segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Artigo - CCXP x Pânico e o humor que ninguém mais tolera


Por: Bruno Carvalho*

Não foi com surpresa que li ontem o relato de uma cosplayer sobre as ofensas que recebeu do programa Pânico na Band. Outrora um programa com sua dose de irreverência, bons comediantes e até mesmo um roteiro mais inteligente, a atração virou nos últimos anos uma mescla do que a TV brasileira já teve de mais repugnante. Comportando-se como adolescentes que viviam na porta da escola importunando os colegas e que nunca cresceram, os meninões Emílio Surita e Bola comandam hoje uma trupe de pessoas despreparadas para lidar com outros seres-humanos numa sociedade que aprendeu a duras penas a não tolerar mais certos tipos de comportamento.

O que aconteceu durante a ~cobertura deles da Comic Con Experience não é nada diferente do que eles aprontam com os outros em porta de eventos, shows, desfiles etc. É um festival de misoginia, desrespeito, homofobia e racismo. Um dos quadros recentes trouxe até mesmo um lamentável uso de blackface, prática teatral do século 19 que hoje é extinta por razões óbvias (e que só é empregada na atualidade quando se faz crítica ou sátira social, o que não foi o caso). Há muito tempo eles passaram a confundir irreverência com o direito de fazer o que dá na telha em busca de dígitos de audiência. Acham que a liberdade de expressão é liberdade de ofensa e assim seguem achando que estão acima dos outros.

Além da lambida à cosplayer que foi o estopim de tudo, os atores presentes (que desconheço quem são) desrespeitaram uma oriental, inseriram uma vinheta com outro decadente humorista dizendo o bordão “bichona” ao entrevistarem um rapaz, assediaram uma mãe ao lado de sua filha e insistiram na piada do “nerd virjão” durante todo o deplorável segmento. Incapazes de criar uma só esquete que funciona, apelam para o que há de mais pedestre na tentativa de arrancar risadas de um público acéfalo: a ofensa barata construída em cima de preconceitos datados.

Felizmente, a organização da CCXP agiu de forma exemplar e rápida. Após o programa exibido no domingo, todas as redes do Omelete Group amanheceram com uma Carta de Repúdiomerecida a este comportamento que não pode mais prosperar. Não só isso, o Pânico na Band foi sumariamente banido de todos os eventos promovidos pela empresa.

Não cabe mais tolerar a perpetuação deste tipo de comportamento, ainda mais em rede nacional. O exemplo dado pela organização da CCXP deveria ser seguido por todos os promotores de eventos, festas e shows que credenciam esse tipo de gente para cobertura.

Procuramos a assessoria do Pânico na Band, que não se manifestou sobre o caso.


* Bruno Carvalho é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil!


Fonte: Blog Ligado em Série

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes