domingo, 30 de agosto de 2015

Escravos sexuais eram obrigados a trabalhar 17 horas por dia no DF


Após um mês e meio de investigação, a polícia prendeu, ontem, em caráter preventivo, quatro integrantes de uma quadrilha que traficava pessoas de outras unidades da Federação e as obrigava a se prostituir no Distrito Federal. Homens e mulheres com idades entre 18 e 25 anos eram atraídos pela promessa de bons empregos e melhores condições de vida. Mas, ao chegarem à capital federal, deparavam-se com uma realidade bem diferente: trabalhavam cerca de 17h, diariamente, sem intervalo, não ganhavam nada com os programas e viviam trancados. O Correio não teve acesso aos criminosos.

Segundo o delegado-chefe da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), Alexandre Dias Nogueira, os envolvidos devem responder por rufianismo (ato de tirar proveito da prostituição alheia), tráfico de drogas e associação criminosa. “Eles ofereciam empregos como secretária, babá e coletor de material reciclável. Logo depois, as vítimas eram colocadas em cárcere. Os criminosos obrigavam os jovens a usar drogas, para criar uma dependência, e as ameaçavam de morte”, esclareceu. Três garotas e um rapaz foram libertados.

Durante a apuração, oito mandados de busca foram expedidos e sete vítimas, resgatadas de cativeiros. Os bandidos agiam na cidade desde 2012. Segundo a polícia, Márcio de Melo Miranda, 27 anos, casado com Helena de Freitas Carvalho, 31, comandavam o grupo. Muitas vítimas eram trancafiadas em quartos estreitos, no último andar da casa da mãe de Márcio, Maria Facundo, 77, que informou à reportagem desconhecer a situação — o imóvel na Colônia Agrícola Arniqueiras.

A idosa, que alugava quartos com frequência, nunca houve desconfiança. “Eu recebia dinheiro das mãos de mulheres, mas tudo aqui era informal, tanto que algumas delas foram embora de repente, deixando, inclusive, seus pertences”, disse. Maria afirmou não saber da prisão do filho e da nora, embora tenha recebido os policiais quando duas vítimas foram resgatadas dentro da residência da família. Durante a operação de ontem, três mulheres e um homem foram liberados após a verificação de seis supostos cativeiros.

Proteção

A Polícia Civil não informou a origem dos jovens explorados nem o total de vítimas submetidas à violência sexual. Mas o Correio apurou que elas era aliciadas na Região Nordeste, principalmente na Bahia. A reportagem levantou também que cada programa saía por até R$ 100. A maioria delas mantinha ponto nos arredores de uma fábrica de refrigerantes, em Taguatinga Sul. Antes da operação, três pessoas conseguiram fugir do cárcere. Elas estão sob a proteção do Ministério da Justiça. Acusados de serem olheiros e aliciadores, Daniel Macêdo Magalhães, 27 anos, e Luis Carlos da Silva Januário, 34, também foram detidos e serão colocados à disposição da Justiça.

Ceilândia
Em 19 de junho, a 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) deflagrou a Operação Luz Vermelha, para coibir casas de prostituição, tráfico de drogas e outros crimes na área central da cidade. Sete bares foram autuados após a comprovação de que os proprietários mantinham espaços para exploração sexual. Segundo a Polícia Civil, filmagens foram feitas nos locais em datas diferentes para evidenciar a frequência da prática. Dez adultos acabaram presos e um adolescente, detido. Em um dos estabelecimentos, havia câmeras que filmavam o local onde acontecia as relações sexuais com as prostitutas.


Fonte: Correio Braziliense

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