domingo, 13 de março de 2016

Moradores de países corruptos tendem a ser mais desonestos, diz pesquisa


O lugar em que você vive pode torná-lo mais ou menos honesto? Segundo um estudo publicado hoje na revista Nature, sim. Depois de analisar índices de corrupção em todo o mundo e realizar experimentos de laboratório com milhares de pessoas, os autores concluíram que quanto maior é a violação de regras em um país, mais altas são as chances de seus habitantes mentirem para obter um pequeno ganho financeiro. Em outras palavras, a sociedade influencia a honestidade intrínseca de seus membros.

Os responsáveis pelo trabalho explicam que o tema tem sido alvo da atenção de diferentes áreas — da antropologia à economia —, uma vez que a honestidade é um traço valorizado em todo o mundo. “O antropólogo Joseph Henrich, da Universidade de Harvard, tem feito uma pesquisa intercultural, em sociedades pequenas, mostrando que a cultura e a sociedade exercem uma influência importante sobre as preferências e o comportamento das pessoas. Por isso, é natural perguntar até que ponto isso é válido também para as sociedades desenvolvidas”, justifica ao Correio Simon Gaechter, professor de psicologia da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, autor do estudo ao lado de Jonathan Schulz, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

O primeiro passo da dupla foi elaborar uma espécie de ranking global do respeito às leis. Os cientistas analisaram dados públicos como taxas de evasão fiscal, corrupção e fraude política de 159 países e criaram o índice PRV, sigla em inglês para Prevalência de Violação das Regras. As nações foram, então, classificadas em um nível de PRV baixo (menos desrespeito às leis), mediano e alto (onde a corrupção parece ser maior). Nesse modelo, o Brasil foi apontado com um índice PRV mediano (veja mapa).

Jogo de dados

Para verificar se o ambiente de maior ou menor desrespeito às regras influencia a honestidade individual, os dois especialistas selecionaram 23 países que representavam distintos níveis de corrupção, como Reino Unido, Vietnã, China, Espanha, Suécia, Guatemala e Colômbia. Nesses lugares, jovens foram convidados para participar de um experimento simples que poderia lhes render algum dinheiro. Ao todo, 2.568 pessoas se envolveram no estudo.


Fonte: Jornal Correio Braziliense

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