domingo, 11 de outubro de 2015

Projeto aumenta renda de mulheres negras de comunidades do Rio


Elas costuram, cozinham, dão oficinas e participam de eventos onde vendem seus produtos, ensinam a amarrar turbantes e falam sobre identidade cultural. Essas são algumas das atividades do projeto Nêga Rosa, desenvolvido em sete territórios do Rio de Janeiro e que atende diretamente a 240 mulheres nas comunidades da Mangueira, Barreira do Vasco, Chatuba de Mesquita, Arará, Jacarezinho, Manguinhos e Tuiuti.

De acordo com a coordenadora do projeto, Érica Portilho, trabalhando o empoderamento feminino por meio do empreendedorismo e da valorização da identidade, mulheres negras em situação de vulnerabilidade social, ex-presas, mães solteiras e portadoras de necessidades especiais conseguiram passar de uma renda mensal per capita de R$ 450 para R$ 1.500.

Para participar do projeto, as interessadas têm de preencher uma ficha. “A partir disso nós fazemos uma seleção. As outras ficam em um banco de espera. Mas, como nós temos várias atividades abertas, elas também acabam participando e, se houver alguma desistência, elas vão sendo encaixadas e a gente vai conseguindo parcerias em outros territórios”, destaca a coordenadora.

Érica explica que a ideia é disseminar o máximo possível o conhecimento passado pelo projeto, que já recebeu prêmio da Fundação Banco do Brasil, do Favela Criativa. “Se a gente conseguiu desenvolver uma tecnologia social que foi reconhecida por uma fundação tão importante, a gente acha que ela deve ser disseminada. A gente vai ao território, faz uma prática de uma semana, 20 horas, e aí aquelas mulheres estão prontas para ensinar e multiplicar para outras mulheres.”

Andrea Soares costura, promove oficina de turbante e também participa da coordenação do Nêga Rosa. Para ela, um dos pontos mais importantes do projeto é o resgate da autoestima da mulher negra da comunidade. “Fazer o resgate da sua cidadania, porque hoje a gente tem dentro da escola o programa do estudo da cultura de uma outra etnia, mas isso não é contemplado, então com isso as crianças da comunidade ficam sem identificação. Então a ideia é trazer essa identificação para as mais velhas para que elas também possam replicar com os seus filhos.”

Uma das participantes do projeto, Vanice Carrera, que costura e cozinha, conta que o Nêga Rosa deu força e motivação para ajudar a superar o câncer que enfrenta há mais de dois anos. “Eu tive um problema de saúde e fiquei muito parada. E isso para mim caiu como uma luva, eu não consigo ficar parada, tem um caldo pra fazer, tem uma compota, um doce para entregar, umas costuras. Para mim tá sendo muito bom, passar para as outras pessoas o que eu aprendi. Estou levando, faço quimioterapia. Isso aqui é o que está me mantendo, é muito bom não parar, [é bom] saber que, mesmo com problema, você continua com forças, está sendo útil, produzindo.”

Érica ressalta que os espaços de trabalho montados pelo projeto, com cozinha e máquinas de costura, também podem ser utilizados pelas mulheres para produzir e fornecer para clientes independentemente do Nêga Rosa. Na Mangueira, por exemplo, onde o trabalho começou há um ano, são feitas faixas de cabelo e chapéus para a loja de souvenir da escola de samba da comunidade.

Segundo a coordenadora, o projeto também está em busca de parcerias na área de comércio eletrônico e em novembro começa a trabalhar com meninas de 12 a 18 anos que cumprem medida socioeducativa no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). No dia 31 de outubro, o projeto Nêga Rosa vai ser anfitrião de uma feira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a Conferência de Juventude, na qual estarão presentes 30 empreendedores do estado do Rio de Janeiro.

Outro trabalho está sendo feito para o Comitê Olímpico Rio 2016. O Nêga Rosa venceu um edital de estamparia e vai fornecer 5 mil almofadas para o alojamento dos atletas. “Foram quatro projetos vencedores. A nossa estampa é uma samambaia do mangue, uma planta da flora brasileira. Atrás da almofada, vem contando a história do projeto, em português e inglês e vai ser uma almofada para os atletas levarem para o mundo inteiro”, destaca Érica.


Fonte: Agência Brasil

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