segunda-feira, 18 de abril de 2016

Brasilienses se esforçam para aumentar reconhecimento feminino na poesia


Enquanto as curvas de Brasília transformam a cidade em lugar de grande inspiração artística, mulheres brasilienses lutam pelo espaço no universo literário para escrever e distribuir seus versos. Projetos como o Leia mulheres se espalham na tentativa de ampliar o reconhecimento feminino na literatura. A extensão Leia poetisas terá a primeira edição brasiliense, em 30 de abril, com o objetivo de levar aos leitores a criação, muitas vezes marginalizada, da poesia feminina em todo o país.

Patrícia Colmeneto, uma das criadoras do projeto, acredita que facilitar esse acesso e possibilitar que o público conheça os trabalhos é um passo importantíssimo para quebrar o estigma de que a poesia, por brincar com as palavras e a linguagem, não é acessível ou fácil de ser lida por todos. O objetivo é ampliar o acesso ao trabalho de poetas em cada cidade, como as criações das autoras brasilienses Noélia Ribeiro, Seira Beira, Marina Mara, Juliana Motter, Manuela Castelo Branco, entre tantas outras.

O Leia poetisas foi criado para fortalecer a cena poética e escolheu esse nome para deixar claro que o grupo de leitura e debates seria focado na produção feita por mulheres. Colmeneto acredita que esse tipo de projeto é importantíssimo para equilibrar as estatísticas entre homens e mulheres na literatura e lembra que esse é um problema histórico, já que elas foram por muito tempo proibidas de escrever.

“Esses projetos são fundamentais, talvez agora com todas essas discussões sobre direitos humanos e feminismo, haja uma abertura um pouco maior, mas isso ainda tem que ser reforçado. O mercado editorial é complicado, é importante fomentar essa leitura e incentivar que as mulheres publiquem, seja na internet, em editoras independentes, em ebooks ou zines. É um trabalho de formiguinha, mas tem que acontecer”, declara a escritora e produtora.

Marina Mara, importante nome da cultura e poesia brasiliense, lembra que as mulheres tiveram acesso aos estudos há menos de 100 anos, fato que influenciou que a produção literário fosse, em sua maioria, feita por homens ao longo dos anos. “Muita coisa vem melhorando, pois esse boom do feminismo serve também para reeducar nossa sociedade acerca do papel da mulher. O termo poetisa, por exemplo, não foi criado originalmente como o feminino, mas o diminutivo de poeta. Por isso, me nomino poeta”, afirma. A autora acredita que, para incentivar a produção literária atual, deveria ser previsto como política pública a oferta de mais oportunidades para poetas e novas escritoras e ressalta que editoras independentes e editoras por demanda são um bom caminho para quem quer começar a publicar em pequenas tiragens.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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