domingo, 3 de janeiro de 2016

Medo de represálias faz com que mulheres se silenciem em casos de violência


O medo de represálias faz com que muitas mulheres se mantenham caladas ao sofrerem algum tipo de violência doméstica. A avaliação é feita pelo corretor de imóveis José Ferreira Lima, conhecido como Juninho Garçom, que, em julho de 2014, perdeu sua irmã, a ajudante geral Rosinalva Ferreira Lima, de 35 anos, morta asfixiada pelo seu ex-marido Daniel Costa. Após o crime, o assassino fugiu e está sendo procurado pela polícia.

A vítima era amasiada com Daniel e tinha um filho de um ano. Os dois moravam há mais de dois no bairro São Jorge e mantinham uma relação de idas e vindas. Rosinalva não esboçava estar feliz: ela chegou a reclamar que o amasio a ameaçava constantemente e dizia que em breve ela teria uma surpresa. Na ocasião, os familiares da vítima a orientaram que ela fosse até a Delegacia para registrar um boletim de ocorrência. No entanto, Rosinalva se recusava por temer que ele a matasse.

“Vale lembrar que em alguns casos as vítimas vão até a polícia, mas não processam criminalmente os acusados, o que impede a polícia e a Justiça de tomarem qualquer atitude ou dar continuidade ao processo”, explica Juninho, que também se mostrou solidário ao caso da aposentada Maria das Graças Palmério, 63 anos, que teve a mandíbula deslocada e o rosto desfigurado pelo seu namorado, em setembro de 2015. Para ele, além da agressão sofrida, a pressão da sociedade e o silêncio ainda são obstáculos que devem ser superados pelas mulheres.

E a violência contra a mulher é algo que ainda precisa ser muito discutida, pois é um problema que está longe de ser resolvido. Segundo um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a implantação da Lei Maria da Penha não causou o impacto desejado na redução da morte de mulheres decorrentes de conflitos de gênero no país.

A questão foi, inclusive, tema de redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) deste ano, que abordou a cultura da agressão contra a mulher e destacou a importância de políticas públicas de defesa delas.

Para denunciar casos de violência contra a mulher, basta se dirigir à Delegacia da Mulher de Itu, que está localizada na Avenida Goiás, 204, no Bairro Brasil. O telefone de contato é o (11) 4023-7275. Vale lembrar que também existe o disque denúncia. O número é o 180.


Fonte: Periscópio Jornal do Povo

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