segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Mulheres que fizeram história - Angélique Namaika, a freira congolesa vence prêmio de agência da ONU para refugiados


O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) anunciou nesta terça-feira (17) a ganhadora do Prêmio Nansen 2013: uma freira congolesa que atua na região nordeste da República Democrática do Congo (RDC) ajudando milhares de mulheres que são vítimas da brutal violência sexual e de gênero praticada pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) e outros grupos.

Líder do Centro para Reintegração e Desenvolvimento, a Irmã Angélique Namaika já ajudou a transformar a vida de mais de duas mil mulheres e meninas que foram abusadas e forçadas a deixar suas casas. A maioria destas mulheres protagonizam histórias de sequestro, trabalho forçado, espancamento, assassinato e outras violações de direitos humanos. Muitas vezes elas ainda são isoladas e discriminadas por seus próprios familiares e comunidades devido à violência que sofreram.

O trabalho feito por Namaika é fundamental para a recuperação dos traumas na vida dessas meninas e mulheres. É preciso um cuidado especial para conseguir que elas curem suas feridas e reconstruam suas vidas. Através de atividades que geram renda, a Irmã Angélique ajuda essas mulheres a começarem um pequeno negócio ou a voltarem para a escola. Os depoimentos das mulheres atendidas pela Irmã transmitem o efeito do trabalho da freira em promover uma mudança em suas vidas, já que muitas delas a chamam de “mãe”.

“É muito difícil imaginar o sofrimento das mulheres e meninas vítimas do LRA, pois elas guardarão as cicatrizes desta violência por toda a vida”, disse a Irmã Angélique Namaika. Segundo ela, o prêmio “ajudará mais pessoas deslocadas em Dungu a recomeçarem suas vidas. Jamais vou parar de fazer tudo o que estiver ao meu alcance para dar-lhes esperança e uma chance de viver de novo”.

Em 2009 a irmã Angélique também foi vítima da violência do LRA e foi obrigada a deixar sua casa e se deslocar de Dungu, onde morava. Parte da sua motivação vem do seu próprio sofrimento.

“A vida destas mulheres foi destruída pela brutal violência do deslocamento. A Irmã Angélique prova que uma única pessoa pode fazer uma enorme diferença na vida das famílias separadas pela guerra. Ela é uma verdadeira heroína humanitária”, disse o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres.

A Irmã Angélique Namaika receberá a Medalha e o Prêmio Nansen de Refugiados no dia 30 de setembro em uma cerimônia em Genebra. O evento contará com um discurso do escritor brasileiro Paulo Coelho, apresentações da cantora e compositora inglesa Dido, da cantora e compositora malaia Yuna e dos músicos malineses Amadou e Mariam, indicados ao Grammy.

Após a cerimônia, a Irmã Angélique viajará a Roma, onde sera recebida no Vaticano pelo Papa Francisco no dia 2 de outubro, antes de seguir para Paris, Bruxelas e Oslo para outros encontros.



Fonte: ONU

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