domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Oscar reflete a diversidade da população dos EUA?


Os vencedores de todas as categorias de atuação da 88ª edição do Oscar, que ocorre neste domingo, serão brancos.

Isso porque, pelo segundo ano consecutivo, todos os indicados a Melhor Ator, Atriz, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante são brancos.

Desde a divulgação da lista de concorrentes ao principal prêmio do cinema mundial, esse tem sido um motivo de controvérsia.

Há muitas críticas sobre o fato de nomes como Michael B. Jordan, do bem-sucedido blockbusterCreed – Nascido para Brilhar, Idris Elba, que interpreta um carismático líder militar no filme sobre crianças-soldados Beasts of No Nation, da Netflix, e Will Smith, que estrela o longa Um Homem Entre Gigantes, só para citar alguns exemplos, tenham sido ignorados pela Academia.

Esses críticos apontam a composição do grupo de votantes como uma possível razão para a falta de reconhecimento das interpretações de atores e atrizes afro-americanos.

Dos 6 mil membros habilitados a votar, 94% são brancos.

A polêmica levou nomes importantes do showbiz – entre eles o cineasta Spike Lee e a atriz Jada Pinkett Smith (mulher de Will Smith) – a anunciarem um boicote à premiação deste domingo.

Além disso, uma campanha nas redes sociais reclama dessa falta de diversidade nas nomeações usando a hashtag #OscarsStillSoWhite (“#OscarsAindaTãoBrancos”, em tradução literal), reconstruindo a #OscarsSoWhite (“OscarsTãoBrancos”) popularizada no ano passado.

Será, porém, que essa é uma crítica justa? No passar dos anos, quanto o Oscar tem refletido da diversidade racial americana? Trata-se de uma premiação racista? Ou será que apenas reflete a composição da indústria cinematográfica?

A Universidade do Sul da Califórnia divulga anualmente um estudo que reflete a diversidade étnica e de gênero no cinema americano e no Oscar

Para isso, o estudo analisa a proporção de atores, diretores e outros profissionais de diferentes origens étnicas. Com a série histórica de 2006 a 2013, é possível ter um retrato de quão Hollywood têm refletido, ao menos neste século, essa diversidade.

Os resultados talvez sejam surpreendentes.

Latinos e asiáticos sub-representados

Atores negros estão, em média, levemente sub-representados no cinema dos Estados Unidos.

Uma análise dos prêmios já concedidos pelo Oscar desde 2000 mostra que pouco mais de 9% das indicações foram para eles, que hoje representam 12,6% da população americana, segundo o Census Bureau.

É certamente verdade que atores brancos estão super-representados quando o assunto são as indicações – o grupo que corresponde a 62% da população recebeu 88% das vagas nas disputas desde 2000, e 95% em todo o século passado. Mas não necessariamente isso ocorre às custas dos colegas de trabalho negros.

O fato é que a população latina é que é dramaticamente sub-representada na indústria cinematográfica.

Embora diretores como Alfonson Cuarón (vencedor por Gravidade) e Alejandro González Iñárritu (que levou no ano passado por Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância e concorre de novo por O Regresso) tenham sido premiados recentemente, latinos foram indicados a prêmios de atuação apenas sete vezes – 2% do total de vagas – desde 2000, embora esse grupo corresponda a 17% da população dos Estados Unidos, segundo os dados oficiais.

O dado não inclui atores espanhóis, como Javier Bardem (indicado três vezes) e Penelope Cruz (duas).

Nenhum ator latino ganha um Oscar desde 2000, quando Benicio del Toro levou uma estatueta (se desconsiderarmos a queniana Lupita Nyong’o, nascida no México, vencedora em 2014 por 12 Anos de Escravidão).

Isso talvez ocorra porque apenas 5,8% de todos as papéis com falas foram destinados a atores latinos, segundo o estudo da Universidade do Sul da Califórnia, que analisou 109 filmes lançados pelos maiores estúdios em 2014.

Americanos de origem asiática têm um destino parecido. Segundo o Census Bureau, eles são 5% da população, mas mais da metade dos principais lançamentos de Hollywood no ano passado não tem personagens com falas asiáticos ou americanos com essa origem, aponta o estudo da universidade.

A questão do gênero

Mas há ainda outro grupo que talvez esteja ainda em maior desvantagem que os latinos e os asiáticos.

E talvez isso seja ainda mais surpreendente, uma vez que não se trata de uma minoria que está nessa situação, mas sim a maioria.

Mulheres são hoje por volta de 51% da população dos Estados Unidos, mas conseguiram apenas cerca de 30% dos papéis nos principais longas lançados por Hollywood, segundo o estudo da Universidade do Sul da Califórnia, que analisou os 600 filmes com melhor bilheteria entre os anos de 2007 e 2013.


Fonte: BBC Brasil

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