terça-feira, 19 de maio de 2015

XII Seminário LGBT do Congresso Nacional

Pela primeira vez em doze anos, o Seminário LGBT do Congresso Nacional não terá os convites oficiais enviados pela presidência e não será publicizado pelo site oficial da Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha proibiu qualquer tipo de divulgação oficial do seminário, que já foi realizado sob a presidência de parlamentares do PT, do PMDB, do PP e do PCdoB ao longo de mais de uma década, sem restrições. Cunha proibiu inclusive que sejam colados os cartazes de divulgação do seminário dentro do prédio do Congresso — cartazes que já foram colados e eu não penso pedir para retirar — e essa decisão antidemocrática, antirregimental, inconstitucional e autoritária obedece a uma única razão: HOMOFOBIA. O que incomodou Cunha foi a foto do (quase) beijo entre Daniela Mercury e Malu Verçosa que está nas peças aprovadas pelas comissões de Cultura, Legislação Participativa e Ciência e Tecnologia, que dividem a organização da XIIª edição do seminário. Ele fez de tudo para censurar o beijo. Primeiro, falou que era necessária uma autorização de uso da imagem assinada por Daniela, mesmo ela tendo divulgado a arte no seu site oficial. Daniela enviou a autorização por escrito, mas mesmo assim, ele disse não. Não! Ele não vai permitir um beijo lésbico em cartazes e convites oficiais da House of Cunha, o poder legislativo que ele acha ser de sua propriedade pessoal.

O tema do seminário é a empatia, um sentimento do qual o presidente da Câmara dos Deputados carece, pelo menos no sentido humano. Ele tem empatia com as empresas que financiaram sua campanha com “doações” que somaram 6.832.479,98 reais, para as quais quer aprovar uma emenda à constituição que lhes garanta a possibilidade de continuar “investindo” em candidatos patrocinados que as representem no executivo e no legislativo. Ele tem empatia com os deputados que lhe deram o voto para a presidência em troca de aumento de salário e verba parlamentar e outras regalias que ofendem o povo trabalhador em época de crise e ajustes. Ele tem empatia com as igrejas caça-níquel que se valem do discurso de ódio — contra LGBTs, adeptos das religiões de matriz africana, mulheres que fazem aborto e/ou usuários de drogas ilegais — para disputar o mercado das almas, arrecadar o dízimo e as “ofertas” e até vender vassouras “ungidas”. Ele tem empatia com as máquinas partidárias fisiologistas, as legendas de aluguel, os cabos eleitorais pagos e outros beneficiários da “contrarreforma” política que pretende aprovar nesse ano para fazer menos democrática a democracia. Ele tem empatia com os fabricantes de armas, para os quais o Congresso prepara uma reforma do estatuto do desarmamento que pode aumentar a violência e a morte num país que já tem violência e morte demais. Ele tem empatia com planos de saúde, para os quais conseguiu o perdão de multas milionárias e o engavetamento de uma CPI. E por aí vai...

Mas ele não consegue ter empatia com as pessoas que se amam. Não consegue sentir empatia por um (quase) beijo entre duas mulheres — fica revoltado, indignado, assustado, enjoado, raivoso. Não basta ele pretender que o Congresso aprove um estatuto contra as famílias que não são como a dele, não basta o discurso de ódio homofóbico. Ele precisa, também, usar seu poder — que acredita ser absoluto, monárquico — para censurar um beijo. Isso diz, também, o que ele pensa das instituições da República, e o pouco respeito que ele tem pela democracia.

Daniela e Malu continuarão se beijando, como outros milhares de casais de todo tipo. E farão isso no Congresso, se quiserem, na cara do censor, na porta do seu gabinete, ou onde for necessário. ALIÁS, EU CHAMO TODOS OS CASAIS A VIR SE BEIJAR NO SEMINÁRIO, NO CONGRESSO NACIONAL! EU CONVOCO VOCÊS A DENUNCIAR A CENSURA E RECLAMAR À MÍDIA QUE NOTICIE ESTE ATO ANTIDEMOCRÁTICO! Nenhum e nenhuma de nós vai voltar ao armário, senhor Cunha!

E eu te garanto: quando chegar o momento, vamos cobrar com juros todo esse amor reprimido e esse silêncio que você quer nos impor. Se não for a “Lava-Jato” a nos dar essa oportunidade, certamente haverá outra!

Sobre

Nos dias 20 e 21 de maio de 2015 acontece o XII Seminário LGBT do Congresso Nacional. Sob o tema “Nossa vida d@s outr@s – Empatia: a verdadeira revolução”, o evento acontece no auditório Nereu Ramos, no Anexo II da Câmara dos Deputados, com uma abertura muito especial da cantora Daniela Mercury no primeiro dia de atividades.

Programação

20 de maio

9h – Mesa de abertura
Deputado Fábio Ramalho (PV/MG) – Presidente da Comissão de Legislação Participativa
Deputada Luciana Santos (PCdoB/PE) – Vice-Presidente da Comissão de Cultura
Deputado Fábio Sousa (PSDB/GO) – Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
Deputada Erika Kokay (PT/DF)
Deputado Jean Wyllys (PSol/RJ)
Rogério Koscheck e Weykman Koscheck – Representantes da sociedade civil
Jorge Chediek – Coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil
Daniela Mercury – Convidada especial

14h – Mesa
“Ódio nas redes” – Que sentimentos você propaga na web? Pare. Pense. Poste.
Mediadora: Deputada Maria do Rosário (PT/RS)
Raquel Recuero – Jornalista, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras e do Curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas. Dedica-se, principalmente ao estudo das redes sociais e comunidades virtuais na Internet, da conversação e fluxos de informação e capital social no ciberespaço, e ao jornalismo digital
Facebook Brasil
Silvia Pilz – Jornalista e blogueira
Romi Bencke – Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, mestra em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

21 de maio

9h – Mesa 2
“Ódio na carne” – A agressão além do verbo/A expressão letal da injúria e difamação.
Mediador: Deputado Jean Wyllys (PSol/RJ)
Márcia Tiburi – Filósofa, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, e professora convidada da Fundação Dom Cabral.
Nome a definir – Ministério da Educação
Luma de Andrade – Professora e doutora em Educação. Em sua pesquisa analisou as experiências e resistências de jovens travestis no espaço escolar.
Irina Bacci – Diretora do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
PAUSA PARA ALMOÇO – 12h às 14h

14h – Mesa 3
“Mais amor, por favor!” – Tolerância, respeito e diferenças.
Mediadora: Deputada Erika Kokay (PT/DF)
Viviane Mosé – Poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Maria Clara Araújo – Ativista do transfeminismo. Estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco.
Ana Lúcia e Letícia – Casal de lésbicas e seus dois filhos. História positiva de amor.
Pedro HMC – Idealizador do canal de humor Põe na Roda composto por jovens LGBT. O canal fala sobre os limites do humor, o politicamente correto/incorreto e a liberdade de expressão/discurso de ódio.

19h – Programação Cultural
Apresentação do grupo teatral “Grupo Cantigas Boleráveis” – Teatro dos Bancários.
Exposição “#AHomofobiaé”. Artistas e celebridades completam a frase “a homofobia é” para combater a intolerância contra a comunidade LGBT.

Serviço

12º Seminário LGBT do Congresso Nacional: “Nossa vida d@s outr@s. Empatia: a verdadeira revolução”.
Data: 20 e 21 de maio
Hora: Confira a programação
Local: No auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados
Ingresso: A entrada é gratuita. Não há necessidade de inscrição prévia.
Informações: (61) 3215-5646


Fonte: Facebook / Portal DeBoa Brasília

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes