domingo, 25 de outubro de 2015

Artigo - Homens: leiamos e reflitamos sobre #primeiroassedio


Por: Zuni - Plínio

Aconselho todos os homens a pararem de fazer qualquer coisa que estejam fazendo e lerem os depoimentos da hashtag #primeiroassedio. Não comentem as postagens, não tentem demostrar o quanto são diferentes dos estupradores e pedófilos, apenas leiam, reflitam e leiam outra vez.

Não importa se você tem certeza de que nunca assediou uma mulher, pare, leia, respire e pense nos pontos que te aproximam de estupradores e pedófilos. Leia os depoimentos dessas dezenas de milhares de mulheres e, se você se sentir mal, se o estômago doer, se a garganta apertar e você sentir um impulso gigantesco de justificar que você não é um desses caras, entanda, parte disso pode ser empatia, mas boa parte também é culpa, porque mesmo que você nunca tenha sido um estuprador, todos nós aprendemos o passo a passo pra agredir, dominar e silenciar mulheres. Todos nós, homens, temos responsabilidade pelas violências relatadas por essas mulheres, porque todos nós reproduzimos, em alguma instância, comportamentos abusivos. Alguns tipos de abuso são mais sutis e dificeis de perceber do que outros, mas acredite em mim, eles estão lá, e só dando ouvidos às vozes que aprendemos a ignorar será possível perceber quem somos e o que fazemos.

Quando você, colega homem, ler depoimentos sobre meninas que disseram "não" e foram forçadas a algo, lembrem de todas as vezes que nós repetimos que "dizer não é charminho" numa conversa de bar. Quando lerem depoimentos sobre homens que seguem mulheres nas ruas, lambem os lábios e assobiam, lembrem-se de todas as histórias que nos ensinaram a sermos "homens de verdade" imitando lobos. Cada vez que ler um depoimento sobre uma mulher que é chamada de vadia, vaca e vagabunda desde a infância, lembre-se de toda vez que riu de um amgo chamando uma mulher de vaca, vadia e vagabunda. Leia, e sinta culpa pelo que você fez, e sinta responsabilidade pelo que seus amigos, colegas, parentes, políticos, líderes religiosos e ídolos fazem com mulheres. Todos nós somos responsáveis.

Pense nas conversas de vestiário, em todos os porres que você tomou com "os caras" pra falar mal de ex, naquelas vezes em que seu grupo de amigos gritou "gostosa" pra uma mulher passando na rua, e pense que ela foi sua vítima. Pense nos adjetivos que você ouve e repete quando assiste um video pornô. Leia todos os depoimentos sobre violência e lembre de todas as vezes que você levantou a voz, ou quando terminou uma discussão batendo uma porta, chamando ela de louca, e pense em quão fina é a linha que separa você, eu e todos nós dos mosntros dos depoimentos dessas mulheres. Pense em quantas vezes você pediu desculpas por perder o controle, e emendou com "mas é que também...". Isso também é abuso.

Se você sentir raiva, impotência e vergonha ao ler depoimentos de mulheres que falam sobre a raiva, a impotência e a vergonha que sentiram e ainda sentem, respire e leia outro depoimento, outro texto, outra notícia, até encontrar, aceitar e entender as raízes da violência que você pratica, pra poder desconstruí-las. Porque, o melhor que nós, homens, podemos fazer, não é criar novas leis sobre úteros que não nos pertencem, "proteger nossas mulheres" como um homem das cavernas ou discutir com elas sobre o que nós não entendemos. O primeiro passo pra fazer alguma coisa é encontrar e combater o monstro machista que existe em nós. Demora, é um caminho cheio de tropeços, vergonha e pedidos de desculpas, mas é muito melhor do que deixar o monstro dentro de você crescer. E, acredite, ele está aí dentro.


Fonte: Blog DescolonizAções

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