domingo, 25 de outubro de 2015

Combate ao aquecimento promete melhorar índices econômicos do Brasil


Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenado pelo professor Luiz Pinguelli Rosa, derruba um dos argumentos mais usuais contra a adoção de políticas para a mitigação dos efeitos da mudança climática: o de que haveria impactos negativos na economia. O estudo, que reuniu informações de mais de 100 especialistas, conclui que a efetiva implementação dos compromissos e metas apresentados à ONU pela presidente Dilma em setembro deve contribuir para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país até 2030, para a geração de empregos e para melhorar a renda das famílias.

“O Brasil tem a opção do desenvolvimento sustentável compatível com a redução das emissões, o que podemos chamar de economia verde. Podemos desenvolver este país, aumentar o número de empregos e a produção ao mesmo tempo em que reduzimos as emissões”, comemora Pinguelli, também secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que reúne órgãos de governo e representantes da sociedade civil.

“Eliminou-se a dualidade estabelecida pelos estudos feitos até aqui, de que haveria um trade off, ou seja, a diminuição do desenvolvimento econômico do país. Estamos mostrando que há caminhos possíveis, em que os índices econômicos e sociais podem melhorar, ao mesmo tempo em que se reduzem as emissões. Isso é um resultado novo, contrastante”.

O professor ressalta que o estudo procurou não recorrer a medidas de difícil implementação. “Buscamos soluções factíveis e compatíveis com o crescimento econômico. São números compatíveis. Não fazemos previsões, são cenários possíveis. Tudo foi pensado tendo em vista a capacidade técnica de realização, inclusive em relação a custos. Mas é preciso haver vontade política, e o discurso da presidente na ONU aponta nesta direção”.

No melhor cenário apontado pelo estudo, em 2030 o PIB brasileiro será 2,46% maior se o governo aplicar novas medidas de mitigação além das apresentadas à ONU, principalmente em relação ao uso de biomassa e de fontes de energia renovável em substituição ao uso de combustíveis fósseis, à recuperação de pastagens e ao reflorestamento de áreas desmatadas. Se o governo cumprir apenas o que está estabelecido no documento de compromissos do Brasil, o PIB será 0,77% maior do que se as medidas não fossem adotadas, de acordo como estudo.


Fonte: Correio Braziliense

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