domingo, 15 de novembro de 2015

‘Corrupção mundial move 3 trilhões de dólares’, destaca representante da ONU em São Paulo


“É preciso entender que há sempre um ser humano por trás da corrupção. No final, haverá uma criança sem merenda na escola, uma pessoa sem remédios no hospital, uma mulher vítima de violência sexual sem atendimento. Portanto, este é o momento de lutar contra ela”, afirmou a chefe do setor de Anticorrupção e Transparência do Pacto Global da ONU, Olajobi Makinwa, durante o workshop “Avaliação de riscos de corrupção”, que aconteceu entre os dias 28 e 29 de outubro, em São Paulo.

Organizado pela Rede Brasileira do Pacto Global, em parceria com a Deloitte, o evento contou com o apoio da Braskem, Grupo Libra e Itaipu Binacional. Para um público de 80 líderes de mercado, a especialista nigeriana explicou que a definição de “corrupção” – uso indevido de um poder confiado, quase sempre motivado pela ganância – se aplica não só a políticos e a funcionários públicos, mas também às principais dirigentes de companhias. Muitas empresas acreditam que o governo é quem rouba, que pede suborno, que pratica extorsão e que elas são sempre vítimas. Mas, muitas vezes, são elas que instigam este suborno”.

A representante do Pacto Global destacou que a corrupção corresponde a 3 trilhões de dólares ou 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, onerando em 10% o custo dos negócios no mundo. “Com base nos dados de 2014, os custos de corrupção na União Europeia são de pelo menos 120 bilhões de euros por ano”, acrescentou. Em relação ao suborno, ela comentou que o Banco Mundial estima perdas globais de 1 trilhão de dólares ao ano.

Além dos custos financeiros, a corrupção traz, segundo a especialista, outras grandes perdas. “A reputação, que foi construída durante muitos anos, pode ser perdida rapidamente, com consequências a longo prazo. Os profissionais não querem trabalhar em empresas corruptas, os investidores perdem o interesse nelas e se instaura um efeito cascata. O caso da Petrobras é um exemplo disso, pois envolveu políticos e afetou o investimento estrangeiro no Brasil. Portanto, a integridade é hoje o melhor investimento”, contou.

Ela ressaltou a importância da avaliação de riscos de corrupção nas empresas e governos e a adoção de medidas cabíveis. “Nesse sentido, a legislação brasileira, como a Lei da Empresa Limpa (12.846/13), tem contribuído muito”, disse, lembrando que a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada em 2005 e ratificada em 2006 pelo Brasil, é um acordo universal e eficiente para o combate à corrupção.

Entre 100 a 240 bilhões de dólares são sonegados mundialmente por ano, afirma representante da ONU

Os países perdem entre 100 a 240 bilhões de dólares em receitas fiscais de renda globais sonegadas anualmente, destacou o presidente do Conselho Econômico e Social (ECOSOC), Oh Joon, nesta quarta-feira (11), durante o Segundo Comitê da Assembleia Geral das Nações Unidas. No maior fórum mundial de discussões econômicas e financeiras, o representante da ONU enfatizou a necessidade de frear a evasão de taxas e pediu por uma cooperação fiscal internacional mais intensa para solucionar a questão.

O tema da reunião foi “Recursos de mobilização doméstica: para onde ir depois de Adis?”, em referência à Agenda de Ação Adis Abeba, instrumento financeiro que serve de base para líderes mundiais implementarem a Agenda de 2030 de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e na qual se comprometeram a melhorar a efetividade e capacidade operacional do Comitê de Tributação da ONU.

“A tributação representa uma fonte estável e previsível de finanças. Complementada por outras fontes, é fundamental para o desenvolvimento financeiro e para a provisão de benefícios públicos e serviços”, afirmou Oh, destacando que os países em desenvolvimento são os mais prejudicados pela sonegação de impostos, já que precisam de mais investimentos.

O presidente do ECOSOC explicou que o cenário financeiro mundial contribui para brechas no pagamento de impostos pelo fato de os modelos de negócios serem mais internacionais e por isso dependerem de cadeias de valores menos tangíveis. Oh Joon anunciou que o Comitê de Tributação passará a reunir-se duas vezes ao ano e aumentará seu vínculo com o ECOSOC para garantir uma melhor resposta aos desafios fiscais internacionais.


Fonte: ONU

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