segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tratamento precoce pode evitar que jovens com transtornos virem psicopatas

“O que é aquela coisa branca que sai do seu nariz quando você se afoga?” Naquela tarde de 31 de maio de 1986, o pequeno Jeffrey parecia bem curioso quando fez essa pergunta a um amiguinho de Kissimmee, cidade da Flórida onde moravam. Mas não havia nada de inocente no questionamento. Horas antes, o garoto de 9 anos tinha jogado uma criança de 3 no fundo de uma piscina, puxado uma cadeira e assistido, durante uma hora, a agonia e a morte da vítima. Quando interrogado pela polícia, explicou calmamente o motivo do crime. Simplesmente queria ver como alguém morria afogado. “Ele entendia que seu ato tinha levado à morte de Ricardo, mas parecia indiferente”, declarou, na época, a detetive Beth Peterka ao jornal local The Sentinel Staff.

O inquérito policial de 13 páginas revelou que o assassinato do garotinho não tinha sido o primeiro ato macabro praticado por Jeffrey. Crianças menores disseram que ele as aterrorizava, inclusive forçando-as a roubar brinquedos em lojas da cidade. Duas semanas antes de matar Ricardo, o homicida de 9 anos jogou uma garota de 6 na parte mais funda de uma piscina próxima de sua casa e fugiu. Uma pessoa viu a cena e conseguiu salvar a menina. A três dias do afogamento letal, Jeffrey ainda levou um vizinho de 5 anos para jogar videogame em um shopping sem avisar nada à família do menino, que chegou a procurar a polícia para comunicar o desaparecimento do filho.

Jeffrey Bailey foi diagnosticado como sociopata, mas nenhuma clínica de tratamento psiquiátrico o aceitou como paciente, por causa da pouca idade. Condenado por assassinato em segundo grau, ficou detido em um centro de correção juvenil até os 18 anos e, então, libertado. Apesar de não ter sido a primeira nem a última criança a cometer um crime desse porte, os especialistas que, na época, se manifestaram sobre o crime ficaram assustados por Jeffrey representar algo que, para a medicina, não existe: um psicopata mirim.

Quase 20 anos depois, uma sucessão de assassinatos perpetrados por meninos e meninas tão ou ainda mais jovens que ele convenceram alguns psiquiatras de que pode haver crianças psicopatas. Como o cérebro não está totalmente maduro antes dos 18 anos, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais (DSM), a bíblia da psiquiatria, admite que pessoas que se encaixam nessa definição podem exibir transtornos de conduta antes dos 15 anos, mas só classifica a psicopatia após os 18. O problema, afirmam especialistas, é que isso dificulta o diagnóstico precoce e as chances de evitar que crianças e adolescentes com o transtorno se tornem psicopatas cruéis na idade adulta.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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