segunda-feira, 22 de junho de 2015

Conheça os dilemas enfrentados por jovens que foram afastados das famílias


O que representam dois anos na vida de uma pessoa? São possibilidades de desfrutar momentos alegres, enfrentar desafios, conhecer pessoas, viajar e conviver com aqueles que se ama. Tantas opções que o tempo voa. No entanto, na realidade de algumas crianças e adolescentes, 730 dias se multiplicam em uma longa espera. Às vezes, uma vida inteira. Eles formam um grupo de aproximadamente 280 filhos e filhas que vivem em instituições de acolhimento no Distrito Federal e aguardam uma definição. A eles restam a inscrição no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), a reintegração à família ou a preparação para uma autonomia aos 18 anos. No Brasil, o número ultrapassa 30 mil.

Quando se chega a uma situação de abrigamento no dia a dia de uma família e o juiz decide por encaminhar a criança ou o adolescente para uma instituição de acolhimento, inicia-se um processo de estudo de caso — o Plano de Atendimento Individual. A criança vai morar em uma casa nova, onde os direitos serão respeitados, e ela terá o atendimento necessário. Enquanto isso, a família também passa por uma avaliação. Uma equipe técnica da Vara da Infância e da Juventude do DF, em parceria com outras instituições governamentais e o próprio abrigo, busca atacar a raiz do problema que levou à separação daquela casa. Afinal, a prioridade de cuidar do menor é sempre da família, seja a biológica, seja a extensa, como avós, tios, primos. Pela Lei nº 12.010, estabelecida em 2009, o tempo de estudo no qual a criança permanece na instituição deve ser, no máximo, de dois anos.

Se com esse estudo a equipe perceber que não cessou a situação que provocou o acolhimento e aquela família não tem condições, estrutura ou interesse em ficar com a criança, ela será destituída do poder familiar. Depois da destituição ser transitada e julgada, o indivíduo está apto para ser adotado e inscrito no CNA. Se ele estiver em idade avançada, próximo dos 18 anos, a ideia é que se prepare aquele jovem para viver de maneira autônoma, já que poucas pessoas adotam adolescentes. Acontece, no entanto, que esse tempo é incerto. Pode durar alguns meses, como pode passar dos dois anos.

Aos 17 anos, Fernando* ainda analisa a possibilidade de voltar a conviver com algum familiar. Ele chegou ao abrigo Nosso Lar bebê. A mãe era usuária de crack e o pai morreu cedo. Em 2013, depois de duas tentativas de adoção, ele descobriu sua história. “Aquele foi um momento de agradecimento”, comentou o rapaz ao conhecer a mãe biológica. Depois do primeiro encontro, Fernando tentou morar com uma irmã e com uma tia. “Foi estranho. Era tudo novo. E, por mais que eu fosse pequeno, percebia os olhares estranhos”, relembra.

A primeira experiência não deu certo. “Toda criança sente a ausência de família. Mas, naquele momento, queria o que tinha aqui (abrigo). É uma decisão que gera um conflito. Queria que tivesse dado certo, fiquei triste, mas não sentia confiança”, afirma Fernando. Ele voltou a viver na instituição de acolhimento, na casa que sempre foi sua, chamada Lar de Licio. No meio desse caminho, foi acolhido por uma madrinha afetiva, que o ajudou a lidar com a descrença. Hoje, o rapaz está com data marcada para visitar um primo. Prestes a completar 18 anos, quer tentar, mais uma vez, a reintegração. “Cada criança tem seu tempo. O que eu diria para quem está à espera de uma definição é confiar e nunca desistir. O que acontece de ruim na nossa vida traz sempre algo melhor no futuro.”

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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