segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Conheça os ‘Zuckerbergs’ latino-americanos; brasileiro criou plataforma para políticas públicas


Silêncio. Era que acontecia imediatamente quando os entrevistados para esta reportagem descobriam o título do texto. É que se ser comparado a um dos gurus tecnológicos do século 21 não é fácil, diziam humildemente.

Mas, além de amar a tecnologia, eles têm mais uma coisa em comum com Mark Zuckerberg: esses empreendedores estão a frente de projetos que buscam ter impacto.

E, como o criador do Facebook, ganharam o prêmio "Inovadores de menos de 35 anos" dado pela publicação MIT Technology Review, da universidade Massachusetts Institute of Technology, a "jovens líderes da vanguarda tecnológica que estão mudando o mundo."

Nas diversas edições do concurso, foram reconhecidos mais de 150 inovadores na América Latina. A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, falou com nove deles, com a vencedora do Google Demo Day 2015 e com o ganhador do prêmio ONDi 2014, que reconhece o melhor do design cubano. Eles são uma pequena amostra das dezenas de empreeendedores que há na região.

Conheça-os no mapa:

Guilherme Lichand
Brasil

'Não sou Mark Zuckerberg... mas criei uma plataforma que visa a alterar o processo de criação de políticas públicas para permitir que o governo reaja (eficientemente) à sociedade e faça com que a democracia funcione melhor para todos.'

Com dois sócios, ele fundou em 2012 o Mgov Brasil, uma consultoria que coleta informações de interesse social por meio de SMS e ligações de celular e fornece os dados a entidades públicas.

'O MGov é um intermediário: compilamos informações, por exemplo, sobre se os cidadãos consideram que uma unidade de saúde está funcionando como deveria, ou se o programa de distribuição de leite está dentro dos padrões de qualidade. Também compartilhamos previsões de chuvas com agricultores pobres em regiões remotas do país.'

Geraldine Gueron
Argentina

“Não sou Mark Zuckerberg... mas estou construindo uma Wikipédia da saúde.'

Datadonors é uma plataforma que permite integrar informações de saúde, estilo de vida e genética dos usuários. Os dados vêm de diferentes dispositivos ou aplicativos e podem ser consultados a qualquer hora, para que a pessoa analise as suas variáveis ou faça comparações com outros usuários.

'Temos nossa página e um aplicativo. A única coisa que as pessoas precisam fazer é doar as suas informações (de forma anônima) e vincular todos os seus apps de saúde à nossa plataforma.'

Daniela Galindo
Colômbia

“Não sou Mark Zuckerberg... mas estou provocando um grande impacto social sobre uma população que hoje em dia está muito esquecida, especialmente na América Latina. Estou dando voz a muitas pessoas que precisam se comunicar para que realmente possam pertencer à nossa sociedade.'

'Hablando con Julis' é um software projetado para pessoas com idades entre 3 a 85 anos com dificuldades de fala, Síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, déficit cognitivo e surdez.

A ferramenta usa imagens para que as pessoas possam se comunicar. 'Cada imagem vem acompanhada da palavra escrita, de uma voz que a pronuncia e de um vídeo com a linguagem de sinais.' São 125 mil registros multimídia (imagens, vídeos, áudios e palavras).

Tatiana Birgisson
EUA., Islândia e Venezuela

“Não sou Mark Zuckerberg... mas criei o Mati, uma bebida energética que é única no mercado (...) e ganhei o concurso do Google Demo Day. Não vai haver outro com ele, mas espero ter um impacto tão grande na indústria de alimentos como o que ele teve na tecnológica.'

A bebida pode ser comprada no sul dos EUA.

'Os ingredientes que usamos são saudáveis: chá e sucos (...). Nosso processo é inovador porque conseguimos extrair 40% mais cafeína das folhas de chá em comparação com os procedimentos tradicionais. A cafeína dura aproximadamente oito horas no corpo. É uma injeção de energia parecida com a que produzem outros energéticos, mas dura muito mais tempo.'

Martha Malapi
Peru

'Não sou Mark Zuckerberg... mas a minha pesquisa vai oferecer as ferramentas necessárias para melhorar o controle de patógenos de plantas e assim diminuir a desnutrição no mundo.'

Com cientistas dos EUA, ajudou a desenvolver um sistema inovador de detecção de patógenos agrícolas em tempo real e a estudar técnicas moleculares para identificar os genes de um patógeno de fungo que o fazem particularmente eficiente para provocar doenças em plantas de todo o mundo.

'O patógeno Fusarium verticillioides não apenas causa o apodrecimento da espiga como induz o aparecimento de uma toxina que não se vê a olho nu, mas que, se ingerida em grandes quantidades, pode provocar câncer.'

Antonio Navas
Guatemala

'Não sou Mark Zuckerberg... mas o meu trabalho está ajudando a melhorar a vida de mais de 100 milhões de pessoas por meio da aprendizagem de idiomas.'

Desenvolveu a primeira versão da plataforma gratuita de aprendizado de línguas Duolingo e é diretor de engenharia da empresa.

O sistema compara e analisa constantemente os dados sobre o progresso dos usuários e usa a fórmula que está dando mais certo para os outros estudantes. A plataforma também conta com a Incubadora de Idiomas, uma ferramenta que, com ajuda de voluntários, oferece cursos de mais de 50 línguas.

José Tomás Arenas
Chile

“Não sou Mark Zuckerberg... mas desenvolvi uma solução tecnológica para prevenir em todo o mundo a causa mais comum de cegueira na população adulta.'

Criou um software que combina processamento automático de imagens e telemedicina na internet para prevenir a retinopatia diabética, a cegueira causada pela diabetes.

A plataforma tem diversas imagens de olhos registradas por câmeras especializadas em centros de saúde. O sistema detecta, de forma automática, padrões distintos de desenvolvimento da doença.

Alejandro Cantú
México


“Não sou Mark Zuckerberg... mas levei a tecnologia ao ponto em que pode salvar vidas, alertando com 60 segundos ou mais de antecedência os 3 milhões de usuários da plataforma sobre a ocorrência de terremotos.''

SkyAlert é um sistema de alerta sísmico por satélite que emite um alerta cerca de um minuto antes de um terremoto atingir a Cidade do México e os 40 povoados cobertos pelo sistema.

O aplicativo pode ser baixado em dispositivos móveis. 'Após baixar o app, é só assinar o serviço, que custa US$ 4 por ano (cerca de R$ 14), e personalizar o alerta sísmico. Isso faz desta ferramenta algo único no mundo: os usuários podem escolher com quanto tempo de antecedência e a intensidade dos tremores sobre os quais querem ser notificados. Por exemplo: 'Só quero receber alertas de tremores acima de 5 (de magnitude)'.

Yenny Carias
Honduras

“Não sou Mark Zuckerberg... mas criei um projeto que está fazendo barulho entre aqueles que não podem escutar.'

Desenvolveu um software que traduz a voz para a linguagem de sinais de Honduras (LESHO) para facilitar o aprendizado de estudantes surdos.

'Em um computador, é possível ver um avatar em 3D fazendo os sinais. O avatar reconhece a voz que ingressa no sistema por meio de um microfone; o sistema captura a voz e traduz para texto, e algoritmos que desenhamos transformam esse texto nos sinais que o avatar faz.'

Yondainer Gutiérrez
Cuba

“Não sou Mark Zuckerberg... mas com o meu trabalho, até o momento, facilitei o acesso à informação de saúde para estudantes, professores e profissionais de medicina cubanos.'

Fez o projeto gráfico da página de internet da rede de saúde de Cuba, Infomed, ponto de referência para médicos e cientistas na ilha e local de consulta para pesquisadores de vários países.

'Infomed é o nome que identifica a rede de pessoas e instituições que trabalham e colaboram para facilitar o acesso à informação e ao conhecimento necessários para melhorar a saúde dos cubanos e dos povos do mundo', destaca a página.

Alejandro Cantú, México

Sobre o projeto:

Cantú cresceu na capital mexicana, Cidade do México, traumatizada pelo terremoto de 8,1 graus de magnitude que deixou 10 mil mortos em 1985. Com amplo conhecimento de sistemas de alerta por satélite, decidiu desenvolver uma tecnologia que permite respostas mais eficientes às ameaças sísmicas com o objetivo de salvar vidas.

"No México, o governo dependia do mesmo sistema de alerta sísmico desde 1990. O que nós fizemos foi modernizá-lo, ao implementar a nossa própria rede de detecção sísmica, que conta com mais de 60 estações detectoras de tremores em mais de 500 quilômetros de costa. Neste momento, o governo está avaliando fazer a troca do sistema de alerta sísmico atual para esta nova tecnologia", disse ele à BBC Mundo.

Impacto:

O app SkyAlert foi baixado mais de 3 milhões de vezes.

Reconhecimentos:

Um jurado do prêmio do MIT Technology Review em 2014 destacou que o impacto potencial da tecnologia de Cantú "é muito relevante dado o caráter sísmico e vulcânico de amplas zonas da geografia mexicana", e a incorporação das redes sociais ao app "pode possibilitar um crowdsourcing em reações a emergências."

Um conselho:

"Quando uma pessoa empreende, ela se depara com muitos desafios – mais do que se imagina. A pessoa tropeça e cai, mas tem que seguir levantando e tocando os projetos. Na América Latina, é importante levar em conta as necessidades da nossa área. As novasstartups devem pensar em como ajudar os nossos países."



Fonte: BBC Brasil

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