segunda-feira, 1 de junho de 2015

Enquanto cinema, teatro e tevê se rendem ao politicamente correto, web não

No último mês, uma peça paulista acabou cancelada por conta do blackface, um antigo artifício cênico que pinta de preto os rostos de artistas brancos. O espetáculo A mulher do trem, do grupo Os Fofos Encenam, recebeu críticas pela internet e foi acusado de racismo. A produção sucumbiu e, pela primeira vez em 12 anos, a apresentação não aconteceu.

Na tevê, atrações como Zorra total perderam audiência ao preferir piadas leves e enredos amenos. O comediante Paulo Gustavo brinca com a figura do bêbado ao volante no stand-upHiperativo, mas alerta o público que “não se deve dirigir ao ingerir bebida alcoólica”. Rafinha Bastos responde por alguns processos, por conta dos supostos excessos cômicos. Expressões como “preto”, “aleijado”, “bicha”, “gordo”, entre outras — tão populares em programas como Os trapalhões —, foram praticamente banidas dos palcos e telas.

Diante das controvérsias, pergunta-se: o politicamente correto está provocando uma censura geral ou evitando estereótipos preconceituosos? Ao limitarmos a arte, avançamos ou retrocedemos na liberdade de expressão? O humorista curitibano Diogo Portugal, um dos principais nomes do stand-up no Brasil, critica as imposições atuais: “A partir do momento que o artista começa a pensar muito no que pode ou não falar, acaba tirando a verdade do texto. Fica algo plástico. Humor e autocensura não combinam”, opina.

De acordo com o artista, alguns limites devem ser respeitados, mas isso não significa evitar assuntos tabus. “Creio que seja possível fazer humor com qualquer coisa. Depende apenas da dose de exagero aplicada à piada. Justamente quando entra o talento do comediante em surpreender a plateia”, sugere.

O ator, diretor e professor de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB) Fernando Villar parece seguir entendimento contrário. Na verdade, Villar questiona inclusive a própria utilização do termo “politicamente”. “Humanamente ou eticamente correto me parecem mais adequados, já que se trata de um cuidado em não querer ver nos outros o que não quer se ver em você. Um respeito ao próximo, à alteridade, à diversidade”, pontuou o professor, antes de acrescentar: “Se política fosse realmente o exercício da cidadania em prol da população, não questionaria o termo, mas não é o que vemos aqui”.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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