domingo, 18 de outubro de 2015

Artigo - Por que os homens devem ser considerados o sexo que mais sofre depois de uma separação


Por: Jenna Birch

Os homens têm uma má reputação no departamento amoroso. A sociedade os retrata como o sexo insensível e distante — é por isso que muitos ficaram de ouvidos atentos quando um novo estudo sobre os homens e as separações foi divulgado pela Binghamton University e a University College London em meados deste ano.

Para o estudo, os pesquisadores entrevistaram 5.707 homens e mulheres, com idade média pouco abaixo de 27 anos, em 96 países diferentes. As conclusões: as mulheres sofrem uma maior angústia emocional como consequência da separação, mas os homens precisam de mais tempo para se recuperar.

De fato, os pesquisadores observaram que os homens nunca superam totalmente suas separações. Em vez disso, eles tendem a eventualmente “pular” para a próxima parceira, sem resolver a questão que deu errado na relação anterior. Como o estudo explica os resultados de uma perspectiva evolutiva, os pesquisadores deduziram que isso ocorre porque as mulheres tendem a investir mais em seus relacionamentos do que os homens — porque toda relação em que uma mulher entra, pode levar a uma gravidez de nove meses e muitos anos mais, na criação de uma criança. Seguindo essa linha de pensamento, como as mulheres são programadas para serem seletivas, a perda é mais profunda quando o rompimento envolve um partido de alta qualidade. Por outro lado, como os homens historicamente tiveram que competir pela atenção das mulheres, pode levar mais tempo para eles perceberem o que perderam, descobrirem que não estão encontrando uma mulher que se compare à sua ‘ex’ e que talvez ela seja insubstituível.

De qualquer forma, isso é só uma teoria. Porém, definitivamente há mais coisa envolvida nas separações do que a explicação ancestral, de acordo com a pesquisa e os especialistas na área. E embora o homem de hoje ainda seja biologicamente feito para ser o caçador-provedor da família, o sexo masculino adaptou-se para assumir um papel mais complexo, diz a psicóloga Karla Ivankovich, professora adjunta da Universidade de Illinois, em Springfield.

“No passado, as emoções não serviam a um propósito, para gerar provisões para a família”, diz ela ao Yahoo Health. "Não eram benéficas na realização das coisas. Mas hoje, os homens acabam envolvidos em todas as facetas de uma família: em suas relações, alimentação e criação".

Como nos recuperamos das separações?

Uma série de fatores que geralmente influenciam o impacto de uma separação de casais heterossexual (sobre os quais temos mais pesquisas) não são específicos ao sexo. Não há nenhuma abordagem em massa de como os homens e as mulheres lidam com as separações, diz Art Markman, professor de psicologia e marketing da Universidade do Texas em Austin. “Muitos fatores têm menos a ver com sexo do que com outras tendências comportamentais que estão correlacionados com o sexo”, conta ele ao Yahoo Health.

Um dos mecanismos para lidar com uma separação é entrar em um relacionamento por consolação. O sucesso desse novo relacionamento tem a ver com os recursos e as opções disponíveis, diz a bioantropóloga Helen Fisher, diretora científica do siteMatch. “Um homem que é jovem, muito bonito e rico terá um monte de opções e provavelmente irá se recuperar muito mais rápido do que alguém que não seja assim”, diz ela ao Yahoo Health. O mesmo conceito se aplica às mulheres.

Outros fatores: o quanto você investiu no relacionamento e o quão importante essa relação era para outros aspectos de sua vida (por exemplo, se você queria ter filhos e esperava que esse(a) parceiro(a) fosse pai/mãe da criança). “Se a pessoa souber que está em algo temporário, uma separação não será tão difícil”, observa Marisa T. Cohen, professora assistente do Departamento de Psicologia de St. Francis Collegee cofundadora do Self-Awareness and Bonding Lab.

Então, não há nenhuma dúvida — existem muitas variáveis em jogo para quem passa por uma separação, independentemente do sexo. Mas existem algumas razões pelas quais a separação pode ser mais difícil para um homem, a longo prazo, em comparação com uma mulher, dizem os especialistas. Vamos explorar as teorias.
Teoria nº 1: as mulheres iniciam a maioria das separações

A questão pode não ser “homem versus mulher”, mas quem dá ou leva o fora. De acordo com o estudo de Binghamton, as partes rejeitadas sofreram mais após o relacionamento (embora a dor fosse severa para ambas as partes).

Veja por que isso importa: com mais frequência, é a mulher quem inicia a separação. Isso ocorreu no estudo atual, e Fisher diz que esse também é o caso em sua própria pesquisa. A razão, exatamente, é difícil dizer — especialmente porque, no estudo de Binghamton, o motivo “outros” frequentemente foi selecionado como a causa das separações, mostrando que não há nenhuma razão única e comum aos términos.

“Se as mulheres são quem terminam, então elas já tiveram o tempo necessário para abrirem mão emocionalmente da relação, enquanto ainda estavam nela”, diz Ivankovich ao Yahoo Health. “Então, pode ser por isso que os homens são pegos de surpresa pelas separações — afinal, é sempre uma perda. Não importa se é um falecimento ou a perda de um emprego ou relacionamento, você ainda passa por todas as etapas do luto”.

E encarar o inevitável fim de um relacionamento é decididamente mais fácil quando seu parceiro ainda está por aí, algo ao que ambas as partes, geralmente, não podem se dar ao luxo. “As separações raramente são mútuas”, diz Cohen. “Com base na pesquisa de Diane Vaughan sobre o processo de desacoplamento, o iniciador é a primeira pessoa a expressar o descontentamento com a relação e a querer sair. Ela passa pelo processo de experimentar a vida de solteiro e potencialmente encontrar outro parceiro, sob a base segura da relação”.

Quando o parceiro finalmente fica ciente do fato de que a relação está terminando (ou que acabou), a pessoa é forçada a seguir em frente, abruptamente e sozinha. “Isso torna o processo de cicatrização mais difícil para o parceiro”, diz Cohen. “O iniciador pode adotar estratégias preventivas enquanto ainda está na relação atual, para facilitar a transição de um parceiro para outro, mas o parceiro não pode”.

Cohen diz que há uma boa chance de o iniciador já ter começado a procurar outro relacionamento muito antes de se tornar disponível.
Teoria nº 2: os homens são programados para lidar com as separações de forma diferente que as mulheres (e podem carecer de um sólido sistema de apoio pós-separação)

O estudo de Binghamton olhava para as separações do ponto de vista evolutivo, então vamos fazer o mesmo agora — porque homens e mulheres são programados de formas diferentes. Há muito, eles têm objetivos diferentes para os relacionamentos e diferentes maneiras de lidar com as consequências. Algumas destas estratégias estão mais ou menos entranhadas em nossa psique.

Sob uma perspectiva evolucionista, Ivankovich diz que a mulher, emotiva, muitas vezes enxerga a separação como um problema a ser resolvido, enquanto o homem, que é orientado pela lógica, vê a mesma separação como um problema que já foi solucionado. Assim, o processo emocional de cada um é diferente. Para os homens, a separação é o fim. Para as mulheres, a separação é o início de um maior dilema psicológico.

“Se um homem não tiver opção, porque foi a mulher quem terminou com ele, a forma que ele usa para se adaptar à situação, é seguindo em frente”, diz Ivankovich. “Os homens não são analistas de relacionamentos, então o próximo relacionamento é visto como um recomeço. Como as mulheres estão emocionalmente ligadas aos relacionamentos como quem os nutre, toda vez que as coisas dão errado, a mulher analisa a situação para determinar o que ela poderia, deveria ou teria feito de forma diferente, para então, ser capaz de seguir em frente”.

O que nos leva ao valor de refletir sobre a relação após o término: é eficaz a curto prazo para aprender lições pessoais e solucionar o que levou ao fim da relação, diz Fisher (embora, eventualmente, chegue uma hora em que falar sobre o que deu errado em um relacionamento só impedirá a pessoa de seguir em frente, acrescenta Fisher).

Mas enquanto o problema comum das mulheres seja insistir no assunto mais do que deveriam após uma separação, os homens têm o problema oposto. “Vulnerabilidade não é uma coisa adaptável para os homens”, diz Fisher. “Eles são naturalmente predispostos a sofrer em particular. As mulheres falam demais, os homens provavelmente não falam o bastante”.

Historicamente, os homens não são encorajados a expressar suas emoções para os seus amigos, como as mulheres são com suas amigas. “Se um homem ligasse para seus amigos, chorando pelo fim de um relacionamento, ele seria tratado muito diferentemente do que uma mulher”, diz Cohen.

Além disso, depois da separação, os homens podem procurar seu “esquadrão de apoio” e descobrir que ele não existe. Curiosamente, Markman diz que as mulheres, muitas vezes, têm mais amigos próximos do que os homens e são mais propensas a manter suas amizades quando estão em um relacionamento. Os homens muitas vezes passam menos tempo com seus amigos, o que, em última análise, poderia colocar os caras, que já são menos propensos a se comunicar com seus amigos do que as mulheres, em uma posição ainda pior.

“Quanto mais forte é a rede de contatos de uma pessoa, melhor ela é capaz de lidar com as consequências de um rompimento”, diz Markman. “Então, uma grande razão pela qual os homens muitas vezes têm mais dificuldade do que as mulheres para se recuperarem de uma separação, é porque é preciso mais tempo para reestabelecer os laços sociais que lhes permitam lidar com a dificuldade emocional da separação”.
O término para a geração Y

Os homens da geração Y são emocionalmente mais inteligentes do que seus antepassados, diz Ivankovich. “Eles ‘sentem’ como nenhuma geração antes deles”.

Em conclusão, reconhecer que os homens realmente têm necessidades pós-relacionamento e incentivá-los a acessar essas emoções profundas em vez de ignorá-las, é sempre positivo. “As pessoas que têm dificuldade para falar sobre temas emocionais, terão dificuldade para entender realmente o que aconteceu e o que deu errado”, diz Markman. “Além de ser capaz de superar uma relação em particular, é importante que as pessoas aprendam com as separações para que suas próximas relações sejam melhores e mais fortes. Qualquer pessoa que não lide com uma relação passada, provavelmente cometerá os mesmos erros novamente em um futuro relacionamento”.


Fonte: Yahoo! Vida e Estilo

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