segunda-feira, 2 de março de 2015

Intelectuais denunciam golpe para enfraquecer Petrobras e desestabilizar soberania do Brasil

Nomes notórios da intelectualidade brasileira denunciam tentativa de enfraquecimento da maior empresa pública do Brasil, a Petrobras, em meio à crise institucional provocada pela Operação Lava-Jato, que apura grande rede de corrupção envolvendo a estatal. Intelectuais de referência do pensamento progressista do país, como o teólogo Leonardo Boff, a filósofa Marilena Chauí e o sociólogo Emir Sader assinam um manifesto no qual apontam uma "campanha para esvaziar a Petrobras”, golpe levado a cabo por setores conservadores do país. Eles chamam a atenção para o risco para a soberania e para a democracia do Brasil.

O texto chama a atenção para a movimentação em torno da desestruturação da Petrobras, seus fornecedores e da tentativa de mudança do modelo que rege a exploração de petróleo no Brasil. Segundo o documento, intitulado "O que está em jogo agora”, há uma articulação para a desestabilização da economia brasileira e do governo federal, por meio da empresa estatal.

"Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares”. Acrescentam que esses interesses encontram eco em uma "mídia subserviente” e em parlamentares alinhados. De acordo com o documento, a Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da soberania e da democracia nacional.

"Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacional”, alerta o manifesto.

Como consequência do enfraquecimento da empresa âncora do fortalecimento científico, tecnológico e industrial do Brasil, o manifesto avalia que serão "dizimadas” empresas instaladas no país, que seriam responsáveis por mais de 500 mil empregos qualificados. "Remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial”, alarmam os intelectuais.

Por outro lado, diz o manifesto, esses mesmos setores estimulariam um desgaste do governo federal, hoje na gestão da presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT), alinhada ao pensamento progressista, com vistas a abreviar seu mandato. "Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos”, diz o documento.

O manifesto faz uma aproximação do atual contexto ao Golpe de 1964, que desencadeou um período de ditadura militar e civil no Brasil por mais de vinte anos. "O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição”, chama a atenção. "Conclamamos as forças vivas da nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania”, chama o documento.


Fonte: Adital

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