domingo, 28 de junho de 2015

Estrutura limitada de laboratório da UnB atrasa possível cura da Aids


Falta espaço para seguir o caminho da descoberta de vacinas contra o HIV. A equipe do Laboratório de Virologia Molecular da Faculdade de Saúde, da Universidade de Brasília (UnB), investiga, há 12 anos, os mecanismos que levam à infecção pelo vírus, mas esbarra no problema de lugar para abrigar pesquisadores e equipamentos e, assim, continuar a pesquisa.

As primeiras descobertas do projeto mostram que, apesar de o paciente apresentar diversas cepas do vírus no organismo, apenas uma delas atua na contaminação de outro. No entanto, os desdobramentos dessa conclusão não avançam a contento porque a sala que abriga os cientistas mal comporta bancadas e microscópios para todos. Um freezer que alcança temperaturas de até -160 ºC está lacrado e sem uso, há quatro anos, do lado de fora do local. “Tem mais equipamentos para chegar, mas não sei onde colocaremos. Já não tem espaço para os que estão aqui”, lamenta o professor associado do laboratório, Enrique Roberto Argañaraz.

Ele começou a se dedicar ao tema durante o doutorado, pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Em 2003, depois de concluir o pós-doc, ajudou a montar o centro de referência. “Quando retornei à UnB, imaginei que teria apoio para desenvolver o trabalho, afinal, o tema é HIV”, conta. Segundo ele, ainda que o país seja forte na questão de diagnóstico e de atendimento medicamentoso aos soropositivos, ainda deixa muito a desejar na área científica do tema. “Faltam pesquisas. Hoje, 90% do estudo é feito no exterior, em parceria com instituições americanas”, diz.

Não ter um espaço físico apropriado — hoje, o laboratório fica espremido em uma sala do 1º andar da Faculdade de Saúde — atrapalha, até mesmo, o aprofundamento das conclusões. “A pesquisa continua porque, quando enviamos alunos aos EUA, eles usam as estruturas de lá. No entanto, o tempo é curto. O que demoraria até quatro anos para ser finalizado, tem de levar somente seis meses, que é o tempo que o aluno tem lá fora”, queixa-se. Além disso, o grupo de trabalho tem de se dividir em turnos. “São 10 pessoas envolvidas na pesquisa, mas só trabalham três ou quatro por vez. É um fator desmotivador até para atrairmos mais estudantes para o tema”, reclama.

O prazo exíguo para testes e avaliações, nos centros parceiros, atrasa todo o processo, reforça Argañaraz. “Investigamos o comportamento do vírus na chamada fase de eclipse. São os primeiros 20 dias após o contágio, em que o HIV ainda não se ligou ao material genético do paciente. Esse período é fundamental para entendermos quais são os mecanismos de infecção”, detalha. O entendimento dessa fase é importante para se desenvolver estratégias de tratamento.

Biossegurança

Um dos entraves para a continuidade da pesquisa, na UnB, é o fato de a instituição não ter um laboratório de biossegurança instalado. Esse tipo de ambiente permite o manuseio de organismos altamente infecciosos sem que os cientistas sofram o risco de se contaminar com o material a ser examinado. Além dos procedimentos básicos, o local fica isolado de outras salas ou laboratórios, tem controle de entrada e de uso de materiais — o uso de seringas é restrito ao imprescindível — e os frequentadores são testados periodicamente.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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