segunda-feira, 25 de maio de 2015

Mães tentam resgatar filhos viciados em drogas em boca de fumo

Maria da Glória das Graças tem poucas coisas na vida. Não sabe o que é ter um almoço em família há mais de cinco anos. Também não tem mais marido — após três décadas de união, ele saiu de casa, em dezembro do ano passado. Uma catarata lhe rouba a visão dia após dia. O diagnóstico de síndrome do pânico chegou recentemente para explicar os calafrios, o tremor nas pernas e a ansiedade. Mas, acima de todos esses problemas, Glória tem um amor incondicional pelo filho mais novo, Tiago, 28 anos, dependente químico desde os 14.

Quando ela atendeu o Correio, na última quarta-feira (20/5), estava escondida com o filho Tiago em uma chácara. Ela não quis se encontrar pessoalmente com a reportagem, com medo de ser descoberta pelos traficantes. Os criminosos esfaquearam o jovem há cerca de um mês — ele ficou nove dias internado. O motivo foi uma dívida de drogas de R$ 50 que ela mesma pagou com juros entregando R$ 70. Mas os traficantes decidiram que não era suficiente. E queriam outros R$ 70. Antes que ela conseguisse o dinheiro, eles atacaram Tiago.

Essa é apenas uma das histórias vividas pela família desde a descoberta do vício do rapaz. Foram muitas as madrugadas em que ela e o ex-marido percorreram bocas de fumo em busca do filho. “São lugares muito perigosos. Lá, vale tudo. Por um tênis, por R$ 10, eles matam. A gente que está ali só para buscar um filho pode sair morta”, relata. Agora, a angústia é maior. Sem o companheiro, ela não tem coragem para procurar o rapaz. Fica em casa, “orando para pedir socorro a Deus” para que nada de mal aconteça a ele.

Ameaças de traficantes se tornaram rotineiras. Algumas foram veladas e outras, bastante explícitas. “Já disseram que, se eu não pagasse a dívida, matariam não só meu filho, como toda a minha família”, diz. “É um problema triste. Porque eles fazem o que fazem e não acontece nada. A polícia prende e a Justiça solta”, lamenta. Tanta dedicação para tentar recuperar o rapaz custou a união da família.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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