segunda-feira, 25 de maio de 2015

Movimento em redes sociais ‘entrega’ celebridades por gastar água durante seca na Califórnia

Em meio a uma seca prolongada que fez com que reservatórios registrassem níveis baixos recorde, moradores da Califórnia, nos Estados Unidos, estão usando as mídias sociais para expôr instituições e indivíduos, incluindo celebridades, que desperdiçam o recurso.

Transformando em hashtag, o drought shaming ("Vergonha da seca", em tradução livre) – uma prática que começou online no ano passado – voltou a acontecer agora, no momento em que o Estado entra em seu quarto verão de seca extrema.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, exigiu que as cidades californianas diminuam o uso de água em 25%, regando menos as plantas e trocando partes de seus jardins por plantas do deserto que dispensam rega intensiva, mas excessos ainda são cometidos, especialmente nas áreas mais afluentes, onde ficam as mansões dos famosos com seus jardins impecáveis.

As campanhas pela economia e a ameaça de multas de até US$ 10 mil pelo desperdício de água não parecem ter diminuído o consumo exagerado. Por isso, ativistas estão tentando a tática de exposição negativa na internet, com o apoio de jornais de circulação nacional.

Moradores que surpreendem os vizinhos desperdiçando água estão compartilhando fotos e vídeos no Facebook, no Twitter e em outros aplicativos de mensagens, geralmente com os endereços das pessoas.

"Fico feliz de ver que #droughtshaming é uma realidade! Colaboro denunciando esses idiotas de San Mateo", disse, no Twitter, Fiyin Adewale, com uma foto de uma casa cujo pequeno jardim tinha três regadores automáticos em operação.

Um dos alvos prediletos dos ativistas online, as celebridades começaram a ser expostas quando jornais passaram a publicar imagens aéreas de mansões californianas, onde é difícil perceber ps efeitos da seca nos carros imaculadamente limpos e jardins verdejantes.

Para além dos muros, no entanto, o terreno se transforma quase que imediatamente em poeira.

Raiva

A cantora e atriz Jennifer Lopez, a vencedora do Oscar Barbra Streisand e o casal Kim Kardashian e Kanye West também estavam entre as celebridades expostas em um artigo do jornal New York Post, que publicou fotos aéreas de seus jardins.

No entanto, outro jornal local, o LA Times, os defendeu, afirmando que "é difícil saber se eles são esbanjadoras de água. E não está claro quando as fotografias aéreas foram tiradas".

Mas nas redes sociais, a indignação com o desperdício – comprovado ou não – dos mais ricos ganha um tom mais agressivo.

"Não há nada pior do que celebridades liberais sem talento pregando para as massas, mas sem dar exemplos. #WakeUpAmerica #DroughtShaming", escreveu uma mulher, em referência ao jardim verde de Sean Penn.

Mas já não é preciso ser famoso para ser "envergonhado" em tempos de seca. De acordo com uma enquete feita pelo Public Policy Institute of California, 66% dos californianos acreditam que seus vizinhos não estão fazendo o suficiente para economizar água.

E quem acredita ter flagrado desperdícios quer falar a respeito. "Aparentemente é muito difícil ajustar os timers dos regadores (para pararem de regar) quando chove", disse a moradora da Califórnia Annemaria Haydeltweeted, com uma foto do regador na beira do gramado na calçada alheia.

Aplicativo

Nem mesmo as escolas estão a salvo da patrulha da água.

A foto acima, que critica uma escola infantil pelo desperdício com regadores automáticos foi compartilhada pelo aplicativo Drought Shame, que foi lançado recentemente por Dan Estes, um corretor de imóveis na área de Santa Monica, no sul da Califórnia.

"Observei muitos episódios de pessoas desperdiçando água feito loucas – água vazando por todos os lados de regadores ou concessionárias lavando carros todos os dias", disse Estes ao BBC Trending.

"Eu não sabia como denunciar isso à cidade ou à empresa administradora de água. Esse aplicativo foi a melhor alternativa que consegui pensar."

O aplicativo permite que você tire uma foto e adicione o local em que ela foi tirada, para criar uma base de dados de episódios de desperdício. "Tuitar uma foto faz as pessoas se sentirem melhores, mas eu queria fazer um aplicativo que ajudasse a coletar dados reais sobre estes incidentes", afirma Estes.

Até agora, o aplicativo foi baixado cerca de cem vezes, mas Estes pretende permitir o compartilhamento de vídeo e colaborar com funcionários da prefeitura.

A criação de um banco de dados independente e aberto é importante, já que a Califórnia é o único Estado da costa Oeste americana que não disponibiliza os dados sobre seu consumo de água: só foram divulgadas no ano passado, pela primeira vez, informações sobre cidades com uso de água per capita excepcionalmente alto.

Ainda não há dados sobre quanto a exposição dos "esbanjadores" realmente ajuda na economia de água. Mas sem solução à vista, moradores estão dispostos a tentar de tudo.

Conscientização

Com a seca que atinge a região Sudeste do Brasil, em especial o Estado de São Paulo, a moda das denúncias virtuais também chegou ao Brasil.

Para além da espontaneidade, no entanto, a maior parte das hashtags brasileiras sobre o assunto fazem parte de campanhas de conscientização e engajamento de ONGs e até empresas de comunicação. Os aplicativos para smartphones criados no País também prometem ajudar no cálculo da água utilizada no dia a dia e sugerir maneiras de economizá-la.

O tumblr Desperdício Zero, criado pelo site Catraca Livre, tinha o objetivo de transformar cidadãos em vigilantes do desperdício, mas deixou de ser atualizado em dezembro de 2014.

No último mês de março, um aplicativo chamado Sem Desperdício foi disponibilizado no Brasil para telefones com sistema operacional Android. De maneira semelhante ao Drought Shame, ele permite a qualquer um denunciar, com fotos, excessos do uso de água que testemunhar.

De lá para cá, no entanto, o aplicativo teve apenas 50 downloads.


Fonte: BBC Brasil

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