domingo, 27 de setembro de 2015

Estudo revela que uma em cada quatro americanas já sofreu tentativa de abuso sexual durante a faculdade


Uma nova pesquisa, encomendada pela Associação de Universidades Americanas (AAU), revelou que 27,2 por cento das estudantes universitárias relataram que durante o início de seus cursos, elas sofreram algum tipo de abuso sexual enquanto eram dominadas à força, ou estavam incapacitadas pelos efeitos de drogas ou bebidas alcoólicas.

Uma porcentagem alarmante de 13,5 por cento das estudantes informaram que haviam sido vítimas de estupro ou tentativa dele, ou ainda, que foram forçadas a praticar sexo oral.

Um estudo divulgado na revista Journal of Adolescent Health, nesta primavera, descobriu que até o final do primeiro ano universitário, 18,6 por cento das estudantes são vítimas de estupro ou de tentativa de estupro. Ao iniciar o segundo ano, esse número sobe para 26 por cento quando se trata de estupro de vítima incapacitada, e alcança a taxa de 22 por cento para os casos em que a vítima havia sido coagida mediante o uso de força física.

O New York Times relata que a maioria das instituições incluídas no estudo da AAU informou seus próprios números da pesquisa; “várias das instituições mais prestigiadas registraram alguns dos maiores índices de agressão sexual, seja pelo uso de força física, seja pela incapacitação das universitárias — 34,6% em Yale, 34,3% na Universidade de Michigan, e 29,2% em Harvard.”

Algumas faculdades, principalmente as mais “renomadas”, atraem alguns dos alunos mais privilegiados do país. “Essa condição privilegiada, com frequência gera um comportamento arrogante e produz nos estudantes a falsa ideia de que eles têm certos “direitos”, tais como obter notas altas ou dispor sexualmente de suas colegas de classe,” revela Dana Bolger, cofundadora do Know Your IX, ao Yahoo Health.

A autora líder do estudo da revista Journal of Adolescent Health, Kate Carey, PhD, e professora de Ciências Sociais e da Conduta da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Brown, disse o seguinte ao Yahoo Health: “Pais, educadores, treinadores, assim como outros adultos influentes, todos têm um papel importante a desempenhar na educação de meninos e meninas sobre as relações saudáveis e o respeito mútuo. Uma educação que contribua para a saúde sexual deve ir além do modelo típico e abordar relacionamentos saudáveis. É absolutamente necessário que a figura masculina desempenhe bem o seu papel em relação a isso. É necessário também condenar a linguagem misógina e a exploração da mulher.”

A Dra. Sharyn Potter, professora adjunta de sociologia e codiretora do Prevention Innovations Research Center, da Universidade de New Hampshire, salienta que muitas vezes é possível perceber as circunstâncias prévias a um ato de agressão sexual cuja vítima pode estar incapacitada, de modo que as pessoas presentes no local têm a capacidade de intervir e impedir que isso aconteça. “Quando essas pessoas veem que alguém está servindo bebidas alcoólicas insistentemente a uma mulher, ou que está tentando retirá-la do lugar, elas podem acender as luzes, parar a música, e dizer-lhe: ‘Não dê mais bebidas para ela’,” diz ela ao Yahoo Health.

Michael Kimmel, PhD, distinto professor de sociologia da Universidade Estadual de Nova York (SUNY) em Stony Brook e diretor executivo do Centro da Universidade para o Estudo dos Homens e Masculinidade, explicou ao Yahoo Health: “É preciso pensar sobre o que leva alguém a considerar isso como apenas uma diversão inofensiva, já que nesse caso a mulher estava inconsciente. Ter relações sexuais, mesmo que consensuais [isto é, considerar tais agressões “apenas como sexo casual” em vez de um estupro] com alguém que esteja inconsciente, mesmo que não seja um estupro, se assemelha muito mais à necrofilia do que a fazer amor.”

“Nós não estamos falando de homens atacando sexualmente as mulheres, mas do silêncio de alguns homens, o que permite e contribui para o comportamento predatório dos outros,” acrescentou Kimmel.


Fonte: Yahoo!

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