quarta-feira, 20 de maio de 2015

Marieta Severo diz que País vive retrocesso e defende estado laico

Hoje, Marieta Severo é muito lembrada pela querida Dona Nenê, de "A Grande Família", personagem que interpretou durante 14 anos.

Mas a atriz começou na profissão em 1965, durante um período de grande agitação no meio cultural. Protagonizou "Roda Viva", peça escrita pelo ex-marido Chico Buarque que veio a se tornar um emblema da resistência à ditadura nos anos 60. Viveu no exílio ao lado do marido. Já na década de 90, viveu Carlota Joaquina no filme que reinaugurou o cinema nacional, no chamado movimento de retomada.

Em entrevista ao jornal O Globo, Marieta disse que enxerga hoje um retrocesso em relação à época em que iniciou sua carreira.
"Sou contra a redução da maioridade penal e contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante. Há um retrocesso que nunca imaginei. Eu sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas". 
"Quando você tem essas conquistas, a tendência é achar que elas estão conquistadas dali para a frente. Quando volta esse moralismo, e esse mundo religioso começa a ditar as regras, é muito assustador."
Ao falar sobre a personagem Fanny, dona de agência de modelos que interpretará na próxima novela das 23, Marieta refletiu sobre a crise ética que vivemos no País hoje.
"Ela é amoral, quer dinheiro, poder, não tem limite. Quando você toca nessas questões, quer criticar, dizer: aí gente, tem isso. Porque hoje se está com amania de cobrir todos os sóis com as peneiras. Temos um conservadorismo no ar", comentou. "Quando você tem um Congresso votando uma lei de maioridade penal, é o quê? É um conservadorismo político apoiando um conservadorismo social, de ideias, de princípios, de valores."
A atriz disse ser completamente contra a redução da maioridade penal, e a favor do estado laico. Também comentou os avanços e desafios do feminismo:
Há espaços da mulher que foram conquistados e são sólidos. Mas há outros em que a gente não consegue ir adiante, como o aborto, que é um direito. E por quê? Por causa desse conservadorismo religioso com representação política. Não tenho nada contra religião. Sou a favor de todas, mas não exerço nenhuma.Só não quero uma religião legislando a minha vida.

Fonte: Brasil Post

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