domingo, 13 de março de 2016

Denúncias de violência contra a mulher sobem 44% em 2015


Levantamento divulgado pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) revela que houve um aumento de 44,74% no número de relatos de violência recebidos pelo serviço em 2015, na comparação com o ano anterior.

No total, de acordo com os dados, foram 76.651 atendimentos correspondentes a relatos de violência recebidos pelo serviço de denúncias anônimas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Os números ainda mostram que o total de relatos envolvendo cárcere privado cresceu 325%, computando a média de 11,8 registros por dia, enquanto os relatos de violências sexuais (estupro, assédio e exploração sexual) cresceram 129%, em uma média de 9,53 por dia.

Para a assistente social Michelle Dias, membro da Comissão de Instrução do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP), o fenômeno da violência contra a mulher persiste no Brasil agravado pela estrutura da sociedade. Ela explica que os efeitos da ausência do Estado, que falha em fornecer e prover condições mínimas de segurança, educação e saúde, são sentidos de forma mais intensa pelas mulheres.

“Os problemas sempre recaem sobre elas. Um exemplo é a questão da falta d’água, que fecha creches e escolas. Com o trabalho nas periferias de São Paulo, podemos ver que na maioria dos casos é a mãe que precisa faltar ao trabalho nessas ocasiões”, ressalta.

Na realidade brasileira, a própria Lei Maria da Penha, instituída para dar assistência às mulheres vítimas de violência, encontra dificuldades de aplicação. A assistente social conta que existe uma precarização no atendimento dessas vítimas, tanto na delegacia, na hora de preencher o boletim de ocorrência, quanto no judiciário, que julga os processos.

“A própria questão dos abrigos reflete essa condição. Nesses locais já sucateados, a mulher que sofreu violência divide espaço com outras em situação de rua ou dependentes químicas, algo fora das portarias e normativas que regem os abrigos”, conta Michelle.


Fonte: Jornal de Vinhedo

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