segunda-feira, 2 de março de 2015

Mais de 150 mil crianças e adolescentes sofreram violência em 2014

Levantamento realizado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do governo federal, constatou que a cada 10 minutos uma criança foi vítima de violência no Brasil em 2014. Os dados apontam que mais de 150 mil crianças e adolescentes foram vítimas de violação de direitos, segundo registros do Disque 100, serviço de denúncias anônimas, que funciona 24 horas por dia.

Para o assistente social Júlio Cezar de Andrade, diretor do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP), esse número pode ser muito maior, já que nem todos os casos são efetivamente denunciados. Isso ocorre porque muitas vezes o/a autor/a da violência faz parte da família da vítima.

"A naturalização da violência e o silêncio que, por vezes, permeiam as relações familiares fazem com que seja difícil que ocorra uma denúncia nos primeiros episódios. Sempre há a esperança de que seja um caso isolado, que não vai se repetir. Vários são os componentes que atuam no fenômeno da violência e todo o cenário contribui para essa questão do silenciamento.”, explica Andrade.

Por causa disso, ressalta o diretor do CRESS, é de extrema importância a criação de uma cultura de proteção que envolva vários atores da sociedade: "é preciso que todos sejam sensibilizados sobre a sua obrigação de protegerem as crianças e adolescentes, utilizando as ferramentas de denúncia disponíveis, como o Disque 100 e não naturalizando a violência cotidiana”.

Tipos de violência

O relatório mostra que a negligência é o mais comum, somando 37% das denúncias, seguida de violência psicológica (25%), física (21%), sexual (13%) e outras (4%). Ainda para o assistente social, esses números refletem a realidade enfrentada pelos brasileiros.

"Vivemos, historicamente, em uma realidade de desamparo, em que um Estado ausente mantém a população em aspectos mínimos de condições de trabalho, saúde, educação, moradia e qualidade de vida. Nessas condições, a situação de negligência é associada à falta de acesso a direitos e, portanto, seu enfrentamento deve ser alvo de políticas públicas efetivas”.

Rede de proteção

Constituído pela Lei 8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 25 anos de existência em julho próximo. Ainda assim, o assistente social explica que ele não é seguido como deveria.

"As normas são um passo, mas precisamos de mais centros especializados em crianças e adolescentes e mais Varas da Infância e da Juventude para o atendimento dessa parcela da população. É importante criar uma rede entre governo e sociedade, principalmente, hoje, quando as contradições entre capital e trabalho colocam crianças e adolescentes em situação de violência física, doméstica e sexual, trabalho infantil e exploração sexual”, finaliza o diretor do CRESS-SP.


Fonte: CRESS-SP / Adital

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