domingo, 15 de novembro de 2015

Taxa de agressões a mulheres no RN é a maior do Brasil, diz Mapa


A história da adolescente Kassia Fabíola, de 14 anos de idade, assassinada no sábado passado, ilustra a realidade agressiva enfrentada pelas mulheres no Rio Grande do Norte. De acordo com o Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil, em 2013, dado mais recente da pesquisa, 79.708 mulheres foram vítimas de agressões de pessoas conhecidas. O levantamento é de responsabilidade da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), e foi divulgado ontem.

O número representa 6,2% da população feminina potiguar. É a maior taxa de todo o Brasil. Ainda segundo o levantamento, se forem levadas em consideração agressões de pessoas conhecidas e desconhecidas, esse índice sobe para 120.060 casos, 9,3% do total de mulheres do estado. Também é a maior taxa nacional.

O Mapa da Violência também mostra também os altos indicadores de homicídios femininos no Rio Grande do Norte e no Brasil. Em 2013, 13 mulheres foram mortas por dia no país, em média, um total de 4.762 homicídios.

O estado teve o 2º maior crescimento do Nordeste desses assassinatos em números absolutos. O salto foi de 32 em 2003 para 89 em 2013.

Foi o 4º maior crescimento da taxa de homicídios de mulheres por 100 mil habitantes, 146,1%. Natal teve o maior crescimento entre as capitais nordestinas, saindo de 8 para 29 ocorrências no período pesquisado. A taxa por 100 mil habitantes passou de 2 para 6,6, o maior aumento entre as capitais do Brasil na década 2003 a 2013.

Para Mariana Ceci, coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres no meio estudantil e coordenadora de Mulheres do DCE-UFRN, o aumento nos índices mostra inclusive que mais mulheres estão denunciando os abusos que sofreram. “No entanto, nós do movimento feminista temos plena consciência de que os dados não representam 100% a realidade das mulheres no Estado: muitas, em função da nossa cultura que culpabiliza a vítima e naturaliza a violência contra a mulher, ainda não denunciam”, opina.

De acordo com o Mapa, as mulheres morrem seis vezes mais por estrangulamento ou sufocação do que os homens. O estudo também traz a informação de que são as negras as mulheres que mais são vítimas dos assassinatos.

Nos números gerais do país, as taxas de homicídio de brancas caíram na década analisada de 3,6 para 3,2 por 100 mil habitantes, queda de 11,9%. Enquanto isso, as taxas entre as mulheres e meninas negras cresceram de 4,5 para 5,4 por 100 mil habitantes, aumento de 19,5%. Com isso, a vitimização de negras, que era de 22,9% em 2003, aumentou para 66,7% em 2013.

No RN, o número de mulheres brancas assassinadas subiu de 14 para 19 no período analisado, um acréscimo de 35,7%. O aumento de assassinato contra mulheres negras foi de 16 para 59, acréscuimo de 268,8%, o 3º maior do país.

“A situação das mulheres negras mostra como é necessário que façamos os recortes quando tratamos do enfrentamento à violência contra a mulher. A maior parte da população brasileira pobre é negra e, dessa população, a maioria é composta de mulheres”, enfatiza Mariana Ceci.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Novo Jornal

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