domingo, 30 de agosto de 2015

Pesquisa traça perfil de vítimas de violência doméstica


Baixa escolaridade, emprego indefinido e idade de 31 a 40 anos. Esse é o perfil das mulheres que sofrem violência doméstica no Recife e também o dos agressores. Os dados são da pesquisa A Lei Maria da Penha e a expansão da criminalização da violência doméstica e familiar no Brasil, fruto de estudo de alunos de direito da Universidade Católica de Pernambuco. Os dados foram coletados entre agosto de 2014 e julho de 2015, a partir de 168 processos criminais sentenciados de junho de 2013 a maio de 2014, na 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Recife. O estudo foi apresentado ontem, no seminário Avanços e desafios: Centro de Referência Clarice lispector no enfrentamento da violência contra as mulheres, na Unicap

Só 10% das mulheres envolvidas têm ensino superior. O índice é ainda mais baixo entre os homens - 6,5%. Ao todo, 24,4% tinha ensino médio completo. Grande parte dos acusados é formada por ex-companheiros - 34,5%. Os relacionamentos tinham entre três e sete anos e o tempo de separação variava de um a três meses.

“As mulheres têm profissões sem reconhecimento ou que estão sendo reconhecidas agora, como a de empregada doméstica. Essa falta de possibilidades as deixa mais frágeis”, afirmou a professora Marília Montenegro, coordenadora do curso de direito da Unicap, que orientou o estudo.

Segundo ela, o acolhimento é fundamental para quebrar esse ciclo. Centros de referência como o Clarice Lispector, coordenado pela Secretaria de Mulher do Recife, contribuem para mudar a realidade.

Do início de 2013 até julho deste ano, o centro recebeu 3.718 mulheres em situação de violência doméstica, familiar ou sexual. Mais de seis mil acompanhamentos jurídicos, sociais e psicológicos foram realizados. De acordo com a secretária da Mulher do Recife, Elizabeth Godinho, o perfil das mulheres que procuram atendimento encaixa nos dados da pesquisa. “A fragilidade da relação com companheiros e ex-companheiros é marcante. As condições de vulnerabilidade social se associam à falta de educação e à cultura do machismo.”

Ontem, na Unicap, a representante comercial Maria Izabel de Assis, 45, compartilhou sua experiência. “Estava muito fragilizada. O centro tem me abraçado e orientado no psicológico e no jurídico. Posso dizer que é como o colo da minha mãe.


Fonte: Diário de Pernambuco

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