segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Artigo - Eu escolhi não ter filhos e o dinheiro foi o principal motivo


Por: Bonnie Gayle

Na nossa série Money Mic decidimos dar espaço para pessoas com opiniões controversas falem sobre o dinheiro. Essas são as suas opiniões, não as nossas, mas convidamos todos vocês a responderem.

Hoje Bonnie Gayle conta como a sua decisão de não ter filhos permitiu seu sucesso na carreira e nas finanças - e porque ela não se arrepende disso.

Hoje em dia, a maioria dos que estão com 50 e poucos anos estão gastando suas economias para pagar a universidade dos filhos.

E mais um bocado está pagando o casamento deles, cuidando dos netos ou apoiando as crianças da geração milênio que voltam para o ninho.

Eu? Digamos que minha vida não se encaixe exatamente nesse modelo típico.

Há muitos anos eu decidi não ter filhos para que eu pudesse me dedicar a construir uma carreira sólida e aumentar a minha renda. A escolha - que parece fora do normal para alguns - me trouxe felicidade e sucesso financeiro.

Aos 51, meu negócio contábil tem faturamento de seis dígitos e eu tenho todo o tempo do mundo para explorar as minhas paixões e viver o que eu considero ser a melhor vida que eu poderia ter.
Se eu tivesse ficado presa a todas as coisas, desde fraldas até as mensalidades escolares, não seria possível aproveitar a minha vida atual.

Muitas mulheres sentem um chamado especial para serem mães. Acho que isso é incrível - o mundo precisa de mais mães dedicadas e carinhosas.

Eu simplesmente não faço parte desse grupo.

Eu sempre soube que ser mãe não era para mim

Quando eu tinha uns 9 anos -- e testava a paciência da minha mãe --ela disse algo que a maioria das mães se pegam dizendo em certos momentos: "Espero que você tenha filhos iguais a você quando crescer", disse rindo.

Eu me lembro de pensar, até mesmo nessa época, que eu não queria ser mãe.

Quando eu comuniquei isso a minha mãe, ela me garantiu que eu mudaria de ideia ao ficar mais velha.

Mas eu não mudei.

Quando completei 20 anos eu tinha certeza que ser mãe não era para mim. A explicação mais curta era que eu não tinha aquela vontade maternal de ter filhos.

Além do mais, meu desejo de independência e autodescoberta parecia compensar mais do que a atração de ter filhos. Eu também ficava meio nervosa sobre a enorme responsabilidade que seria educá-los.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que as minhas finanças também não cumpriram um papel importantíssimo nessa decisão. Eu cresci num bairro estável e de classe média de Los Angeles, em San Fernando Valley-- e a minha ética profissional foi sendo formada desde cedo.

Quando era adolescente, se eu quisesse ir ao shopping mais vezes ou ter mais dinheiro para gastar me divertindo, isso significava que teria que realizar trabalhos de babá ou de outro tipo depois da escola para ter condições de fazer isso.

Dessa forma, eu comecei a trabalhar e gastar o que ganhava. E eu adorava isso.

No final dos anos 80 eu me formei no Instituto de Moda e Publicidade com um diploma em propaganda/marketing de moda e depois passei boa parte dos meus 20 e poucos anos tentando descobrir o que exatamente eu queria da minha carreira.

Um bico como assistente pessoal me fez perceber que eu levava jeito para a contabilidade, então eu comecei a ter os meus próprios clientes.

Aos 28, eu iniciei o meu próprio negócio.

Desde então a minha empresa cresceu rapidamente e requeria que eu trabalhasse muitas noites até tarde e que eu realizasse alguns sacrifícios pessoais, como desistir dos finais de semana e feriados para construir meu negócio.

Eu me joguei por inteiro no início, conquistando novos clientes, contratando e treinando pessoal e polindo as minhas habilidades.

Mesmo que eu quisesse ter filhos nessa época a logística teria sido bem complicada.
Eu também gostava de passar tempo com minhas amigas sem ter que me preocupar em estar em casa para os filhos.

Eu percebia que elas se realizavam com suas famílias, mas estava claro para mim que eu não sentiria o mesmo se fosse mãe.

Isso não quer dizer que a minha decisão de não ter filhos não fosse ter um custo bem real na minha vida pessoal.

Embora eu quase tivesse casado em vários momentos da minha vida, eu nunca puxei o gatilho. Eu sempre fui bem direta no início dos meus relacionamentos dizendo que não queria ter filhos - no entanto, vários namorados mais sérios achavam que eu mudaria de ideia quando me apaixonasse, causando uma enorme decepção amorosa em mais de uma ocasião.

E apesar de os meus pais não entenderem a minha decisão de não ter filhos, estar solteira ainda o que mais os deixa perplexos. Minha mãe continua a me forçar a "diminuir os meus padrões " para que eu encontre um marido.

A verdade é que eu sempre estive aberta para a ideia de casamento -eu só não achei a pessoa certa ainda.

Sinceramente, eu não me arrependo de nada

Como esperado, a minha escolha de não ser mãe trouxe uma tremenda liberdade financeira.

Além do meu negócio estar indo a todo vapor, eu posso investir mais intensamente em um projeto paralelo, no qual eu tenho uma verdadeira paixão -ajudando as mulheres a navegarem com as mudanças hormonais da meia idade.

Atualmente esse é um projeto apaixonante que não dá dinheiro ainda, mas é um investimento que eu acredito valer muito. Se eu tivesse filhos para criar, não poderia de forma alguma ter gasto como gastei com um negócio desse tipo.

Não ter filhos também me permitiu investir em mim mesma, em um nível mais profundo -com coisas que me fazem feliz.

Eu adoro frequentar spas com minhas amigas e gosto muito de participar em retiros de mulheres e seminários de crescimento pessoal, o que tem ajudado muito esse novo negócio.

Aos 50, a aposentadoria é algo que obviamente está bem presente. Uma jogada inteligente que eu fiz com o meu dinheiro em 2005 foi comprar uma casa de três quartos em Austin.

É um investimento imobiliário localizado em uma área que tem futuro e que eu atualmente alugo para ter uma renda extra.

A esta altura eu já reservei uns 125 mil dólares para a minha aposentadoria. Meu plano é continuar investindo nos meus negócios nos próximos dois anos para depois começar a reservar mais dinheiro para a aposentadoria.

Enquanto isso acontece, eu tenho bem pouca dívida (menos de mil dólares no cartão de crédito) e 10 mil em economia para emergências. E seu eu tivesse que fazer uma estimativa, eu diria que o meu negócio de contabilidade vale entre 500 mil e 700 mil dólares.

Se parece que eu não pensei muito sobre a decisão de ter filhos, não é bem assim. Não foi uma decisão que eu tomei sem levar tudo bem a sério.

Ao contrário, foi algo que levou bastante tempo e muita análise da minha parte.

Quando eu tinha 40 anos eu estava em um relacionamento sério e pensei que pudesse dar em casamento -mas ele queria muito ter filhos. Então eu perguntei a mim mesma se eu estava sendo muito rígida sobre toda essa história de ter um bebê.

No fim, eu não consegui justificar trazer uma pessoa ao mundo se eu não estivesse realmente a fim, e a relação acabou.

Não é que eu não goste de crianças -eu tenho sido abençoada de ter crianças maravilhosas na minha vida.

Minha sobrinha e meu sobrinho me dão muita alegria e eu adoro passar tempo com eles e ver eles crescerem.

No fim, não ter filhos foi a decisão pessoal e financeira mais inteligente e certa para mim. Eu segui o meu coração e escutei a minha intuição e eu realmente gosto de ser quem eu sou agora.

Em vez de investir em uma família, eu investi em mim mesma--e o retorno no investimento tem valido muito a pena.


Fonte: BrasilPost / Site LearnVest

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