segunda-feira, 21 de março de 2016

Como se refazer após um estupro? Especialistas apontam tratamentos para as vítimas


No Brasil, uma mulher é estuprada a cada três horas, segundo os números de casos denunciados pelo 180, canal que integra a Rede Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do governo federal. E, depois de sofrer a agressão, a mulher ainda pode ser vítima de outros abusos desencadeados com a investigação do caso, por exemplo. “Censura e repressão, embora voltados para o agressor, são sempre sentimentos que podem atingir a vítima, sobretudo se a violência ocorrer na infância”, diz Giselda de Lima, psicóloga clínica junguiana.

São várias as possibilidades de consequências após o estupro.

“Pessoas que são abusadas podem ter problemas de autoestima, tendo uma percepção bastante depreciada de si mesmas. A expressão sexual também pode ser afetada, deixando-a bastante travada. Por vezes, essas pessoas passam de vítimas a abusadores”, exemplifica Giselda.

Ainda de acordo com a especialista, o melhor caminho para se refazer de um abuso (ou de uma série deles) é a psicoterapia. “Se o cliente enxerga o abuso, vamos nos aprofundar nele, para entender o que causou e vem causando o sofrimento. Não apenas modificamos os sintomas, mas entendemos a dor, a fim de que a pessoa encontre o caminho individual e único para lidar com o trauma”, finaliza.

As quatro etapas na reconstrução de uma vítima de abuso sexual

A psicossocióloga francesa Lise Poirier Courbet foi violada aos 16 anos de idade. Em 2015, décadas depois do ocorrido, ela lançou o livro “Vivre après un viol” (viver após um estupro, em tradução livre), ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Na publicação, a autora analisa a luta cotidiana de mulheres vítimas deste trauma contra a perda de confiança em si mesmas e em sua humanidade. A obra analisa também os caminhos que elas elaboraram para sair do sofrimento e continuar a viver. No fim, a autora identificou quatro grande etapas de superação:

1. SER A VÍTIMA – ser reconhecida como vítima por uma instituição jurídica, por um grupo ou uma pessoa legítimos. Ganhar esse status ajuda a vítima a se desfazer de algumas culpas, como a de não ter sido capaz de se defender ou de ter sido manipulada, por exemplo.

2. FALAR – após ser compreendida, é importante vencer o silêncio e conseguir contar o fato em voz alta para uma terceira pessoa.

3. RECOMEÇAR – nesta etapa, a mulher retoma o controle da sua vida e volta a construir sua história fora do estupro.

4. VOCÊ: O CENTRO – a última fase é voltar a ser o sujeito da sua vida. Pode ser a mais difícil delas, mas o acontecido não é mais o ponto central e decisivo. Neste momento, a vítima tende a olhar para o futuro.


Fonte: Jornal CenárioMT

2 comentários:

dastan litz disse...

a ambientação sociomoral pode ser um mecanismo de "reequilíbrio" pessoal porem não reformata a essência das lembranças e as cicatrizes sempre estão lasceradas lah onde se plasmaram. E mesmo q fosse possível uma 'reformatacao' com apagamento geral do ocorrido, implicaria na perda de outras lembranças a ela dependentes pois tudo na mente eh como um ecossistema, não sei que mágica certos pacientes querem defender ao dizerem 100% reabilitados, seriam insensíveis ao fato ou intrasadicos?.

dastan litz disse...

matéria segregativa, cade a defesa sobre a ocorrência masculina, serah q soh o homem eh o carrasco e não pode ser violado, ser humano eh global.

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