segunda-feira, 1 de junho de 2015

Seminário Brasil X Haiti: haitianos repudiam opressão militar

O haitiano Alix Georges chegou ao Brasil em 2006. Mora em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, onde se graduou e teve a oportunidade de ingressar em um curso de Mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em entrevista à Adital, Georges critica a presença da Minustah em seu país.

"O valor que o Brasil paga aos militares da Minustah daria pra pagar uns 200 soldados haitianos... O Haiti não está entre os 50 países mais perigosos do mundo, então, qual o sentido da sua presença em solo haitiano? Só vejo pelo sentido da garantia dos interesses das empresas estadunidenses, francesas, canadenses...”, acusa o estudante haitiano.

"E para conseguir dominar nosso país [os EUA] utilizam o poder carismático que o povo brasileiro possui no Haiti, conseguido com o futebol, principalmente. Você vê, o presidente francês [François Hollande] foi recebido com vaias em meu país. Como o Brasil foi recebido durante o amistoso entre as duas seleções em Porto Príncipe [Jogo da Paz, em 2004]?”, exemplifica Georges.

"A França precisa pagar sua dívida conosco, atualmente avaliada em 22 bilhões de dólares. Assim, conseguiremos reconstruir nosso país, investir em educação, saúde”, denunciou o haitiano durante sua participação no "Seminário nacional sobre o Haiti: construindo solidariedade”, realizado nos últimos dias 22 e 23 de maio, em São Paulo. "A ajuda que nós, haitianos, precisamos, é para construir nossa própria identidade”, concluiu.

Fedo Bacourt é integrante da União Social dos Imigrantes Haitianos (Usih), organização fundada no início de 2015. O haitiano morava na República Dominicana antes de emigrar para o Brasil, de onde não traz boas notícias. "Lá, não está fácil para os haitianos”, afirma, em alusão à crise diplomático-migratória pela qual os dois países vizinhos vêm passando.

"A Associação nasceu com a intenção de, primeiro, unir os haitianos que estão aqui em São Paulo. As pessoas estão chegando e ficando na rua, então, ajudamos com isso, encaminhamos aos escritórios do governo para conseguirem documentação... Mas a questão mais preocupante que estamos enfrentando, hoje, é a falta de moradia”, explica Bacourt em entrevista à Adital.

Max Nohlo é haitiano morador de Caxias do Sul [Rio Grande do Sul]. Trabalha como soldador em uma metalúrgica. Veio a São Paulo a convite do Jubileu Sul para falar de sua experiência como imigrante, apresentando uma difícil realidade de segregação e preconceito.

"Você e eu vamos pedir um emprego. [Coloca seu braço junto ao meu] O empregador olha para a sua cor, olha para a minha e fica com você. A gente vai pedir trabalho, ele [o empregador] diz que não tem. Depois chama outro”, conta em entrevista à Adital.

"Os haitianos em Caxias do Sul enfrentam problemas, como alugar uma casa. Ninguém quer nos alugar uma casa boa. A presidenta Dilma [Dilma Rousseff] deveria olhar mais por nós, porque somos estrangeiros, não conhecemos a lei brasileira, nos demitem e não querem pagar nada [de direitos trabalhistas]. Se não conseguimos trabalho, vamos viver de quê?”, desabafa.

A falta de conhecimento das leis brasileiras a que Max se refere foi um dos problemas citados no Seminário. E não somente em matéria de direitos trabalhistas, mas acesso à saúde, documentação, direitos humanos, entre outros.

Entre as conversas que Adital manteve com os haitianos presentes ao Seminário, e conforme os próprios depoimentos comprovam, a questão da moradia vem sendo o principal problema atualmente enfrentado pelos imigrantes.


Fonte: Adital

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