segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Brasil tem 6 das 100 obras mais importantes do mundo

Seis grandes obras de infraestrutura do Brasil estão entre as 100 mais importantes do mundo, de acordo com lista feita pela consultoria internacional KPMG. De acordo com o ranking, quatro delas têm o carimbo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

São elas: Projeto de Integração do rio São Francisco (PISF), Morar Carioca - comunidade sustentável, o Campo de Libra do Pré-sal e a Parceria Público-Privada (PPP) do sistema de tratamento de esgoto de Recife (PE). As outras duas obras brasileiras incluídas na lista são a Ferrovia Transcontinental e o Metrô da Linha 6 de São Paulo.

Segundo a publicação, cada um dos 100 projetos listados "representa o espírito de infraestrutura, desenvolvimento e financiamento privado", e revela como governos pelo mundo estão se desdobrando para encontrar meios para financiar importantes projetos de infraestrutura - como é o caso do PAC.

Das quatro obras do PAC listadas pela consultoria KPMG, a que é integralmente financiada com recursos do PAC é o Projeto de Integração do São Francisco, que gera mais de 10 mil empregos e está com quase 70% de seus trabalhos concluídos.

O projeto vai levar água para mais de 12 milhões de pessoas que moram em 390 municípios do Nordeste do país. É a maior obra de infraestrutura hídrica do país e uma das maiores do mundo. Se destaca por executar 477 quilômetros de canais em dois eixos de transferência de água - Norte e Leste -, com a construção de 4 túneis, 14 aquedutos, 9 estações de bombeamento e 27 reservatórios.

A lista das obras é um relatório global que a empresa KPMG faz a cada dois anos. Foram criados quatro grupos para selecionar as obras mais importantes de acordo com sua complexidade, relevância para o país, viabilidade econômica e impacto na sociedade. Para se chegar à lista final de 100 obras, foram convidados especialistas independentes dos Estados Unidos, China, Índia e Brasil, que formaram quatro juris para cada região avaliada. Após algumas rodadas de discussão dos júris, chegou-se à lista final de 100 empreendimentos.

Segundo o sócio da KPMG no Brasil, Maurício Endo, o Brasil retomou com vigor os investimentos em infraestrutura e tem feito boas iniciativas para financiar essas obras. "O PAC é um indutor e realmente tem acelerado e beneficiado vários projetos de infraestrutura, inclusive alguns de parceria público-privada, aportando recursos na área de transporte urbano, por exemplo", afirma o consultor, que elogia a integração cada vez maior entre o PAC e o Programa de Investimento em Logística (voltado para concessões), para que o Brasil aumente ainda mais o investimento em infraestrutura logística. "A infraestrutura é crucial para o crescimento das exportações e para o crescimento doméstico."

Edson Costa, coordenador do departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do PAC, lembra que a Integração do rio São Francisco é um projeto muito antigo, vem sendo debatido desde a época do Império, há mais de 100 anos. Mas só depois da inclusão da obra no PAC, em 2007, é que ela realmente começou a andar. O PAC, diz Costa, criou um ambiente melhor de investimentos no país, priorizando algumas obras importantes e criando mecanismos para financiar os projetos. "A possibilidade de conclusão das obras que compõem a carteira do PAC são maiores, pois existe tratamento diferenciado na gestão, no monitoramento e na garantia dos recursos", explicou Costa.

O professor de finanças da Universidade de Brasília (UnB), José Carneiro da Cunha, diz que a Integração do São Francisco é sem dúvida uma das obras mais estratégicas em andamento hoje no país, por atacar um problema antigo, que é o abastecimento de água no Nordeste. "Resolvendo isso, vai também potencializar a produção agrícola da região e dando melhores oportunidades de emprego." Pode inclusive, diz Cunha, gerar uma redução da pressão de expansão das fronteiras agrícolas na Amazônia, já que o PISF contribuirá para melhorar a qualidade do solo do semiárido por meio da irrigação. "Além disso, faz surgir novas atividades econômicas na região, reduzindo a necessidade de programas assistenciais, o que é muito bom."


Fonte: Portal Brasil 247

Site da Sabesp vai informar horários e locais em que deve faltar água

A Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp) informou que vai disponibilizar em seu site, a partir da próxima semana, uma lista com horários e locais onde haverá diminuição da pressão na rede de abastecimento. A manobra provoca falta d'água em diferentes regiões da cidade. O órgão reconhece que as localidades mais altas e longe dos reservatórios são as que mais sofrem com a medida. A empresa informou que faz ajustes para evitar que a população fique mais de 24 horas sem água e orienta que os moradores adquiram caixa d’água e façam uso racional do recurso.

Uma das medidas adotadas pela Sabesp para combater a crise hídrica no estado é o fornecimento de caixas-d’água gratuita a clientes de baixa renda. De acordo com o órgão, o objetivo é manter o abastecimento nos imóveis por até 24 horas. Podem participar do programa clientes com rendimento familiar de até três salários mínimos e residentes em áreas reconhecidas pela Sabesp com socialmente vulneráveis.

Entre as ações de emergenciais, a companhia apontou que houve um incremento da produção de água de reúso. Atualmente, 0,504 metro cúbico/segundo (m3/s) são produzidos nas Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). Essa água atende a aproximadamente 50 clientes, como prefeituras e empresas que prestam serviço para prefeituras, empreiteiras, indústrias de papel e celulose, têxtil e petroquímicas. O órgão espera entregar, em dezembro deste ano, duas Estações de Produção de Água de Reúso (EPARs). Uma delas vai tratar o esgoto coletado na região de Interlagos e a outra em Barueri. A primeira deve produzir 2 m3/s e a segunda, 1 m3/s.

A Sabesp destacou que a interligação dos sistemas de distribuição permitiu um socorro ao Cantareira. Com o deslocamento de água do Guarapiranga, Alto Tietê e Rio Grande, 3 das 9 milhões de pessoas que eram atendidas pelo Cantareira passaram a ser abastecidas por outros sistemas. O órgão espera ampliar a produção de água com o Sistema Produtor de Água São Lourenço, que tem previsão de entrega para 2017. Cerca de 1,5 milhão de pessoas da região oeste da região metropolitana devem ser contempladas com o acréscimo de 4,7 m3/s.

Mesmo com a entrada do volume morto, que acrescentou 290 bilhões de litros ao Cantareira, o sistema acumula perdas sucessivas, tendo chegado na sexta-feira (23) a 5,3% da capacidade. A companhia informou que a produção média de água para a região metropolitana de São Paulo está em 53 metros cúbicos por segundo (m3/s). Em janeiro de 2014, o volume produzido chegava a 71 m3/s. A produção atual do Sistema Cantareira é 18 m3/s. Antes, o volume chegava a 33 m3/s.


Fonte: Agência Brasil

Ebola: vacinas experimentais são enviadas à Libéria

O carregamento será o primeiro de um medicamento potencialmente preventivo a chegar à nação africana.

Mas especialistas dizem que, com o número de casos da doença caindo, talvez seja difícil garantir que a vacina ofereça proteção contra o vírus.

O medicamento foi produzido pelo laboratório farmacêutico britânico GlaxoSmithKline (GSK) e o National Institutes of Health, dos Estados Unidos.

Proteção

A GSK informou que um avião com 300 doses iniciais da vacina deve chegar a Monróvia, capital da Libéria, ainda nesta sexta-feira.

A e espera que o primeiro voluntário seja imunizado nas próximas semanas.

Andrew Witty, CEO da GSK, disse que o ritmo de desenvolvimento do medicamento foi sem precedentes e poderia ser comparado apenas ao desenvolvimento da vacina contra à pandemia de gripe ou às novas drogas contra o HIV, o vírus da AIDS.

"Para se ter uma ideia, adiamos os programas de desenvolvimento de duas outras vacinas para que pudéssemos ter espaço suficiente para criar esse medicamento", explicou. "Foi tumultuado."

Cientistas esperam envolver 30 mil voluntários no teste, incluindo agentes humanitários.

Se todas as normativas forem cumpridas, cerca de 10 mil voluntários receberão a vacina da GSK.

Parte do total de 30 mil voluntários receberá um placebo, ou seja, uma vacina sem efeito. E há planos de que outros 10 mil recebam uma outra injeção experimental.

Os resultados serão comparados para ver se alguma dessas vacinas oferece proteção contra o vírus.

Uma versão da vacina já foi testada em 200 voluntários saudáveis no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Suíça e no Mali.

A GSK diz que conseguiu obter um perfil de segurança aceitável, mas é apenas em países afetados pelo ebola que especialistas podem determinar se a vacina pode oferecer proteção adequada contra o vírus.

"Enviar a vacina hoje é uma grande conquista e mostra que estamos no caminho certo para acelerar o desenvolvimento de um medicamento contra o ebola", disse Moncef Slaoui, da GlaxoSmithKline.

"Os dados da fase inicial que temos vistos são encorajadores e nos dão confiança em progredir para as próximas fases de testes clínicos."

Oportunidades fracassadas

A GSK ressalta que a vacina ainda está em desenvolvimento e precisa do aval da Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como de outros reguladores, sobre a segurança do medicamento antes de considerar implementar qualquer campanha de imunização em massa.

Testes em campo de outras vacinas ─ como uma que envolve o laboratório farmacêutico Merck ─ estão sendo planejados na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa nos próximos meses.

E há relatos de que testes de uma droga experimental chamada Zmapp devem começar nas próximas semanas.

No entanto, especialistas dizem que, com o número de casos de ebola caindo, as oportunidades para testar vacinas e drogas podem acabar limitadas.

Segundo o professor Jonathan Ball, especialista em vírus da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, devido à queda no número de casos reportados do vírus, ficará "mais e mais difícil mostrar se essa vacina terá algum impacto".

"Talvez dentro de alguns meses estaremos em uma posição em que não saberemos ao certo se essa vacina será eficiente em humanos."

"Mas é importante obter respostas se conseguirmos obter resultados positivos ─ se não para esse surto, para os surtos futuros. Precisamos estar preparados."

Segundo dados mais recentes da OMS, o ebola já infectou 21.724 pessoas, das quais 8.641 morreram.


Fonte: BBC Brasil

Brasil quer ser referência internacional no respeito à diversidade religiosa, diz Ministra

Ao participar de Ato Ecumênico pelo fim da intolerância religiosa em Brasília, a Ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), reafirmou o compromisso do governo da Presidenta Dilma Rousseff com a garantia do Estado Laico. De acordo com a Ministra, assim como no caso do combate à discriminação racial, que o Brasil possui uma legislação avançada, a meta do governo é fazer do país uma referência internacional no respeito à diversidade religiosa e da liberdade de culto.

“Devemos trabalhar para sermos referência mundial na convivência religiosa. Todo ser humano tem direito de expressar livremente sua fé, seja ela qual for. A liberdade de expressão tem limites, e ela acaba quando começa o direito do próximo”, afirmou a Ministra para uma plateia formada por cerca de trinta representantes de instituições e entidades religiosas.

Ideli condenou o uso da religião para prática de terrorismo e crimes e prometeu trabalhar pelo fortalecimento do Comitê de Diversidade Religiosa, que é vinculado à sua Secretaria.

O Ato Ecumênico, que ocorreu no Templo da Boa Vontade, em Brasília, marca as comemorações do Dia Mundial das Religiões e do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorados nesta quarta-feira (21).


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Violência doméstica: Os números da vergonha nacional

O ano de 2014 fica marcado pela morte de 42 mulheres em ambiente doméstico. Destas, 35 morreram às mãos dos atuais ou ex-maridos, companheiros ou namorados. As outras sete mulheres foram também assassinadas em ambiente doméstico, mas pelo pai, tio ou sogro, enfim, por outras pessoas que não o antigo companheiro.

Em média, morreram quatro mulheres por mês no ano. Uma por semana. Em cerca de 30% das situações, a mulher foi morta já depois de estar separada do agressor, sendo que, em muitos casos, estava já mesmo divorciada, tendo o crime ocorrido quando a vítima iniciou uma nova relação.

A maioria dos crimes foi cometida com recurso a uma arma branca, mais concretamente uma faca (37%). Este facto tem duas explicações: a primeira prende-se com o facto de a faca, o cutelo, o machado ou qualquer outro tipo arma branca ser de fácil acesso. Qualquer indivíduo tem um destes objetos em casa, pelo que a sua utilização num caso de conflito é simples. Está à mão. Mas pode significar uma outra coisa.

A morte originada por arma branca é por norma mais demorada do que a produzida por uma arma de fogo, e por isso causa mais sofrimento à vítima. Nestes casos, o agressor demonstra, de forma mais nítida, a raiva que sente em relação à sua vítima, bem como a intenção de a fazer sofrer. E essa raiva, essa fúria, esse descontrolo, da parte do agressor, é visível em muitas destas mortes, dado ao elevado número de golpes desferidos.

São numerosos os casos em que as mulheres são atingidas por sete, oito, nove ou mais facadas, existindo um caso em que a vítima sofreu 17 facadas.

A arma de fogo foi o segundo meio mais usado (32%) em quadros conjugais fatais, no último ano. Nos casos restantes, os homicidas escolheram o afogamento, a asfixia, o estrangulamento, o espancamento e o fogo. Todos estes dados fazem parte de um estudo da UMAR.

Em termos puramente estatísticos, o ano de 2014 foi pior do que 2013, ano em que 37 mulheres perderam a vida por crimes em ambiente doméstico.

Na última década, morreram 398 mulheres em Portugal, vítimas em contexto de violência doméstica. Este número terrível dá-nos uma média de quase 40 mulheres assassinadas por ano (39,8).

Da análise destes dados, constata-se uma certa constância dos números na última década, com variações que neste campo – o das mulheres assassinadas em ambiente doméstico – não são significativas, sendo que quer o número de homicídios ocorridos em 2013 (37), quer em 2014 (42), se encontram dentro da fronteira desta terrível média.

NADA MUDOU

Temos de concluir que apesar das alterações legais que ocorreram nesta última década, da maior especialização e formação de todos os atores, nomeadamente das ONG, associações de apoio à vítima, forças de segurança, tribunais, entidades oficiais, da maior visibilidade do fenómeno, das diversas campanhas de informação, de todas as campanhas de prevenção, dos diversos planos de combate à violência doméstica – não fomos ainda capazes de diminuir nem o elevado número de participações ou queixas do crime de violência doméstica, nem sequer o número de mortes.

As causas são várias, sendo que predominam o ciúme doentio, os problemas de dependências – álcool e estupefacientes – e até situações de puro machismo, onde o agressor entende que a companheira é um objeto cujo proprietário é ele, e que em circunstância alguma tem a possibilidade de por sua vontade sair daquela relação.

Mas será que num futuro, que queremos próximo, conseguiremos fazer baixar estas estatísticas, que são terrivelmente negativas?

No que diz respeito ao número de participações relativas ao crime de violência doméstica, entendo que é possível conseguirmos esse desiderato, apostando quer na prevenção quer na informação e, principalmente, na educação das novas gerações. Já quanto ao número de homicídios, tenho muitas dúvidas de que consigamos reduzi-lo de forma drástica. E porquê? Ora vejamos. 

Podemos dividir o crime de homicídio em dois grandes grupos: o homicídio contra desconhecidos e o homicídio cometido contra conhecidos. O primeiro grupo é aquele mais difícil de investigar porque não existe nenhuma relação entre a vítima e o assassino. Não se percebe a motivação, logo é difícil encontrar um fio condutor na investigação.

O segundo grupo é aquele em que existe uma relação entre a vítima e o agressor e é mais fácil de investigar, pois basta perceber a motivação. Dentro deste grupo encontramos, entre outros, os homicídios por encomenda, onde é necessário identificar o autor material (aquele que mata) e o autor moral (aquele que encomendou a morte), os homicídios por ajuste de contas, normalmente ligados a negócios ilícitos, e todos os outros tipos de homicídios.

O maior grupo é aquele em que existe um conhecimento profundo entre vítima e assassino, e é aqui que caem os homicídios entre vizinhos, normalmente por questões de terras, de patrimônio, de má vizinhança, entre outros, os homicídios por questões de honra, homicídios por desavenças pessoais e também os homicídios em ambiente familiar.

CONVÍVIO DIÁRIO

Estes crimes têm em comum o facto de a vítima e o assassino se verem ou contactarem quase diariamente. Esta situação faz com que interiormente as questões e problemas mal resolvidos entre as partes se vão agravando e acentuando, sendo que, na sua ótica, tudo o que a vítima faz é entendido pelo agressor como algo que é feito para o humilhar, para o segregar, para o minimizar, para o inferiorizar aos olhos de todos.

Por norma não é, sendo que na maioria dos casos a vítima apenas quer distância do agressor, de forma a que todos os problemas que existam tenham um fim. Mas, infelizmente, não é assim que o agressor vê a situação. Normalmente, até por problemas psíquicos ou de personalidade, o agressor entra numa visão afunilada do problema, em que tudo o que lhe acontece é culpa da vítima, a qual comete depois o pecado de seguir com a sua vida para a frente e de querer ser feliz. Isto é algo que o agressor jamais admite.

A tudo isto, no caso dos homicídios em ambiente doméstico, junte-se a situação de divórcio, as partilhas de bens e a guarda dos filhos. O ambiente é explosivo.

Estes agressores são principalmente homens, normalmente com baixa capacidade de resiliência, baixa capacidade de reação a situações de frustração, que inculcam os seus problemas e para quem a resolução dos mesmos apenas se obtém com a morte da vítima e, em muitos casos, seguida da sua própria morte através de suicídio. Este tipo de agressor não teme as consequências penais dos seus atos.

Por norma, depois de cometerem o crime, entregam-se voluntariamente às forças de segurança ou vão para as suas casas, esperando pacientemente que os vão deter. São raros os casos em que fogem ou tentam esconder o crime que cometeram. Existem ainda os mais fracos, os mais cobardes, que depois de matarem a sua companheira simulam tentativas de suicídio.

Neste tipo de crime, a prevenção é quase impossível. E as causas são essencialmente de natureza psíquica. Os autores deste tipo de crimes são claramente imputáveis, ou seja, têm a noção de todos os seus atos, querem fazer aquilo e desejam o resultado, ou seja, a morte da vítima. Por norma, são crimes planeados. Há muito que projetaram nas suas mentes a morte das suas vítimas, afirmando por norma que ‘não és minha, não és de mais ninguém’.

É por isso que, mesmo sendo eu otimista, prevejo muitas dificuldades na luta contra este verdadeiro flagelo, como se constata pela constância dos números, que as estatísticas nos transmitem. 

PRÓXIMOS DAS VÍTIMAS

Se analisarmos os números relativos ao crime de homicídio nos países ocidentais nas últimas décadas, facilmente chegamos à conclusão que este tipo de crime tem crescido exponencialmente nos homicídios contra conhecidos e, dentro deste grupo, nos homicídios em que existe uma relação forte entre vítima e agressor, seja ela de amizade, de vizinhança ou de outro qualquer tipo de relacionamento, inclusive de amor, pelo que ficamos com a noção de quão difícil será baixar estes números.

Se analisarmos os homicídios ocorridos em Portugal, rapidamente chegamos à conclusão que, depois dos crimes de violência doméstica, vêm outro tipo de homicídios ocorridos no interior das famílias, em relações de vizinhança, resultantes de problemas sociais e políticos, ou seja, de questões do dia, crimes oriundos das relações interpessoais das vítimas e dos agressores.

Mas este é um problema mundial e não apenas português, e por isso de tão difícil resolução. Só nos EUA (que têm população de 320 milhões), entre o ano 2000 e o ano 2009, cerca de 1200 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou companheiros. Em Espanha (46 milhões), no ano passado, 71 mulheres foram mortas pelos maridos ou companheiros.

Os números da violência contra as mulheres são impressionantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, quase metade das mulheres assassinadas são mortas pelo marido ou namorado, atual ou ex. No Brasil, uma mulher é espancada a cada 15 segundos. Na Inglaterra, por semana, duas mulheres são mortas pelos seus parceiros, ou seja, o dobro de Portugal. Na França, por ano, 25 mil mulheres são violentadas. Em todos estes países, o número de homicídios contra pessoas que se relacionam é altíssimo.

É esta a realidade que vivenciamos, é preciso conhecê-la para a podermos combater, sabendo que só teremos sucesso se o combate for integrado entre prevenção, repressão e educação.


Fonte: Correio da Manhã

Anonymous pretende expor redes internacionais de pedofilia

O grupo de hackers Anonymous, conhecido por invadir perfis e sites de orgãos governamentais e empresas na internet, voltou seus olhos para a pedofilia e declarou guerra às redes de pedófilos da web e da deep web. Acredita-se que milhões de imagens de violência contra crianças circulam online, mas os casos não conseguem chegar na grande mídia.

De acordo com o O Globo, a operação é batizada de "Operation Death Eaters" (Operação Comensais da Morte, em português). Com nome inspirado em um grupo de vilões da série Harry Potter, objetivo é criar uma base de dados global com informações sobre usuários pedófilos.

"A premissa da operação também é expor o alto nível de cumplicidade, obstrução da justiça e acobertamento de uma indústria sádica a fim de mostrar a necessidade de investigações independentes", disse a cibertivista e aliada de longa data do Anonymous, Heather Marsh, ao The Telegraph. Um dos casos recém descobertos evidencia isso: documentos secretos do governo britânico revelam comportamentos sexuais "não naturais" que aconteceram há 35 anos em Westminster. Na época, a primeira-ministra Thatcher e membros da família real acobertaram o caso.

Cerca de 40 mil novas fotos de imagens pornográficas infantis são colocadas on-line a cada semana, de acordo com o Centro Nacional para o Desaparecimento e a Exploração de Crianças em Washington. Segundo dados da força-tarefa Internet Crimes Against Children (ICAC, na sigla em inglês), mais da metade das imagens recentemente analisas mostram crianças menores de 10 anos, mas apenas 40% de todas elas foram devidamente rastreadas.

Para Marsh, mais do que encontrar criminosos, a base de dados quer revelar redes de influências e como o abuso sexual infantil é perpetuado por elas. A base de dados será hospedada no repositório on-line GitHub, reunindo casos globais de pedofilia. Assim, referências serão cruzadas com o objetivo de fechar a indústria de abuso sexual infantil, desmantelando a estrutura de poder que a mantém.

Confira o vídeo do Anonymous abaixo:



Fonte: Portal Administradores / DN Globo

Filhos reproduzem violência aprendida com os pais

Criar um filho nos dias de hoje não é fácil! Lhe oferecer a educação necessária, para que venha a ser uma pessoa de bem e que não se envolva em crimes e nem mesmo com a violência é um caminho estreito. Mas como devemos criar os nosso filhos, longe da violência, quando somos nós mesmos a prática-la contra eles?

A resposta a essa pergunta não é fácil, no entanto a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do RS, realizou um estudo em que analisou o cotidiano das crianças e em especial a violência, que revelou números extraordinários, em relação a violência sofrida por estes meninos e meninas.

Ao todo em dois anos de estudos foram ouvidas 540 crianças entre 6 e 8 anos de idades, seus país, irmão e outros parentes e um total de 2889 entrevistados. A PUC-RS teve a pesquisa financiada por uma fundação holandesa e visitou um total de 15 comunidades, sendo favelas no Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.

O professor e cientista social da PUC/RS, Hermílio Santos, participou do estudo e afirmou que os resultados do estudo são extremamente desconfortáveis, pelo fato de quando os pais iniciam os castigos físicos nos filhos; caso que segundo ele em mais de 60% acontece com crianças de 0 a 2 anos de idade.

Durante o estudo Hermílio questionou aos pais se a prática resolve? Segundo o professor a resposta em sua maioria foi negativa por parte dos responsáveis pelas crianças. Ao que o cientista afirmou a violência é uma prática e que os pais decidem bater; já que este é o modelo o qual eles conhecem e apenas reproduzem em seus filhos.

Questionado sobre se isto é uma questão cultural, Hermílio afirmou ter receio de fazer tal afirmação, até pelo fato de que não pode se considerar algo imutável. Segundo o professor isso pode mudar e acrescentou que há vários fatores, em que não se pode bater nas crianças e completou ao dizer que não existe palmada pedagógica, ao dizer que isso é conversa “para boi dormir”.

Lei da Palmada

Em relação a lei da palmada, o professor e cientista social afirmou que no estudo foram analisadas apenas favelas, e não a classe média e colocou que a tendência é que a classe média bata menos, do que as pessoas de baixa renda.

A partir deste fato, o professor supõe que a lei vá penalizar mais as pessoas de baixa renda, do que as famílias da classe média. No entanto, como não houve aplicação da lei na sua forma devida, o professor preferiu não se posicionar nem contra e nem a favor da questão. Ainda conforme o pesquisador só proibir bater não resolve e completou “não pode bater”.

Hermílio citou exemplos de Alemanha e Suécia onde hoje, não há prática de violência contra a criança, que atualmente os pais praticam o dialogo para educar os filhos. Ainda conforme o cientista é preciso que outros fatores fundamentais sejam abordados e possam abranger o tema, entre eles o pré-natal, para que a mãe possa criar afeto com o filho.

O professor afirmou que uma outra pesquisa como essa não está prevista, mas que os pesquisadores irão voltar as comunidades visitadas, para verificar o que mudou após está pesquisa.

Os Dados:
  • No Rio de Janeiro 71% das crianças de até 8 anos admitiram ter apanhando ao menos uma vez;
  • Em Recife o número sobe para 75% da criança;
  • Em São Paulo o número cai para 57%
  • Em relação as crianças de dois anos o número é ainda maior:
  • No Rio de Janeiro o registro é de 76%
  • Em São Paulo o número sobe para 83%
  • No Recife o número chega a 94%

Fonte: Diário da Manhã

Pacto pela Alfabetização terá novo ciclo a partir de abril

Está previsto para abril o início do terceiro ciclo do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, promovido pelo Ministério da Educação em parceria com universidades públicas e os sistemas de ensino de estados e municípios. O curso, presencial, qualifica professores das redes públicas da educação básica que lecionam em turmas de alfabetização, do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental.

Na primeira etapa do pacto, em 2013/2014, os professores receberam formação em letramento; na segunda, em 2014/2015, em matemática, curso que será concluído em março próximo, de acordo com informações da Secretaria de Educação Básica (SEB). O terceiro ciclo, que será desenvolvido em 2015 e 2016, vai abordar as demais áreas do conhecimento de forma integrada, com o objetivo de promover a educação integral das crianças.

De acordo com dados da coordenação de formação continuada de professores da SEB, dos 317.207 educadores inscritos no ciclo do letramento, 313.598 concluíram o curso; no ciclo de matemática, que está em fase final, 311.194 educadores estão em aula e devem finalizar a formação em março próximo.

A qualificação dos docentes alfabetizadores tem duração de 120 horas por ano, com metodologia que propõe estudos e atividades práticas. Os encontros são conduzidos por orientadores de estudos, que são professores das redes públicas a que os alfabetizadores estão vinculados.

Parceria

O Pacto pela Alfabetização na Idade Certa é realizado por uma parceria que reúne quatro segmentos com responsabilidades compartilhadas: o Ministério da Educação, uma rede de universidades públicas federais e estaduais, as redes estaduais e municipais e os professores alfabetizadores.

São responsabilidades do MEC os encargos das bolsas de estudos pagas aos alfabetizadores e das demais bolsas – para educadores das universidades envolvidas na formação, aos coordenadores no pacto nos estados, Distrito Federal e municípios e aos professores orientadores dos cursos em cada município. Também é atribuição do ministério providenciar, produzir e distribuir cadernos de formação dos educadores e enviar material didático, paradidático, dicionários, obras literárias e jogos às escolas que tenham classes de alfabetização.

Cabe às instituições públicas de ensino superior que aderiram ao pacto – hoje elas são 41 e representam as cinco regiões do país – coordenar, supervisionar e qualificar os professores formadores. As tarefas dos estados, Distrito Federal e municípios que aderiram ao pacto são criar condições para que os alfabetizadores tenham acesso à formação continuada, designar coordenadores das ações do pacto em âmbito estadual e municipal e selecionar alfabetizadores experientes em cada rede para orientar os cursos.

As escolas também têm responsabilidades no Pacto pela Alfabetização na Idade Certa. Elas devem liberar os educadores para a formação, presencial, e fazer avaliação diagnóstica anual das suas turmas de alfabetização.


Fonte: Ministério da Educação

Universo da transexualidade em Natal é tema de livro-reportagem

Sob o formato de um livro-reportagem, em "De corpo e alma: a transexualidade vista por dentro e por fora", o jornalista Allyson Moreira acompanhou de perto o drama e os desafios de ser transexual na capital Rio Grande do Norte.

O estado é o terceiro com maior índice de assassinatos cometidos contra transexuais e travestis para cada milhão de habitante, no Brasil. "Com histórias contadas por quem vive e sente, na pele e na alma, tento traçar também a longa e difícil jornada de quem busca corresponder o corpo ao gênero com o qual se identifica e, principalmente, a aprovação social", explicou.

Esse livro foi fruto de um projeto experimental para a conclusão do curso de graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, sob a orientação da professora Eloisa Klein. O trabalho obteve nota máxima da banca julgadora, composta ainda pelas professoras Juliana Bulhões e Ângela Pavan.

Allyson explica que o preconceito e a discriminação são elementos que dão contornos dramáticos a uma trajetória repleta de punições, violência e intrigas na vida das duas personagens do livro: a universitária Emilly Mel e a militar aposentada e ativista Jacqueline Brazil. "Ambas, com muita luta e sacrifício, conseguiram superar os desafios e ganhar forças para construir aprendizados significativos e mudar suas histórias pessoais", ressalta.

O jornalista disse que a ideia de que "somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro", do psicanalista Sigmund Freud, é uma constate na vida das que, como elas, subvertem as normas sociais instituídas, na busca diária pelo reconhecimento de uma identidade que traduz sua forma de se ver no mundo.

Para ele, o jornalista que aqui se coloca a investigar, portanto, é também um cidadão que busca cumprir o importante papel social de sua profissão: informar para ajudar o outro a refletir, educar-se e, principalmente, compreender a diversidade de ideias, práticas e sentimentos na sociedade que o cerca.

Assim, muito mais do que um trabalho jornalístico, o livro é resultado do esforço de um sujeito para livrar-se de alguns preconceitos que lhe foram apresentados como verdades. "Ao longo da minha vida, me fizeram acreditar por muito tempo que todo homem que se veste de mulher e se relaciona com pessoas do mesmo sexo era imoral, sofria distúrbios mentais, não era nada confiável e vivia da prostituição. Uma visão completamente equivocada de uma realidade muito mais complexa e plural, embora ainda muito presente no discurso hegemônico, que agora me proponho a tentar desmistificar nessa reportagem", finaliza.


Fonte: Blasting News Brasil

Curso sobre suposta "cura gay" reabre polêmica na capital federal

O cartaz não poderia ser mais claro. Em letras legíveis, estampa: “Homossexualismo: ajudando, biblicamente, a prevenir e tratar aqueles que desejam voltar ao padrão de Deus para sua sexualidade”. Trata-se da divulgação de um curso promovido pela Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares e ministrado pelo pastor Airton Williams e o especialista em políticas públicas Claudemiro Soares, autor de um livro sobre o assunto, Homossexualidade masculina: escolha ou destino?, em que relata como é possível a mudança da orientação sexual.

O convite levou a uma denúncia no Disque 100, canal da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Em uma rede social, o deputado federal Jean Wyllys assumiu a autoria de uma das reclamações por meio de mensagem publicada em uma rede social. Os protestos contra a promoção da chamada “cura gay” chegaram ao promotor e coordenador do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do DF e Territórios, Thiago Pierobon. Intimados a depor, os evangélicos Airton e Claudemiro alegaram que o curso é voltado para líderes de igrejas que encontram dificuldades em abordar o tema com os fiéis. Nele, os religiosos aprendem como lidar com seguidores homoafetivos. Eles garantiram que não existe discriminação nas palestras e que todos são orientados a acolher os homossexuais. Convenceram o promotor, mas não os representantes de grupos LGBT.


“Há discriminação nesse curso, sim. O Ministério Público do DF deveria abrir um processo. Prometer cura é charlatanismo. Isso está no Código Civil. Não se cura heterossexual, portanto, não se cura homossexual. É uma inversão dos valores. Deveria haver uma investigação mais profunda sobre o conteúdo desse curso, quais as ligações com os setores conservadores da sociedade. Esse pessoal está indo de encontro com a comunidade científica. Há muito tempo já se sabe que não se trata de uma patologia e, portanto, não há cura. Esse curso está formando multiplicadores dessa ideia”, revolta-se Evaldo Amorim, diretor do Elos LGBT. Jacinta Fonte, coordenadora do grupo de pais e mães LGBT do Elos, reforça: “Discordo totalmente de não haver processo. Repudio quem acha que homossexuais precisam de algum tipo de terapia, não admito.”

Para o promotor Thiago Pierobon, não existe violação no curso, já que não há provas de discriminação ou de violação aos direitos humanos e que o Estado não tem o direito de interferir em cultos ou discussões religiosas. Oficialmente, o MPDFT alegou que “não é possível proibir as pessoas de, no âmbito de sua liberdade de religião, discutirem temas ligados à sua concepção de correção dos comportamentos sexuais nem de proibi-las de conversarem com pessoas sobre tais temas. Se a abordagem a uma pessoa ocorrer com constrangimento ou exposição ao ridículo, certamente haverá a discriminação, ato ilícito não tolerado pelo Estado”.

O pastor Airton Williams disse ao Correio que o curso é um aconselhamento bíblico que aborda o “homossexualismo” de acordo com os ensinamentos de Deus. Ele acrescentou que ninguém é constrangido a participar dele ou dos aconselhamentos. “Acolhemos e ajudamos os homossexuais que chegam até nós afirmando que estão cansados dessa vida”, detalhou.


Fonte: Correio Braziliense

UnB inova com curso de Licenciatura em Libras

Em 2015, a Universidade de Brasília (UnB) abriu um novo curso de graduação, a Licenciatura em Língua de Sinais Brasileira/Português como Segunda Língua. O vestibular para o curso aconteceu no domingo (18/1) e contou com a participação de mais de 200 candidatos, um número expressivo, conforme comenta o decano de Ensino de Graduação, Mauro Rabelo. “O quantitativo excedeu em muito nossas expectativas, o que comprova o interesse e a demanda da comunidade por essa formação diferenciada”, destaca.

Responsável pela aplicação, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), denominado Cespe, mostrou mais uma vez porque está na dianteira quando o assunto é adaptação e aplicação de provas para candidatos que necessitam de recursos especiais, neste caso particular, aqueles com algum tipo de limitação auditiva.

PROVAS

Para o vestibular, foram oferecidas aos candidatos duas modalidades de avaliações: a tradicional – impressa em papel – e a visual, com a gravação da prova em vídeo e sinalizada por especialista em Libras. “O Cespe ofereceu condições e nos deu o apoio técnico e logístico necessário para que a confecção dessa prova fosse realizada em ambiente adequado e de maneira tranquila, concentrada e com segurança”, afirma a professora do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade, Enilde Faulstich, que esteve à frente durante todo o processo de elaboração das provas do vestibular e foi acompanhada pelo também professor da UnB, Clayton Quirino.

O fato de dar opções para o candidato escolher entre realizar a prova impressa, visual ou utilizar ambos os recursos é considerado democrático por Enilde: “no momento em que nos dispomos a investir no ser humano, fazemos também a opção de oferecer condições para que a inclusão possa realmente acontecer”, salienta a professora.

O vestibular do novo curso da UnB ofereceu 30 vagas, e os candidatos puderam escolher por concorrer entre três Sistemas: Cotas para Negros, Cotas para Escolas Públicas ou Universal. A seleção foi realizada por meio de aplicação de prova objetiva de Língua Portuguesa, Matemática, Física, Química, Biologia, História e Geografia. Houve, também, a redação em Língua Portuguesa.

LIBRAS

A Língua Brasileira de Sinais é uma das línguas oficiais do Brasil, e é considerada a primeira língua dos surdos. Para Enilde, as particularidades da prova em Libras devem ser respeitadas, pois trata-se de uma língua estritamente visual. “As frases longas não são comuns na linguagem utilizada pelos surdos, por essa razão, é necessário conhecer a estrutura linguística da Libras para estabelecer a comunicação de forma ágil e sucinta, e transmitir o conteúdo de maneira efetiva”, resume ela.


Fonte: Universidade de Brasília - UnB

Artigo - Resgatar história da escravidão negra colabora na luta contra racismo e xenofobia

Por: Susana Moreira Marques*

Ao chegar à Inglaterra foi libertado e trabalhou como um homem livre em Londres, cidade onde se juntou a um grupo de abolicionistas africanos nos anos 80 do século 18. Faziam parte do movimento contra a escravidão que começava a ganhar apoio público e a fazer pressão junto do parlamento britânico nessa época. Em 1807, o Reino Unido era o primeiro país a abolir o comércio de escravos. O Brasil seria o último país a abolir totalmente a escravidão, em 1888.

Cugoano e alguns poucos africanos daquela época tiveram a possibilidade de partilhar a sua narrativa e o seu lado da História, mas ao longo do tempo, mesmo depois da abolição do comércio de escravos e da escravidão, faltou sempre fazer a história do ponto de vista dos africanos e daqueles que tinham sido escravos.

A escravidão é – e talvez seja sempre – um problema contemporâneo. Não se trata apenas de observar que continuam a existir no mundo modelos de exploração semelhantes ao da escravatura e que o tráfico de seres humanos continua a existir.

Este tipo de escravidão moderna já não é exclusivo dos africanos, como lembra Vladmiro Fortuna, diretor do Museu Nacional da Escravatura, em Angola, mas é um fato, diz, que ainda é real “a discriminação dos descendentes das vítimas da escravatura [do comércio Atlântico] nos países onde o fenômeno foi muito intenso.”

Isabel Castro Henriques, historiadora ligada ao projeto da UNESCO “Rota do Escravo”, em Portugal, diz que a palavra “escravo” ficou associada a “negro” e que os longos séculos de escravatura transatlântica, de domínio europeu e americano, estão na base do racismo que continuou muito depois da abolição, que fortaleceu-se durante os regimes coloniais europeus na África e que continua a subsistir hoje.

Para vários pesquisadores e historiadores, em Portugal e Angola, é importante passar a mensagem para a sociedade civil e para o poder político de que preservar e ensinar a memória da escravatura não é fazer um mero exercício de história, mas é uma ação efetiva na luta contra o racismo.

“Uma boa divulgação da história da escravatura – e da sua violência e crueldade – poderá despertar a atenção de determinados setores da sociedade para fenômenos contemporâneos de racismo e de xenofobia, de forma a promover a coesão social e as relações interraciais”, resume Vladmiro Fortuna.

Recentemente, dos Estados Unidos ao Brasil, intensificou-se o debate sobre a forma como devemos conservar a memória da escravatura e cresceram também os apelos – e os argumentos a favor e contra – para que sejam feitas reparações, inclusive financeiras.

No Brasil, a Ordem dos Advogados anunciou em novembro de 2014 a formação de uma Comissão da Verdade da Escravidão Negra. A Comunidade do Caribe (Caricom), que tinha estabelecido em 2013 uma Comissão para Reparações, decidiu recentemente fazer um pedido de indenizações a vários países europeus, entre eles Portugal. Mas se este parece ser um tema que tem ganhado força no início do século 21, quando o equilíbrio do poder no mundo se alterou e o mundo ocidental já não tem a hegemonia dos outros séculos, a verdade é que não é uma ideia nova – é pelo menos tão antiga quanto a própria ideia da abolição, até mesmo a ideia de compensação financeira.

Em 1783, em Massachusetts, no leste dos Estados Unidos, uma mulher livre que tinha sido raptada em criança, no Gana, e escravizada durante 50 anos fez um pedido às autoridades do estado para receber o que seria hoje considerado uma indenização. Pedia que fosse poupada, ela e a filha doente, “da miséria mais extrema”. Descrevendo os anos de opressão, dizia ao juiz que se tratava de “uma devolução justa” receber parte da “imensa riqueza” que ela própria, enquanto escrava, tinha ajudado a “acumular” e “aumentar”. Belinda Royall (Royall era o nome da família que fora sua “proprietária”) conseguiu que fosse estabelecida uma pensão retirada do patrimônio da família para quem tinha sido escrava. Ela foi, é claro, uma exceção e as indenizações pagas foram-no, em grande maioria, aos proprietários dos negócios que dependiam dos escravos. De certa forma, foi preciso pagar para conseguir impor a abolição da escravatura.

A lógica do pedido de reparações aos países protagonistas do tráfico de escravos e da escravatura de africanos em larga escala não é muito diferente da história de Belinda Royall e do mesmo raciocínio: se os países lucraram durante tanto tempo com este comércio, por que não devolverem parte desse lucro aos que contribuíram, sem qualquer reconhecimento, para que essa riqueza existisse?

As reparações financeiras colocam vários problemas, a começar pela dificuldade em calcular quantias concretas. “Podemos até ter uma ideia do número de pessoas envolvidas no tráfico de escravos, mas como calcular um valor para a violência e a crueldade?”, pergunta Vladmiro Fortuna. “A minha opinião tem sido sempre esta: não é dinheiro que pode pagar o crime que foi a escravidão.”

O diretor do Museu Nacional da Escravatura de Angola reforça a ideia de que são necessárias, sim, reparações éticas, morais, históricas e científicas: “É preciso criar condições para a preservação da memória e colocar a história da escravatura no seu verdadeiro lugar – e com isso ajudar a diminuir os focos de discriminação das pessoas de descendência africana em países onde ela foi muito intensa. É esta a melhor forma de reparar esse erro do passado.”

Também Isabel Castro Henriques acha que as reparações financeiras podem desviar as atenções daquilo que é realmente importante: “O problema do preconceito é um problema profundo e o que é preciso é que as pessoas mudem a maneira de pensar”.

A pesquisadora e professora, especialista em História da África, lembra que existe o perigo de se achar que “o assunto fica resolvido” pelo dinheiro. Admite que em certos tipos de situação, compensações financeiras podem ajudar, mas que não é o caso de séculos de tráfico de escravos e de escravatura que moldaram relações entre povos e continentes.

“No caso de Portugal, é preciso desconstruir um imaginário que foi construído ao longo dos séculos”, diz Isabel Castro Henriques. “As pessoas em Portugal muitas vezes são racistas sem sequer se darem conta.”

Em Portugal, antes sequer de pensar em reparações, seria preciso dar importância à história da escravidão, reconhecer o seu impacto ainda hoje, debatê-lo de forma séria publicamente. Mas isso ainda não está acontecendo.

Os projetos para um museu da escravatura em Lagos, no sul de Portugal, têm avançado a passos lentos. E Henriques lamenta que a tentativa de preservar um cemitério de escravos também em Lagos não tenha sido bem sucedida. No lugar onde tinham sido encontrados 155 esqueletos de escravos africanos e onde se poderia ter feito algo para honrar a memória destes homens, mulheres e crianças, foi construído um estacionamento – os esqueletos foram retirados para serem estudados. É apenas um exemplo, para a pesquisadora, de como em Portugal ainda não é vista como uma prioridade a preservação da memória da escravatura.

“Se não há um debate sobre o passado, não podemos rever o presente nem podemos ter desenvolvimento no futuro. As reparações passam primeiro por uma revisão histórica.” Portugal, diz, não ganha nada em querer fixar-se numa História de vencedores. “Portugal não ganha nada com continuar a olhar dessa forma [como “vencedor”] para a escravidão, a não ser vergonha eterna.”

Segundo Vladmiro Fortuna, em Angola o debate existe a um nível institucional – e as instituições angolanas vão sendo confrontadas com a maneira como a discussão vai evoluindo internacionalmente – mas ainda não chegou à sociedade angolana. “A memória da escravatura em Angola ainda não é suficiente conhecida”, diz, “mas creio que é uma questão de tempo até a sociedade estar mais atenta a estes temas.”

O diretor do Museu Nacional da Escravatura lembra que há muito trabalho por fazer para se conhecer a fundo a história da escravatura em Angola – para além da história do tráfico de escravos, há muito por explorar no que toca à escravidão dentro do país, nas antigas fazendas coloniais, por exemplo, entre muitos outros espaços que ainda não foram suficientemente estudados. Vladmiro Fortuna diz que o acervo do Museu Nacional da Escravatura é extraído na sua maioria da região de Luanda, onde o museu está localizado, e que falta fazer trabalho arqueológico no resto do país.

Agora, lembra, no resto do mundo tem crescido a investigação sobre a escravatura e em muitos estudos internacionais Angola é referida. “No site Trans-Atlantic Slave Trade Database, os números mais recentes apresentados colocam Angola como umas das regiões que mais exportou escravizados. Esta confirmação dá-nos mais responsabilidades no processo da valorização e preservação da memória da escravatura.”

“É um assunto que deve envolver todos os povos do mundo no sentido de preservar a história para a educação das novas gerações, porque é esta a melhor forma de honrar as vítimas”, diz Vladmiro Fortuna.

Este parece ser o grande consenso: que a verdadeira reparação começará quando nas escolas a história da escravidão seja contada a partir de vários pontos de vista e seja tratada como um tema fundamental. Talvez quando os nomes e as histórias de pessoas como Cugoano ou Belinda Royall passarem a fazer parte do nosso imaginário.


* Susana Moreira Marques é correspondente da Rede Angola em Luanda

Fonte: Vermelho / Ópera Mundi

Escola do governo formará agentes para lidar com jovens em conflito com a lei

Cerca de 20 mil agentes públicos que atuam no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) trabalham, diariamente, com jovens em conflito com a lei e, por isso, cumprem medidas socioeducativas de meio aberto, restritivas ou privativas de liberdade. Uma convivência que, muitas vezes, é difícil e enfrenta resistências de ambos os lados.

Os desafios para a efetivação da socioeducação são diversos, incluindo aos adolescentes a garantia de acesso a políticas como educação, fim das violações e construção de uma cultura de direitos. Em 2014, apenas em Fortaleza ocorreram 15 rebeliões nas unidades do sistema, conforme o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca – CE).

Diante desse cenário e com o objetivo de melhorar o serviço nos estados, foi criada a Escola Nacional do Socioeducativo. Ela terá como papel oferecer formação continuada a trabalhadores do Sinase em todo o país, com conteúdos teóricos e práticos padronizados e pautados pela perspectiva dos direitos humanos.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), em 2012 o sistema comportava 20.532 adolescentes em restrição e privação de liberdade e 88.022 em meio aberto, ou seja, que prestam serviços à comunidade ou estão em liberdade assistida.

“A gente fica na nossa e também não espera nada deles. Só o serviço que eles têm de fazer. Não os olhamos como amigos nem inimigos. É cada um no seu canto”, disse o adolescente D.S., que está há um ano e dois meses na Unidade de Internação de Planaltina, cidade satélite do Distrito Federal.

“Respeitamos e somos respeitados. O respeito acaba quando um excede. Uma das partes se altera e aí acaba o respeito. Sobra para nós. Nosso direito acaba quando começa o deles, mas o deles não acaba", afirmou T.L., há um ano e dez meses na unidade.

Agente de Reintegração Social há cinco anos, Igor Lopes, 32, conta que o dia a dia da unidade não enfrenta maiores turbulências, mas ressaltou que os problemas acontecem. “A maior parte da rotina é tranquila, mas tem momentos em que há maior tensão aqui. Por alguns fatores, a relação entre a gente e os internos fica mais difícil”. Ele lembrou que, quando assumiu o cargo, teve pouco tempo de preparo.

“Passamos no concurso e não tivemos um curso de capacitação com tempo maior, com maiores técnicas de defesa pessoal ou de aulas teóricas para utilização no Sistema Socioeducativo. Foi um curso de apenas uma semana e entramos no sistema”.

Lucas Jacobina trabalha desde 2010 como agente de reintegração social. Ao ingressar no sistema, ele contou com a ajuda de colegas mais experientes. “No começo, tive um pouco de receio, porque quem está de fora não imagina como é o clima aqui dentro. Tive sorte pelos muitos parceiros bons, que já trabalhavam há mais tempo e ensinaram bem o serviço. Depois que aprendemos o serviço, percebemos que não é essa coisa de outro mundo”.

Para José Carlos Amaral e Márcio Saldanha, o preparo realmente é insuficiente. Também agentes do Sistema Socioeducativo do DF, eles criaram um curso para reforçar conhecimentos de segurança protetiva aos colegas de profissão. “A segurança protetiva significa preservar a harmonia social e a integridade física daquele que lhe agride”, salientou Saldanha.

Assistente social, Ludmila Pacheco trabalha há mais de 20 anos com jovens em conflito com a lei. Ela acredita que a formação poderá mudar a situação do sistema. “Quando você trabalha com uma questão como a violência, com a produção da violência, é preciso ter preparo técnico. O preparo tem de começar do ponto de vista filosófico até as técnicas de atuação cotidianas”, informou.

Segundo ela, essa será uma oportunidade de promover entendimentos sobre o sistema e dialogar com a população que acredita na punição como forma de prevenir e controlar o delito. “O Estatuto [da Criança e do Adolescente] traz outro conceito. A forma de reverter o delito é sim pela privação, que é punitiva, porém pelo processo socioeducativo. Pouca gente entende o processo socioeducativo. A escola veio suprir isso”.

Até a criação da escola, cabia aos estados a tarefa de formar trabalhadores. Cada unidade da Federação organizava e ofertava cursos próprios, muitas vezes sem aliar teoria e prática ou estabelecer leituras mais aprofundadas sobre a situação dos adolescentes que cumprem as medidas, acrescentou Ludmila.

A partir de agora, a escola organizará cursos com base em três núcleos de conteúdos. O Núcleo Básico compreende discussões sobre adolescência e juventude, políticas públicas e marco legal da socioeducação no Brasil, metodologia do atendimento socioeducativo e parâmetros de segurança no atendimento, enquanto o Núcleo Específico será focado em discussões teóricas voltadas para demandas de cada localidade. Já o Núcleo de Especialização promoverá o aprofundamento de conhecimentos sobre prática socioeducativa.

Coordenador nacional do Sinase, Cláudio Augusto Vieira da Silva disse que a formação padronizada “é uma proposta antiga dos profissionais, que querem melhor qualificação, mais preparo e entendimento da natureza do atendimento socioeducativo”.

De acordo com ele, os primeiros cursos serão ofertados em abril, em parceria da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República com a Universidade de Brasília (UnB). Os sete módulos do Núcleo Básico serão oferecidos a distância e gratuitamente para funcionários do Sistema Socioeducativo.

A expectativa é que, em maio, seja aberta a primeira turma de especialização em socioeducação, também voltada aos trabalhadores do Sinase.


* Colaborou Marcelo Brandão

Fonte: Agência Brasil

Rio de Paz cobra amparo às famílias de crianças mortas por bala perdida

A organização não governamental (ONG) Rio de Paz, vinculada ao Departamento de Informação Pública da Organização das Nações Unidas (ONU), promoveu na manhã de hoje (25) ato na Praia de Copacabana, zona sul da cidade, para alertar autoridades e sociedade sobre a violência que está gerando a morte, por balas perdidas, de crianças no Rio de Janeiro.

Com cartazes e uma faixa com a frase “A violência está matando as nossas crianças”, pais e parentes de crianças mortas pediram justiça, ao lado de uma cruz de três metros de altura fixada na areia. Coordenador operacional do Rio de Paz, o dentista Gregório Dotorovici é engajado no movimento desde 2007. Segundo ele, o ato foi pedido pela família de Larissa de Carvalho, 4 anos, morta por bala perdida no último sábado (17), em Bangu, zona oeste da capital fluminense.

“Promovemos o ato para chamar a atenção das autoridades para que amparem famílias que tiveram crianças vitimadas e que se diminua o índice de violência. O registro de 15 crianças é um número considerável no momento.”

A estatística inclui crianças de 2007 até a semana passada. Para Dotorovici, o total seria maior se fossem incluídos adultos mortos por bala perdida, além de crianças e adultos feridos. “É um número bastante alto”. Insistiu que o movimento objetiva, além do amparo às famílias, que as autoridades reduzam o índice de letalidade, aumentem o controle das fronteiras e o desarmamento. “Isso não pode ficar sem nenhum tipo de atitude”.

Outro integrante da ONG João Luís Francisco dos Santos afirmou que aqueles que não se comovem com a dor das famílias que perderam filhos por balas perdidas acabam concordando com a situação. “Não é possível ficar parado. Hoje foi com o filho dela, mas poderia ser com o meu”, comentou.

Pais de Kayo da Silva Costa, de 8 anos, morto por bala perdida em outubro de 2013, numa tentativa de invasão ao Fórum de Bangu, Adriano Clemente da Silva e Tiane da Silva participaram da manifestação. Conforme Tiane, atos e passeatas para lembrar crianças mortas por bala perdida contribuem para que elas não caiam no esquecimento.

“Tem de ser lembrado, porque não temos mais segurança no Rio. Saímos de casa e não sabemos se nossos filhos voltarão da escola. Não penso mais em ter filhos. Para quê? Para ficar preso dentro de casa? Não podemos mais sair com nossos filhos”. Tiane acrescentou que todo ato ajuda a manter a discussão sobre a falta de segurança no Rio e no país. “Faremos passeatas sempre que pudermos nos unir a outras mães".

Emocionada, a mãe de Larissa, Milene, chorou abraçada à placa com o nome da filha, onde estavam uma sandália e brinquedos da menina. Milene disse que espera justiça. “Quem fez isso com minha filha não pode ficar impune. Que seja feita justiça. Estava com minha filhinha para me distrair um pouco e veio uma bala e acertou a cabecinha dela. Por que não acaba a corrupção, por que não param de desviar dinheiro da nossa segurança e dos nossos filhos?”, cobrou Milene.

De acordo com Michele de Carvalho Pereira, tia de Larissa, o Rio de Janeiro se uniu esta semana pela dor, pela tristeza. “Hoje, pedimos que o Rio se una pela justiça. O tiro foi dado para o alto. Só vão descobrir o culpado se alguém denunciar, se alguém nas redondezas ouvir e denunciar”.

Michele salientou que não se trata apenas da morte de sua sobrinha, mas de outras crianças. “Isto não pode continuar. Queremos que as autoridades façam o desarmamento, porque a guerra não é só lá fora. O Rio de Janeiro está em guerra há muito tempo”. Amigo da família de Larissa, Wendel Nascimento de Moraes acredita que o ato pode ter efeito positivo. “Esperamos que sim. Esperamos que essa violência acabe, um dia”.


Fonte: Agência Brasil

Tabu alimenta 'epidemia' de cesáreas no Brasil

Hoje, 99 anos depois, ela continua, segundo especialistas, sendo tirada de contexto e usada para alimentar o tabu de que mulheres não poderiam ter um parto normal se já tiverem passado por uma cesárea.

Em um país como o Brasil, que tem o mais alto índice de cesarianas do planeta, essa concepção tem um impacto ainda maior, alimentando o que o Ministério da Saúde considera uma "epidemia" que já faz com que 84% dos partos na rede privada sejam cesáreas (na rede pública, a taxa é de 40%), enquanto o recomendado pela OMS é de 15%.

Embora tenham índices mais baixos que os brasileiros, os Estados Unidos também enfrentam desafios semelhantes para baixar o patamar de 32,8% de cesáreas, já que muitas das razões que fizeram esse índice subir por lá são as mesmas que temos aqui.

Um desses pontos em comum é justamente o tabu do parto normal após cesárea ou VBAC - sigla em inglês para Vaginal Birth after Cesarean Section (parto vaginal após uma cesárea), que também é usada no Brasil.

Proibido

O estudo "Listening to Mothers" (Ouvindo as Mães, em tradução livre), feito com mais de 2.400 grávidas nos EUA pela organização Childbirth Connection, concluiu que muitas das cesáreas estavam ligadas ao acesso restrito ao VBAC.

"É claro que aumentar as expectativas (de que sempre é possível um VBAC) não é algo saudável para as mulheres", afirmou à BBC Brasil Carol Sakala, doutora em saúde pública e bem-estar materno da ChildBirth Connection.

"Mas é completamente inaceitável que não se discuta a possibilidade de um VBAC com as mães. É inaceitável pressionar uma mulher a ter outra cesárea desnecessária diante da quantidade de evidências que temos hoje mostrando que VBACs podem ser seguros."

Carol ressalta que o estudo mostrou ainda que entre mulheres com cesáreas anteriores, quase a metade (48%) estava interessada em um parto normal, mas 46% tiveram essa opção negada. Em 24% dos casos, isso ocorreu por relutância do médico e, em 15%, os hospitais em que elas dariam à luz simplesmente não faziam VBACs.
'Fui chamada de louca'

Foram exatamente esses empecilhos que a enfermeira e professora da Universidade Federal de Brasília (UnB) Mônica Chiodi de Campos enfrentou ao ter seus três primeiros filhos - todos por cesárea - até conseguir ter seu quarto filho por parto normal, um VBA3C.

"Me colocaram todo o tipo de barreira possível. Foi muito difícil encontrar uma equipe para me auxiliar no parto. Fui chamada de louca por muita gente", conta.

"Na minha primeira gravidez, minha bolsa rompeu com 38 semanas e passei por uma cesárea de urgência. No meu segundo filho, meu ginecologista da época já me despejou a famosa 'uma vez cesárea, sempre cesárea', e assim foi. Na terceira gestação, achei que seria diferente, mas, ao ser atendida na maternidade por uma médica plantonista e por ter duas cesáreas, minha sentença já estava decretada."

A enfermeira conta que, quando engravidou pela quarta vez, encontrou um médico que, depois de muita insistência, topou lhe acompanhar. "Durante a gestação, pesquisamos muito sobre VBA3C, que ele nunca tinha feito. Há pouca literatura sobre isso no Brasil."

"Sofri muita pressão, mas me mantive firme. É claro que, se houvesse qualquer problema, faria uma cesárea. Mas meu parto foi ótimo e meu filho (que tem 3 meses) é super saudável. Ao saber da história, várias mulheres me procuraram, pedindo dicas de VBAC. Muitas nem sabiam que podiam fazer parto normal depois de uma cesárea."

Terrorismo

Para a obstetra e professora da UFSCar Carla Andreucci Polido, aos poucos as brasileiras estão indo atrás de informações sobre esse procedimento, mas ela acredita que ainda haja muito "terrorismo" sobre risco de rotura (ou ruptura) uterina após cesarianas.

Segundo Carla, estudos mostram que o sucesso de um VBAC após duas cesáreas pode ultrapassar 70% e que a segunda, terceira ou quarta cesarianas têm riscos de complicações semelhantes à prova de trabalho de parto após cesariana.

Já para o ginecologista Etelvino Trindade, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco de rotura uterina deve estar bem claro para a mãe, já que, se isso ocorrer, há chances de morrerem mãe e bebê.

Os dois médicos, no entanto, concordam que ampliar a discussão sobre o VBAC é um dos caminhos para se combater a alta incidência de cesáreas no Brasil.

"Entender que é uma possibilidade segura é uma constatação especialmente digna de nota em nosso país", afirmou Carla, em relação ao fato de Brasil ter a maior taxa de cesáreas do mundo. "Isso porque é cada vez mais provável que mulheres já cheguem aos obstetras com cicatrizes uterinas anteriores."
Tudo online

Mas como fazer para que o número de partos normais após cesáreas entre as brasileiras se eleve?

Se formos novamente comparar nosso cenário com o americano, vale considerar algumas medidas que elevaram a taxa de VBACs de 8,3% em 2007 para 10,2% em 2012.

As principais iniciativas vêm de organizações independentes americanas, que divulgam informações sobre o procedimento, auxiliam grávidas interessadas no tema e publicam na internet taxas de VBACs de milhares de hospitais e médicos país afora.

Sites como o CalQualityCare comparam os índices em todas as cidades da Califórnia. O site VBACfinder também faz um levantamento na maioria dos Estados americanos. Outra fonte é o e-book Vaginal Birth Bans in America: The Insanity of Mandatory Surgery, que traz um mapa interativo com hospitais que não atendem mulheres com cesáreas prévias que querem tentar um parto normal.

É ou não cesarista?

No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deu recentemente um primeiro passo nessa direção.

Uma das resoluções para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas na rede privada (que atende hoje 23,7 milhões de brasileiras) prevê que as mulheres possam solicitar aos planos de saúde os porcentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. O dado deve estar disponível em 15 dias, sob pena de multa de R$ 25 mil.

A medida foi criticada por algumas categorias médicas, que a consideram uma invasão da autonomia do médico.

"Invasão é quando uma mulher é cortada sem necessidade", afirma Carol Sakala, da ChildBirth Connection. "E a autonomia deveria estar com a mulher. Sempre que são publicados os dados sobre os procedimentos usados no parto, isso melhora a situação e o atendimento de mães e bebês"

Para Carol, seria ainda mais útil se as barreiras fossem eliminadas, e os dados estivessem à disposição para todos online, sem a necessidade de pedir para o plano de saúde e esperar.

Segundo a ANS, essa possibilidade está sendo estudada para o futuro.

No entanto Trindade, da Febrasgo, diz que sua preocupação é com o fato de o médico poder ficar "estigmatizado" ao ver sua taxa de cesáreas se tornar pública.

"A percepção das taxas pode ficar enviesada e ter distorções, no caso de um médico especialista em casos complicados, de alto risco (que podem ser indicação de cesárea). Ele pode ser chamado de cesarista, como costumam dizer. E isso é incômodo para alguns", afirma o ginecologista, em referência a como são chamados médicos com altíssimos níveis de cesarianas.

Karla Coelho, gerente de assistência à saúde da ANS, rebate essa opinião, dizendo não creditar que haja médicos com 80% de casos complicados. "Isso é uma reversão da lógica. Não se pode banalizar essa discussão."

Trindade atribui a alta incidência de cesáreas, em parte, ao temor dos médicos brasileiros de serem processados.

"Os médicos estão mais reticentes em querer assumir um risco maior", disse, acrescentando que um congresso em março vai discutir medidas para se reduzir as cesáreas e apontar propostas.

Questionado se essas propostas não deveriam estar sendo feitas há anos, ele afirmou que "muitos médicos estão em sua zona de conforto e, embora concordem que é preciso reduzir as cesáreas, não se preocupam muito com isso".


Fonte: BBC Brasil

Cientistas avançam na criação de exames que detectam o Mal de Alzheimer

É uma pergunta que quase sempre fica sem resposta. Você gostaria de saber que tem uma doença degenerativa e incurável, que só se manifestará daqui a 10 anos? Nem os cientistas que pesquisam o tratamento do Alzheimer têm opinião fechada. Enquanto alguns acham que ainda é cedo para surpreender os pacientes com esse diagnóstico, outros apostam na identificação do problema em pessoas mais velhas que começam a apresentar os primeiros sinais. A justificativa é que, com tempo hábil, é possível fazer intervenções para amenizar e mesmo retardar os sintomas associados a esse mal.


Embora o Alzheimer não tenha sido decifrado por completo, nos últimos cinco anos as pesquisas avançaram significativamente. Hoje, já é certo o papel de duas proteínas na degeneração do cérebro: a tau e a beta-amiloide. No primeiro caso, o que mata as células são emaranhados de fios que se formam dentro do órgão devido a alterações na estrutura da tau. Quando saudável, a proteína, semelhante a trilhos de trem, organiza o transporte celular cerebral. Mas, por motivos desconhecidos, ela começa a se embolar, o que destrói os neurônios. Já a beta-amiloide é uma substância normalmente descartada pelo líquido cefalorraquidiano, que circula do cérebro para a coluna espinhal. Contudo, um distúrbio também ainda sob investigação faz com que ela se acumule, formando placas tóxicas e nocivas.

Os cientistas lutam para entender o que desencadeia os dois processos. Há algumas pistas e sabe-se que fatores hereditários, problemas vasculares e obesidade favorecem o surgimento do mal. Mas, mesmo sem conhecer a raiz do Alzheimer, o avanço das pesquisas permite, hoje, identificar essas alterações pré-clínicas, que surgem muito antes de os sintomas mais consistentes aparecerem. Além de técnicas de imagem, exames de sangue e oftalmológicos, que indicam a presença de biomarcadores, testes cognitivos cada vez mais aprimorados são capazes de diagnosticar a doença. Essas ferramentas ainda estão sob estudo e só se aplicam no universo restrito das pesquisas científicas. A expectativa, porém, é de que boa parte delas estejam disponíveis em breve nos consultórios.

Para mais informações, consultar o jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

domingo, 25 de janeiro de 2015

Mulheres tornam-se fortes protagonistas e consumidoras de games

Já não é surpresa para muita gente que o mundo dos videogames deixou de ser predominantemente masculino. Cada vez mais, mulheres têm demonstrado forte presença não apenas na produção de títulos, mas também se revelado como uma grande parcela do público consumidor. E elas tiveram bons motivos para comemorar ao longo dos últimos meses, após verem muitos jogos protagonizados por personagens femininas figurarem nas recentes listas de melhores games da atualidade.

E, em Brasília, não faltam meninas que tiveram a oportunidade de testar esses jogos. O Correioconversou com fãs de games e desenvolvedoras independentes da capital, além de mulheres de outras partes do país, para saber o que elas acham da representação feminina no mundo dos games atualmente.

Um dos grandes destaques recentes é Transistor, jogo do estúdio independente Supergiant Games, celebrado pela direção de arte, trilha sonora e jogabilidade. Na trama, Red, uma cantora, é atacada por uma organização criminosa e perde a voz no processo, mas ganha uma arma poderosa: uma espada com a voz de um homem, capaz de conversar com ela.

“Gostei da Red por ser uma personagem mais adulta e desenvolvida. Ela tem vontades e aspirações próprias, ela faz o que quer”, explica Catharina Baltar, artista da The Balance Inc., um dos principais estúdios independentes de games em Brasília. “Mesmo que a espada frequentemente diga para ela fazer ou deixar de fazer, a Red muitas vezes não dá ouvidos e age como acha certo”, complementa.

Para a estudante de publicidade e fã de games Yasmin Oliveira, o jogo decepcionou. “Ela é uma cantora e personalidade influente, mas ela não tem ou constrói qualquer profundidade ao longo da trama. E toda voz ativa é da espada. Red apenas a carrega, dando a falsa impressão de protagonista. A mulher acaba sendo, novamente, acessório para um personagem masculino mais importante”, opina Yasmin.

A mesma questão não foi um ponto negativo para a crítica e pesquisadora de games Flávia Gasi. “Acho que é uma metáfora sobre a perda da voz das mulheres na cultura pop. E Red luta para recuperá-la”, analisa.

Sobrevivente do espaço

Após um histórico de jogos não muito bem recebidos pela crítica, a franquia Alien conseguiu surpreender com Alien: Isolation, um título de terror e sobrevivência em primeira pessoa, protagonizado por Amanda Ripley, a filha de Ellen Ripley (heroína da clássica série de filmes de ficção científica). “Ela me pareceu uma representação bem crível de uma pessoa com forte instinto de sobrevivência em uma situação de perigo real”, acredita Thais Weiller, designer do estúdio independente JoyMasher, de São Paulo.

Para Flávia Gasi, Ripley é uma das melhores protagonistas de games do ano passado. “Ela tem uma profissão que é útil no jogo e ela sobrevive porque é inteligente. É uma grande homenagem à série de filmes, por ter uma mulher forte e independente. Isso era algo ausente nos jogos Alien até agora”, relembra a crítica.

A liberdade das indies

Um dos casos mais controversos e recentes da indústria de jogos foi o fato de a desenvolvedora Ubisoft ter afirmado que desistiu de incluir uma personagem jogável feminina em Assassin’s Creed: Unity porque seria trabalhoso demais. Críticas ao estúdio afirmaram que se tratava de mera desculpa e reacenderam o debate sobre o medo de grandes nomes do mercado em criar títulos com protagonistas mulheres.

“Essas empresas grandes ficam receosas de ter personagens femininas de destaque porque, aparentemente, isso vende menos”, comenta Mariana Ponte, compositora musical da The Balance Inc. Por não terem tanto essa preocupação, os estúdios indies, portanto, têm mais liberdade, acredita Mariana.

Para Thais Weiller, esses jogos maiores são caros demais para se darem ao luxo de não venderem bem. “Assim, eles sofrem do mesmo problema de Hollywood: o protagonista homem, branco e genérico sendo o principal na maioria dos filmes, mesmo quando a história seria mais interessante no ponto de vista de outra pessoa”, critica a designer. “Como indies têm menos dinheiro investido, eles correm menos riscos e fica mais fácil ousar em tudo, de jogabilidade a personagens.”

Melhorias necessárias

Apesar de bons títulos recentes com personagens femininas, a indústria ainda tem muito a aprender. “A maioria dos jogos ainda as retratam de forma bem rasa e sexualizada. No geral, são poucos casos de títulos com mulheres fortes e independentes”, aponta Catharina Baltar. Para Yasmin Oliveira, a representação da mulher nos games precisa de uma melhora em diversos aspectos. “Isso vai desde a hiperssexualização desnecessária das roupas à falta de representatividade de personagens que saiam do padrão eurocêntrico: branca, magra e peitos grandes.”

O papel desempenhado por essas personagens também precisa ser bem elaborado, acredita Flávia Gasi. “O que precisamos é ter jogos em que elas não existam apenas porque elas avançam a narrativa de um homem na história, mas porque a trama precisa delas.”

Os principais games atuais com protagonistas femininas

» Transistor
» Child of Light
» The Walking Dead: Season 2
» Alien: Isolation
» Bayonetta 2
» Never Alone
» The Last of Us: Left Behind


Fonte: Correio Braziliense

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram

A Feira do Livro de Bogotá, que aconteceu no final de abril, teve como maior sucesso um livro chamado “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”. Mais especificamente, uma parte dele: umdicionário feito por crianças que traz cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z.

Apesar de lançado originalmente em 1999, o livro foi reeditado neste ano. Javier Naranjo, o autor, conta que compilou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural do leste do país.

A ideia surgiu quando, em uma comemoração do Dia das Crianças, ele pediu que seus alunos definissem a palavra "criança". O resultado encantou o professor - uma das definições era "uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo". A partir daí foram surgindo novas definições, que eram sempre anotadas e guardadas.

Para ele, as crianças têm uma lógica diferente, uma maneira própria de entender o mundo e de revelar muitas coisas que os adultos já esqueceram. É assim que, no peculiar dicionário, o adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma "transparência que se pode tomar", um camponês "não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos" e a Colômbia é "uma partida de futebol".

Confira abaixo alguns dos verbetes encontrados no livro.
  • Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
  • Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
  • Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
  • Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
  • Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)
  • Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
  • Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
  • Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
  • Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
  • Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
  • Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
  • Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
  • Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
  • Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
  • Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
  • Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
  • Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
  • Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
  • Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
  • Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
  • Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

Fonte: BBC Mundo / Catraca Livre

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Suécia fecha 4 prisões e prova: a questão é social

O jornal inglês The Guardian informou em sua edição de ontem que 4 prisões e um centro de detenção foram fechados na Suécia, pela Justiça daquele país, por falta de prisioneiros. O diretor de serviços penitenciários local, Nils Oberg, afirmou que o número de detentos estava caindo 1% ao ano desde 2004 e, de 2011 para 2012, caiu 6%.

Oberg e outras fontes ouvidas pelo jornal inglês acreditam que a queda do número de presos tem os seguintes motivos: 1) investimentos na reabilitação de presos, ajudando-os a ser reinseridos na sociedade; 2) penas mais leves para delitos relacionados às drogas e 3) adoção de penas alternativas (como liberdade vigiada) em alguns casos.

Com uma política semelhante, a superpopulação carcerária no Brasil e em outros países poderia ser bastante atenuada. O exemplo sueco deixa claro, mais uma vez, que a questão da criminalidade é, sim, social. Ninguém nasce malvado, não existe o que popularmente é chamado de sangue ruim.

Na Suécia, 112º país do mundo em população carcerária, são 4.852 presidiários para 9,5 milhões de habitantes –51 para cada 100 mil habitantes. No Brasil, que tem a 4ª maior população carcerária do mundo, são 584.003 detentos, ou 274 por 100 mil habitantes.

E olha que a reportagem nem entra no mérito de que naquele país nórdico toda população têm acesso a serviços públicos de qualidade (educação, saúde, cultura etc) e que lá os direitos humanos são levados a sério pelos governantes.

Acreditar que não há ligação entre a questão social e o número de presos em um país é acreditar que há pessoas mais propensas para o mal. Ou que quem nasce abaixo da linha do Equador é mais malandro ou algo que o valha.

Isso sem falar na questão moral. Insuflada pelos Datenas da vida, boa parte da população acha que mesmo quem cometeu um crime leve tem de amargar longos períodos encarcerados em condições sub-humanas. E grita contra qualquer investimento na ressocialização de detentos –“pra quê gastar dinheiro com bandido?”.

O que o autoproclamado “cidadão de bem” precisa entender é que a melhor opção para a segurança de sua família –e para um mundo melhor— é o modelo sueco, e não a manutenção das prisões brasileiras tais como estão hoje.


Fonte: Carta Capital

Artigo - Charlie Hebdo: Uma reflexão difícil

Por: Boaventura de Sousa Santos*

O crime hediondo que foi cometido contra os jornalistas e cartoonistas do Charlie Hebdo torna muito difícil uma análise serena do que está envolvido neste ato bárbaro, do seu contexto e seus precedentes e do seu impacto e repercussões futuras. No entanto, esta análise é urgente, sob pena de continuarmos a atear um fogo que amanhã pode atingir as escolas dos nossos filhos, as nossas casas, as nossas instituições e as nossas consciências. Eis algumas das pistas para tal análise.

A luta contra o terrorismo, tortura e democracia. Não se podem estabelecer ligações diretas entre a tragédia do Charlie Hebdo e a luta contra o terrorismo que os EUA e seus aliados têm vindo a travar desde o 11 de setembro de 2001. Mas é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muito milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e têm sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. E também é sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune. Perante isto, devemos refletir se o caminho para travar a espiral de violência é continuar a seguir as mesmas políticas que a têm alimentado como é agora demasiado patente. A resposta francesa ao ataque mostra que a normalidade constitucional democrática está suspensa e que um estado de sítio não declarado está em vigor, que os criminosos deste tipo, em vez de presos e julgados, devem ser abatidos, que este facto não representa aparentemente nenhuma contradição com os valores ocidentais. Entramos num clima de guerra civil de baixa intensidade. Quem ganha com ela na Europa? Certamente não o partido Podemos em Espanha ou o Syriza na Grécia.

A liberdade de expressão. É um bem precioso mas tem limites, e a verdade é que a esmagadora maioria deles são impostos por aqueles que defendem a liberdade sem limites sempre que é a “sua” liberdade a sofrê-los. Exemplos de limites são imensos: se em Inglaterra um manifestante disser que David Cameron tem sangue nas mãos, pode ser preso; em Franças, as mulheres islâmicas não podem usar o hijab; em 2008 o cartoonista Maurice Siné foi despedido do Charlie Hebdo por ter escrito uma crónica alegadamente antissemita. Isto significa que os limites existem, mas são diferentes para diferentes grupos de interesse. Por exemplo, na América Latina, os grandes media, controlados por famílias oligárquicas e pelo grande capital, são os que mais clamam pela liberdade de expressão sem limites para insultar os governos progressistas e ocultar tudo o que de bom estes governos têm feito pelo bem-estar dos mais pobres. Aparentemente, o Charlie Hebdo não reconhecia limites para insultar os muçulmanos, mesmo que muitos dos cartoons fossem propaganda racista e alimentassem a onda islamofóbica e anti-imigrante que avassala a França e a Europa em geral. Para além de muitos cartoons com o Profeta em poses pornográficas, um deles, bem aproveitado pela extrema-direita, mostrava um conjunto de mulheres muçulmanas grávidas, apresentadas como escravas sexuais do Boko Haram, que, apontando para a barriga, pediam que não lhes fosse retirado o apoio social à gravidez. De um golpe, estigmatizava-se o islão, as mulheres e o estado de bem-estar social. Obviamente, que, ao longo dos anos, a maior comunidade islâmica da Europa foi-se sentindo ofendida por esta linha editorial, mas foi igualmente imediato o seu repúdio por este crime bárbaro. Devemos, pois, refletir sobre as contradições e assimetrias na vida vivida dos valores que alguns creem ser universais.

A tolerância e os “valores ocidentais”. O contexto em que o crime ocorreu é dominado por duas correntes de opinião, nenhuma delas favorável à construção de uma Europa inclusiva e intercultural. A mais radical é frontalmente islamofóbica e anti-imigrante. É a linha dura da extrema direita em toda a Europa e da direita, sempre que se vê ameaçada por eleições próximas (o caso de Antonis Samara na Grécia). Para esta corrente, os inimigos da civilização europeia estão entre “nós”, odeiam-nos, têm os nossos passaportes, e a situação só se resolve vendo-nos nós livres deles. A pulsão anti-imigrante é evidente. A outra corrente é a da tolerância. Estas populações são muito distintas de nós, são um fardo, mas temos de as “aguentar”, até porque nos são uteis; no entanto, só o devemos fazer se elas forem moderadas e assimilarem os nossos valores. Mas o que são os “valores ocidentais”? Depois de muitos séculos de atrocidades cometidas em nome destes valores dentro e fora da Europa–da violência colonial às duas guerras mundiais–exige-se algum cuidado e muita reflexão sobre o que são esses valores e por que razão, consoante os contextos, ora se afirmam uns ora se afirmam outros. Por exemplo, ninguém põe hoje em causa o valor da liberdade, mas já o mesmo não se pode dizer dos valores da igualdade e da fraternidade. Ora, foram estes dois valores que fundaram o Estado social de bem-estar que dominou a Europa democrática depois de segunda guerra mundial. No entanto, nos últimos anos, a proteção social, que garantia níveis mais altos de integração social, começou a ser posta em causa pelos políticos conservadores e é hoje concebida como um luxo inacessível para os partidos do chamado “arco da governabilidade”. A crise social causada pela erosão da proteção social e pelo aumento do desemprego, sobretudo entre jovens, não será lenha para o fogo do radicalismo por parte dos jovens que, além do desemprego, sofrem a discriminação étnico-religiosa?

O choque de fanatismos, não de civilizações. Não estamos perante um choque de civilizações, até porque a cristã tem as mesmas raízes que a islâmica. Estamos perante um choque de fanatismos, mesmo que alguns deles não apareçam como tal por nos serem mais próximos. A história mostra como muitos dos fanatismos e seus choques estiveram relacionados com interesses económicos e políticos que, aliás, nunca beneficiaram os que mais sofreram com tais fanatismos. Na Europa e suas áreas de influência é o caso das cruzadas, da Inquisição, da evangelização das populações coloniais, das guerras religiosas e da Irlanda do Norte. Fora da Europa, uma religião tão pacífica como o budismo legitimou o massacre de muitos milhares de membros da minoria tamil do Sri Lanka; do mesmo modo, os fundamentalistas hindus massacraram as populações muçulmanas de Gujarat em 2003 e o eventual maior acesso ao poder que terão conquistado recentemente com a vitória do Presidente Modi faz prever o pior; é também em nome da religião que Israel continua a impune limpeza étnica da Palestina e que o chamado califado massacra populações muçulmanas na Síria e no Iraque. A defesa da laicidade sem limites numa Europa intercultural, onde muitas populações não se reconhecem em tal valor, será afinal uma forma de extremismo? Os diferentes extremismos opõem-se ou articulam-se? Quais as relações entre os jihadistas e os serviços secretos ocidentais? Por que é que os jihadistas do Emirato Islâmico, que são agora terroristas, eram combatentes de liberdade quando lutavam contra Kadhafi e contra Assad? Como se explica que o Emirato Islâmico seja financiado pela Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Turquia, todos aliados do Ocidente? Uma coisa é certa, pelo menos na última década, a esmagadora maioria das vítimas de todos os fanatismos (incluindo o islâmico) são populações muçulmanas não fanáticas.

O valor da vida. A repulsa total e incondicional que os europeus sentem perante estas mortes devem-nos fazer pensar por que razão não sentem a mesma repulsa perante um número igual ou muito superior de mortes inocentes em resultado de conflitos que, no fundo, talvez tenham algo a ver com a tragédia do Charlie Hebdo? No mesmo dia, 37 jovens foram mortos no Yemen num atentado bombista. No verão passado, a invasão israelita causou a morte de 2000 palestinianos, dos quais cerca de 1500 civis e 500 crianças. No México, desde 2000, foram assassinados 102 jornalistas por defenderem a liberdade de imprensa e, em Novembro de 2014, 43 jovens, em Ayotzinapa.

Certamente que a diferença na reação não pode estar baseada na ideia de que a vida de europeus brancos, de cultura cristã, vale mais que a vida de não europeus ou de europeus de outras cores e de culturas assentes noutras religiões ou regiões. Será então porque estes últimos estão mais longe dos europeus ou são pior conhecidos por eles? Mas o mandato cristão de amar o próximo permite tais distinções? Será porque os grande media e os líderes políticos do Ocidente trivializam o sofrimento causado a esses outros, quando não os demonizam ao ponto de fazerem pensar que eles não merecem outra coisa?


* Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documentação 25 de Abril, e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa – todos da Universidade de Coimbra.


Fonte: Portal Sul21

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