segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Artigo - Você tem Pistantrofobia?


Por: Carlos Mion

Difícil de acreditar, mas aconteceu. Você perdeu. Desistiram de você. Não quiseram mais. Parece que não tem mais volta. Você sofre, sofre, e depois de um longo tempo se recuperando, percebe que não sente mais confiança em iniciar um relacionamento sério com mais ninguém. Parece que a qualquer momento pode acontecer tudo de novo, e esse receio faz você se afastar de qualquer um que demonstre intenção em namorar. Sim, você é pistantrofóbico. Mas o que fazer quando se tem pistantrofobia?

Quem sofre de pistantrofobia tem medo de confiar nas pessoas por ter tido experiências negativas no passado. Mas é importante salientar que esse medo é exagerado, e não qualquer receio bobo. O que fazer então para se libertar desse sentimento ruim que impede você de ter novos relacionamentos saudáveis?

O primeiro passo é aceitar a realidade. Nem todo mundo aceita. Não é fácil. É preciso tempo. E geralmente passamos por altos e baixos. Recaídas, revolta, negação, ansiedade, sentimentos de depressão, e por fim, se tudo der certo, a aceitação. Mas mesmo com ela, mesmo aceitando que não há mais o que fazer, às vezes surge um trauma. E a simples ideia de acontecer tudo de novo faz com que evitemos qualquer outro relacionamento. Aceitar, acima de tudo, é admitir determinada realidade. Compreender que independentemente de qualquer ação nossa, o estado de fato não mudará. Mas admitir não significa necessariamente concordar. Não é porque você admitiu que levou um pé na bunda de alguém que você concorda com isso. Você pode continuar inconformado com a situação, mas se a aceita, declara para si mesmo que reconhece o “status atual” de relacionamento.

Muitas pessoas até conseguem reconhecer esse “status atual” depois de algum tempo, mas o maior problema está na tentação em negar a realidade. Se você aceita que terminaram um relacionamento com você, é preciso aceitar a realidade e suas consequências. Não precisa concordar, talvez a pessoa tenha sido injusta, ingrata, incoerente, mas acabou. Aceitar e se livrar do hábito de negar que está tudo diferente de como sempre foi. Esse tipo de atitude que cria traumas desnecessários na sua vida. Quanto mais você nega a realidade, mais estresse sobre tal fato você cria. Quanto mais você vive na “não-aceitação” mais dor você sente. É preciso uma reação radical para se livrar disso. Aceitar a realidade e conviver com suas consequências, independente de quem era a pessoa amada.

E o que mais posso fazer para me “livrar das garras desse amor gostoso”? A tarefa não é simples, mas há outro caminho que deve ser seguido juntamente com a aceitação da realidade: resistir a dor em vez de fugir dela. Você só consegue superar o rompimento de uma relação amorosa se aceitar que sentirá dor emocional, mas que isso é normal e que você superará em algum momento. Aguente firme! Não fuja! Se fizer isso, sofrerá por alguns dias, mas encontrará a liberdade em seguida. O vencedor nem sempre é aquele que sai por cima. Mas normalmente quem sofre primeiro é aquele que foi deixado para trás. Eu disse sofre primeiro, e não sofre mais ou sofre para sempre. Não importa quem você seja, se aceita que perdeu, você se liberta, e preserva o amor que um dia existiu.

Outra forma de acelerar a passagem do sentimento de perda é perdoar. Fazendo isso você sente menos raiva, menos rancor, menos inquietação mental. Se você aceita e perdoa você se liberta das sensações vinculadas ao término do relacionamento e fica mais leve. Mas perdoar não é fácil e precisa ser praticado desde já. São poucos os que aprendem a perdoar, e consequentemente poucos os que aproveitam os benefícios desse ato. Perceba que perdoar não é declarar que a outra pessoa é isenta de culpa, mas sim que você mesmo sabendo da culpa do outro, releva e desconsidera o erro, aceita. O maior beneficiado disso, acredite, é você. Portanto reconhecer as fraquezas humanas em outra pessoa ajuda e muito a sua aceitação da realidade. Quer se livrar do ódio que sente e da raiva que impera dentro de você? Perdoe.

Aceitando a realidade, resistindo à dor e perdoando uma possível conduta injusta da outra pessoa, possibilita a você evitar traumas que podem criar uma pistantrofobia futura. Quer coisa pior do que perder a chance de conhecer uma pessoa interessante simplesmente pelo fato de temer ser abandonado novamente?

Suas experiências negativas passadas não podem afetar tanto a sua vida presente a ponto de impedir que você seja feliz novamente como já foi um dia.


Fonte: Site do Carlos Mion

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