segunda-feira, 18 de maio de 2015

Método cubano de educação zera analfabetismo entre Sem Terra

"Zerar o analfabetismo é o primeiro passo para libertar o trabalhador das prisões deste sistema desigual", disse o coletivo de Educação do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] durante a formatura de 180 trabalhadores Sem Terra que participaram do projeto cubano de alfabetização para jovens e adultos, "Sim, eu Posso".

O projeto de alfabetização conseguiu zerar o analfabetismo nos assentamentos Jaci Rocha, Antônio Araujo, Bela Manhã, Herdeiros da Terra, José Martí e Abril Vermelho, no Estado da Bahia, usando como metodologia teleaulas em 17 turmas, cada uma acompanhada por um educador. Além disso, quatro coordenadores pedagógicos organizaram e construíram coletivamente com os educandos e educadores os temas norteadores para debates em sala de aula.

Com o lema "Sim, eu posso ler e escrever. Essa é uma conquista do MST", as aulas tiveram início no dia 10 de janeiro de 2014 e foram finalizadas no último dia 25 de abril deste ano.

A assentada Maria Aparecida conta que não tinha pai, e sua mãe era pobre. "Me criei na roça, trabalhando e, então, não tive como estudar. Quando ainda era criança, minha mãe falava que estávamos indo à aula para arrumar namorado, e aí ela não deixava a gente estudar", recorda.

A história de José Sebastião não é diferente. "Eu não fui à escola quando era criança porque meu pai colocava a gente nos trabalhos da roça. E não foi só eu, meus dois irmãos passaram pelo mesmo". Já sabendo ler e escrever, Sebastião afirma que, hoje, as coisas mudaram. "Consigo ler algumas palavras, inclusive as cartas e bilhetes que meus filhos mandam para mim. Consigo também escrever meu nome. Me sinto livre. Sempre precisei de alguém para fazer essas coisas. Hoje não".

Ao longo do processo algumas dificuldades surgiram, especialmente porque a maioria dos educandos estão em idade avançada e trabalham todos os dias na produção familiar. Devido ao cansaço, muitas faltas aconteciam. Também, em muitos assentamentos, as salas de aula não tinham estrutura para o desenvolvimento do projeto. Para superar essa dificuldade, foi preciso a participação e cooperação de todos educandos, educadores e da comunidade, informa o MST.

Outra dificuldade surgiu nos primeiros dias de aula. Compreender a metodologia abordada pelo projeto, com as teleaulas e associar as letras e números ao processo de alfabetização não foi fácil. Segundo os educadores, esta dificuldade se dá por conta do processo de alfabetização já construído pelo modelo de educação do Estado, que mecaniza a metodologia.

De acordo com Eliane Kay, coordenadora do projeto, o programa alcançou bons resultados apesar das dificuldades enfrentadas. "Contamos com ferramentas muito importantes para facilitar a metodologia, como televisores, cartilhas e óculos doados aos educandos".

Sim, eu Posso

O projeto de alfabetização "Sim, eu Posso" foi construído em Cuba pela pedagoga Leonela Relyz Diaz, falecida em janeiro deste ano. As atividades desenvolvidas propõem alfabetizar em apenas três meses, utilizando-se da linguagem popular e dos números como referência educativa.

Além disso, são escolhidos temas geradores que dialogam com a realidade de cada localidade, para garantir um espaço de debate e formação política. "O mais importante desse projeto é que a abordagem parte da comunidade para os educandos. Dessa forma, cada estudante acaba se sentindo mais seguro para avançar nos debates e compreender o mundo de uma forma diferente", afirma o educador Lindoel.

O 'Sim, eu Posso' já contribuiu para erradicação do analfabetismo em países como Vietnã, Bolívia e Venezuela.


Fonte: MST / Adital

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