domingo, 27 de setembro de 2015

Brasil perde 1,8% de suas florestas em dois anos, diz IBGE e agricultura é maior responsável


O Brasil perdeu 1,8% de suas florestas entre 2010 e 2012, segundo dados divulgados hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, o país tinha 3,26 milhões de quilômetros quadrados (km²) de vegetação florestal, enquanto em 2012, essa área caiu para 3,2 milhões de km², uma perda de quase 60 mil km² em apenas dois anos.

Nesses dois anos, houve a reposição de 204 km² de florestas, mas o desmatamento foi quase 300 vezes maior: 59,4 mil km². A perda da vegetação florestal deveu-se principalmente à expansão agrícola, que respondeu por 68% da redução das florestas no país. A expansão da pastagem plantada respondeu por outros 28% e a silvicultura por apenas 4%.

Segundo a pesquisa Mudanças na Cobertura e Uso da Terra do IBGE, no entanto, a principal perda de vegetação natural ocorreu nas pastagens naturais, que são áreas de vegetação campestre natural sujeitas a atividade pastoril de baixa intensidade e que perderam 7,8% de sua superfície nesse período.

A expansão agrícola também foi responsável por 65% do recuo das pastagens naturais. Outros 35% de perda foram provocados pela expansão da pastagem plantada.

As áreas de vegetação campestre alagada, como charcos e pântanos, reduziram-se em 5,9%, enquanto as de vegetação campestre, como savanas, perderam 2,7% de sua superfície.

Ao mesmo tempo, as áreas artificiais, que incluem áreas urbanas, cresceram 2,5%, as áreas agrícolas aumentaram em 8,6% e as pastagens plantadas avançaram 11,1%. A silvicultura teve crescimento de 4,6% nesses dois anos.

Agricultura é maior responsável por desmatamento de florestas no Brasil

Mais da metade do desmatamento no Brasil, entre 2010 e 2012, foi causado pela atividade agrícola: 68% das zonas desflorestadas e 65% das pastagens naturais desmatadas foram tomadas por plantações. Nos dois anos, 3,5% do território nacional sofreu alterações. No intervalo entre 2000 e 2010, a taxa chegou a 7%. A agricultura ocupou, durante os dois anos, 77,5 mil km² de áreas florestais, como Mata Atlântica e Amazônia, e 101,7 mil km² de pastagens naturais, como as do Cerrado, Caatinga e Pampa.

Os dados, calculados por meio de imagens de satélite, foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e são parte de estudo que monitora as mudanças de cobertura e de uso de terra. “Vemos uma expansão agrícola muito grande nos últimos dois anos. O que chamamos de áreas florestais é um conjunto de vegetação com porte acima de cinco metros de altura, não apenas de florestas, como a Amazônica. Não necessariamente são áreas protegidas. Também contamos com todos os tipos de expansão agrícola, de pequenas ou grandes produções. O que mostramos no estudo é um retrato completo de cada um desses anos, que está havendo um processo de transformação nas terras, e que ele sirva para outras pesquisas, que tratem das causas e possíveis soluções”, esclarece Eloisa Domingues, gerente de Uso da Terra do IBGE.

De 2000 até 2012, os pastos plantados, voltados para a criação de gado, foram as zonas que mais cresceram: o aumento foi de 336,2 mil km². As terras destinadas à agricultura tiveram incremento de 117,4 mil km². Já as pastagens naturais reduziram 308,4 mil km², e as florestas perderam 313,4 mil km² de área.

Conivência

Para Eleazar Volpato, professor aposentado do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB), há conivência em relação à expansão agrícola no Brasil, inclusive da legislação. “Temos um problema de falta de estrutura organizacional e de administração. A agricultura foi estimulada a ocupar os espaços sem que houvesse um freio do outro lado, que a controlasse. Isso piora em tempos de crise. Estamos sofrendo de uma questão cultural: a agricultura faz bem para a economia do país, mas é uma tragédia nacional. Nós aplaudimos os desmatamentos que fornecem bens e riquezas, não os penalizamos. E não temos como parar isso, a não ser criando unidades de preservação, que atualmente não são fiscalizadas corretamente”, alerta.


Fonte: Correio Braziliense

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