1,5kg a cada década e que esse ganho se deu de forma bastante desigual entre a população, com um aumento acelerado da proporção de pessoas com obesidade severa. De acordo com as projeções apresentadas, se as pessoas continuarem a engordar nesse ritmo, cerca de um quinto da população mundial estará acima do peso saudável em menos de 10 anos.

No Brasil, é possível notar uma escalada média de 0,1 ponto no índice médio de massa corporal da população por ano. Ao longo de quatro décadas, os homens e as mulheres brasileiros atingiram a taxa de 25,6 e 26, respectivamente, se tornando oficialmente uma população acima do peso saudável. Em 2014, o país atingiu a marca de quase 30 milhões de pessoas acima do peso, cerca de um terço delas na lista de obesidade severa. Em termos absolutos, fazemos parte da lista de cinco nações com maior número de obesos do mundo. “A média já está preocupante”, alerta Ana Paula Cândido, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e autora de um dos estudos usados na análise mundial publicada na The Lancet.

A pesquisa mostra ainda que a proporção de homens obesos subiu de 3,2% para 10,8%, e que a parcela de mulheres na mesma condição saltou de 6,4% para 14,9%. Quase um sexto dos adultos obesos do mundo vive em apenas seis países de alta renda: Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos. As poucas exceções à tendência mundial são Cingapura, Japão e alguns países europeus, como Bélgica, França e Suíça, em que as mulheres praticamente não engordaram nas últimas quatro décadas.

Em compensação, algumas nações na Polinésia e na Micronésia têm mais da metade das mulheres em condição de obesidade e atingem médias de índices de massa corporal que chegam a 34,8, um valor quase 50% acima do limite indicado para um peso saudável. Os dados obtidos por levantamentos realizados nos países foram combinados e analisados sob modelos estatísticos para traçar um perfil evolutivo de cada nação nos últimos 40 anos. “Os estudos já mostravam essa tendência, que o brasileiro, assim como em vários outros países, tem aumentado o índice de massa corporal médio ao longo das décadas”, ressalta Cândido, especialista em nutrição e saúde coletiva.

Se essa tendência continuar, alertam os pesquisadores, as chances de que o mundo atinja as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2025 são praticamente nulas. Considerando a obesidade como uma doença não comunicável, a agência das Nações Unidas havia estipulado que os países deveriam frear o crescimento da obesidade de 2010 até 2025. Mas a estimativa revela que a tendência seguida pela população mundial segue no sentido contrário: estima-se que a prevalência média de pessoas obesas em 2025 supere os 20%, e que o índice de homens e mulheres com obesidade severa chegue a 6% e 9%, respectivamente.

Industrializados

Especialistas listam diversos fatores do estilo de vida moderno como possíveis causas que podem contribuir para a obesidade no Brasil e no mundo. Além do sedentarismo, o consumo de alimentos industrializados, o maior número diário de refeições, o aumento das porções e até mesmo a popularização do uso da tecnologia estão tornando as pessoas mais gordas — e enfermas. “A obesidade aumenta a probabilidade de doenças ocorrerem, como hipertensão e diabetes tipo 2. A pressão mais alta ocorre principalmente com os obesos viscerais, que têm muita gordura na barriga”, explica Flávio Fuchs, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e cardiologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que também colaborou com o levantamento internacional.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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