domingo, 25 de outubro de 2015

O que precisamos saber para não silenciar o estupro


Alice foi estuprada três vezes. Na primeira vez, ainda criança, não sabia direito o que estava acontecendo. Foi um amigo da família que abusou dela - e ameaçou machucá-la caso ela contasse para alguém. Na segunda, aos 20 anos, a violência sexual veio de um ex-namorado. Ele a dopou com um remédio e a moça só acordou no meio do ato. A terceira vez aconteceu com um desconhecido, que a pegou com uma arma no meio da rua, e a estuprou em um terreno baldio.

A história de Alice ilustra perfeitamente a triste realidade do abuso sexual no Brasil - a violência pode vir de dentro de casa, do parceiro íntimo e do estranho na rua. Estima-se que meio milhão de pessoas são estupradas todos os anos no país - e a maior parte desses crimes termina impune, apoiados na vergonha, na culpa e no silêncio que caem sobre as vítimas.

Desde que a SUPER publicou uma capa sobre o assunto, centenas de mulheres corajosas escreveram contando suas histórias. Quase todas ouviram que haviam sido responsáveis pelo crime que sofreram, e muitas tiveram dificuldades em encontrar ajuda depois da violência. Por isso, produzimos essa série de vídeos. A ideia é ajudar as vítimas de estupro e mostrar que a melhor maneira de lutar contra a violência sexual é quebrando o silêncio que a cerca.

No primeiro vídeo, Alice conta sua história:



Se na infância o maior risco de estupro está dentro de casa, na vida adulta o problema maior está na rua. Segundo o IPEA, 60,5% dos crimes são cometidos por desconhecidos. E o problema é que pouquíssimas vítimas procuram ajuda. Na América Latina, o número varia entre 10% e 15%. No caso de Roberta, hoje com 32 anos, o auxílio foi fundamental para que ela retomasse a vida.

Em 2001, Roberta se dirigia ao ponto de ônibus acompanhada de cinco amigas e um amigo quando o grupo foi surpreendido por um homem armado. Após amarrar o amigo de Roberta com corda de varal, o homem estuprou todas as mulheres do grupo simultaneamente. Depois do ocorrido, elas foi em busca de auxílio no hospital Pérola Byington, um Centro de Referência da Saúde da Mulher que fica em São Paulo. Lá, o exame, as medicações e os encaminhamentos psicológicos foram feitos.

Roberta sentiu as consequências do estupro quando descobriu que uma das amigas estava grávida do namorado, mas o tratamento cancelou a gravidez. Veja o relato dela no terceiro vídeo e entenda como e onde a vítima pode buscar ajuda:




Fonte: Revista SuperInteressante

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