segunda-feira, 13 de julho de 2015

Fim da transmissão materna do HIV: conquista do sistema de saúde cubano pós-Revolução


A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem trabalhando desde 2010 com as nações das Américas na implementação de uma iniciativa que consiga eliminar a transmissão do vírus HIV e da sífilis da mãe para o filho. A estratégia começa a dar frutos. Cuba acaba de ser declarada como o primeiro país a cumprir a meta. O ministro de Saúde Pública cubano, Roberto Morales, atribuiu a conquista ao sistema de saúde estabelecido após a Revolução Cubana há mais de meio século, que prioriza os cuidados primários.

Cuba tem feito trabalhos que garantem acesso antecipado ao pré-natal, testes para HIV e sífilis para mulheres grávidas e seus parceiros. Se os resultado for positivo, é oferecido tratamento para as mulheres e os bebês, substituindo a amamentação e utilizando preservativos e outras medidas de prevenção. O tratamento faz parte de programa de saúde materna e infantil, integrado a outros programas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Por conta disso, em 2013, apenas dois bebês nasceram com HIV em Cuba e apenas três nasceram com sífilis congênita.

Em março deste ano, peritos internacionais convocados pela OMS visitaram Cuba para a validação da eliminação da transmissão materna do HIV e da sífilis. A visita durou cinco dias, os peritos avaliaram centros de saúde, laboratórios e escritórios do governo EM todo o país, entrevistando os funcionários da área de saúde. A missão incluiu especialistas da Argentina, Bahamas, Brasil, Colômbia, Itália, Japão, Nicarágua, Suriname, Estados Unidos e Zâmbia. A proteção dos direitos humanos, para a garantia de que os serviços fossem fornecidos de acordo com os princípios dos direitos humanos e livres de coerção, teve uma atenção especial no processo de validação.

Em 2011, foi lançado pela OMS, em parceria com a OnuAids, um plano para eliminar até 2015 as novas infecções pelo HIV entre crianças e manter suas mães vivas. No ano passado, a OMS e seus parceiros publicaram orientações explicando o processo para que a eliminação da transmissão materna do HIV e da sífilis seja validada. Se o tratamento que previne a transmissão das doenças de mãe para filho não é 100% eficaz, a eliminação da transmissão é definida como a redução da transmissão a um nível tão baixo, que deixa de ser um problema de saúde pública.

Para que o país possa eliminar a transmissão materna do HIV, alguns indicadores devem ser atingidos, como mais de 95% das mulheres grávidas conhecerem o seu estado de HIV e receberem tratamento antirretroviral; a quantidade de infecções de transmissão de mãe para filho do vírus tem que ser de menos de 50 casos por 100.000 nascidos vivos; e a taxa de transmissão mãe-filho tem que ser inferior a 5% em populações que estão recebendo o leite materno ou inferior a 2% em populações alimentadas com fórmula infantil.

Além de Cuba, um grupo de países de outras regiões também está perto de atingir o objetivo de eliminar a transmissão materna de sífilis e HIV. Em 2007, a OMS lançou uma estratégia para aumentar o acesso a testes de sífilis e tratamentos de grávidas. No ano passado, mais de 40 países conseguiram realizar o teste para sífilis em 95% das gestantes no pré-natal.

Cerca de 1,4 milhões de mulheres que convivem com o vírus da Aids engravidam por ano. Se não fizerem o tratamento, existem de 15% a 45 % de chances de o vírus ser transmitido para seus filhos durante a gestação, o parto ou a amamentação. Se forem tratadas adequadamente, esse risco diminui para pouco mais de 1%.

No mundo, a quantidade de crianças que nasceram com HIV diminuiu quase pela metade, passando de 400 mil para 240 mil, de 2009 até 2013. Neste mesmo período, a proporção de grávidas que convivem com o HIV em países de baixa e média renda, que recebem medicamentos antirretrovirais para previnem a transmissão para seus filhos duplicou, ou seja, sete em cada 10 mulheres grávidas que vivem com o HIV atualmente recebem os medicamentos para prevenir a transmissão para seus filhos. A meta global é que menos de 40 mil crianças nasçam infectadas até 2015 e, para que seja cumprida, os esforços devem ser redobrados.

Nos casos de sífilis, a quantidade é menor, quase 1 milhão de mulheres grávidas estão com a doença no mundo inteiro. Se não forem tratadas, pode ocorrer morte fetal, morte perinatal ou infecções neonatais graves. Com o tratamento, a maioria desses problemas é eliminada.


Fonte: Adital

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