segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mais de 10 mil crianças migrantes desapareceram na Europa nos últimos meses


Mais de dez mil crianças migrantes não acompanhadas desapareceram na Europa nos últimos 18 e 24 meses, informa a agência policial Europol, acrescentando que muitas delas devem estar sendo exploradas, principalmente de forma sexual, pelo crime organizado.

A organização, com sede em Haia, lamentou o desenvolvimento de uma "estrutura criminosa" pan-europeia, visando a tirar proveito da pior crise migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Essas informações, reveladas pelo jornal britânico The Observer, foram confirmadas neste domingo pela AFP com a assessoria de imprensa da Europol.

Segundo Brian Donald, da Europol, citado pelo The Observer, esse número diz respeito a crianças cujos rastros foram perdidos depois de serem registradas junto às autoridades europeias.

Ele estima que cerca de 5.000 entre elas tenham desaparecido na Itália, uma das portas de entrada para a Europa para os migrantes vindos pelo Mediterrâneo.

"Não é fora de razão estimar que estamos falando de um total de mais de 10.000 crianças", explica Donald. "Mas nem todas estariam sendo exploradas para fins criminosos, há algumas que se juntaram a seus familiares. É só que não sabemos onde estão, o que fazem e com quem".

Um porta-voz da Europol informou à AFP que o número foi obtido com base nas informações fornecidas pelos países europeus ou disponíveis publicamente como, por exemplo, na internet, e que esses desaparecimentos foram registrados nos últimos 24 meses.

"Os menores que viajam sem adultos são o grupo mais vulnerável entre os migrantes", ressalta Rafaella Milano, diretora do programa Itália-Europa da ONG Save the Children. "O reforço das medidas de proteção contra os riscos graves que eles correm é indispensável".

Ela citou como exemplo programas de "realocação" em nível europeu, a fim de permitir "àqueles que chegam na Itália ou na Grécia viajar a outros países europeus sem precisarem recorrer a traficantes". "Muitos menores de idade se escondem voluntariamente das autoridades por medo de serem devolvidos a seus países de origem", lembra ela.

Cerca de um milhão de migrantes chegaram à Europa em 2015 como parte da pior crise migratória que atinge a Europa desde a Segunda Guerra Mundial, estima Europol, citada pelo Observer.

Aproximadamente 27% deles são crianças. "Nem todos os menores de idade estão desacompanhados, mas temos provas de que uma grande parte deles poderia estar sozinhos", afirma Donald.

Ele garante que uma "infra-estrutura criminosa" pan-europeia visa os migrantes para diversos fins. Na Alemanha e na Hungria, em particular, um grande número de criminosos foram detidos por explorarem os migrantes.

"Uma infraestrutura inteira tem se desenvolvido ao longo dos últimos 18 meses, a fim de explorar o fluxo de migrantes", afirma este agente da Europol.

"Há, na Alemanha e na Hungria, prisões nas quais a grande maioria dos ocupantes foi detida em razão de atividades criminosas relacionadas com a crise migratória", acrescenta.

Grupos criminosos que se dedicam ao tráfico de seres humanos são agora ativos também nas redes de imigração ilegal para explorar os migrantes, ressalta Donald, que lembra a escravidão ou as atividades ligadas ao comércio do sexo.

Organizações que trabalham na "Rota dos Bálcãs" indicaram à Europol que veem a exploração de crianças migrantes como um "grande problema", segundo a mesma fonte.

O governo britânico havia anunciado na quinta-feira que iria acolher as crianças refugiadas que foram separadas de suas famílias pelo conflito na Síria e em outros países.


Fonte: Correio Braziliense

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