segunda-feira, 13 de julho de 2015

Brasil vive 'epidemia' de cesáreas, que respondem a 85% dos partos na rede privada


Entre as estratégias para evitar os agendamentos estão o preenchimento obrigatório de um partograma, documento em que são registradas todas as etapas do trabalho de parto da gestante.

Um quadro de pressão alta fez com que Mariza Dias redobrasse os cuidados no fim da gestação. Mesmo com orientação médica, o problema piorou e ela teve que ser internada no sétimo mês de gravidez.

Isabela nasceu com 38 centímetros e 1,7 kg. Ficou um mês na UTI Neonatal e como a dona de casa Mariza disse, mãe e filha foram salvas pela cesárea.

Mas no país campeão deste tipo de cirurgia, a história das duas é exceção. Por aqui, a maioria das mulheres prefere o procedimento pela comodidade de agendar e porque se sentem mais seguras.

É o caso da moradora de São José dos Pinhais, no Paraná, Kauane Braciak. Ela admite que teve medo de fazer o parto normal porque alguns familiares sofreram complicações.

O Brasil vive hoje uma epidemia de cesáreas. Na rede privada, 85% dos partos são realizados pelo procedimento. Já no Sistema Único de Saúde, a porcentagem é menor: 40%. A Organização Mundial da Saúde recomenda que este índice não ultrapasse os 15%.

O problema é que a cesárea sem indicação médica aumenta em 120 vezes o risco de danos respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.

O secretário-geral da Associação Médica Brasileira e professor da Faculdade de Medicina da USP reconhece que muitos obstetras marcam o procedimento sem necessidade clínica e que a preferência pelo procedimento aumenta as taxas das cirurgias. Porém, Antônio Jorge Salomão ressalta ainda a falta de infraestrutura em alguns leitos hospitalares.

Para frear o número de cirurgias, o Ministério da Saúde colocou em prática, desde o dia 6 de julho, uma série de medias para reduzi-las. Entre as estratégias para evitar os agendamentos estão o preenchimento obrigatório de um partograma, documento onde são registradas todas as etapas do trabalho de parto da gestante.

Entre as novas regras, fica estabelecido que os planos de saúde devem informar às pacientes a quantidade de cesarianas realizadas por médico, operadora e hospital.

O obstetra do Pré-Natal do Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Fiocruz Marcos Nakamura considera tímido o pacote de medidas para desestimular a cesárea.

A ideia é que a mulher tenha a oportunidade de analisar melhor e com calma o histórico do médico e do local em que o parto será realizado. Desse modo, a gestante terá autonomia para escolher qual a melhor forma de dar à luz e assim tornar esse momento único e mais humanizado.


Fonte: Rádio CBN

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