segunda-feira, 9 de março de 2015

Informar-se é o caminho para escolher o tipo de anticoncepcional

Ao longo dos anos, as pesquisas e avanços tecnológicos permitiram que as concentrações hormonais dos contraceptivos orais fossem reduzidas e, consequentemente, provocassem também a redução dos efeitos colaterais e reações adversas. No entanto, o conhecimento sobre os efeitos, os componentes e as possibilidades de aprimoramento dos contraceptivos continua a avançar e, por isso, descobertas de riscos potenciais e de caminhos mais seguros surgem a cada ano.

A presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Marta Franco Finotti, ressalta que os contraceptivos hormonais são motivo de pesquisa constante, chegando a ser os medicamentos mais pesquisados do mundo.

Com esse perfil, organismos internacionais e nacionais lançam informes sobre novas descobertas ou indicações para ressaltar os riscos. Em dezembro de 2014, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou informe com atualizações sobre os efeitos adversos graves associados ao uso de contraceptivos orais.

Fatores de risco

A Anvisa ressalta diversos fatores de risco que podem contraindicar o uso dessas medicações, como câncer, doenças hepáticas, enxaqueca, diabetes, histórico de processos trombóticos ou tromboembólicos arteriais e venosos, doença vascular cerebral, entre outras. Assim, pesquisar sobre a composição do contraceptivo hormonal usado e a relação entre risco e benefício potencializa o poder de decisão e o conhecimento de cada mulher sobre o assunto.

A Anvisa aponta para a necessidade de avaliação cuidadosa da saúde da mulher. Mesmo aquelas que não possuem histórico familiar ou individual de casos tromboembólicos venosos podem apresentar, com o uso de tais medicamentos. Mesmo que os eventos sejam considerados em proporção pequena com relação ao uso de contraceptivos orais, nenhuma complicação deve ser ignorada.

A professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Febrasgo, Marta Franco Finotti, reitera que o anticoncepcional pode ser o fator desencadeante para casos tromboembólicos e, por isso, a importância da prescrição do médico. Por meio de avaliação clínica, ele pode filtrar casos potenciais de risco. E, para esses, há a possibilidade de se fazer testes específicos e prévios de coagulação para o tromboembolismo em pacientes que começaram a usar contraceptivos orais.

Segundo Finotti, o risco de tromboembolismo em pacientes que usam anticoncepcionais hormonais é de duas a três vezes maior do que para as que não usam. São de 10 a 15 casos para cada 10 mil mulheres que usam, segundo Marta. Por isso, o uso deve ser bem indicado por um profissional.

Uma possibilidade de avanço é a substituição de hormônios artificiais, já que o tipo de pílula mais usado combina dois hormônios artificiais: estrogênio e progestágenos. Alguns contraceptivos hormonais orais que já estão disponíveis no mercado, no entanto, apresentam a substituição do estrogênio artificial pelo natural feito em laboratório.

Por agredir menos o fígado e envolver menos riscos de ativar a cascata da coagulação em algumas mulheres, há expectativa de que essa substituição se torne mais comum ao longo dos anos. No entanto, ainda não existe recorte de pesquisa suficiente para saber se esse tipo de medicamento realmente diminuirá o risco de tromboembolismo. Para Finotti, o “raciocínio clínico aponta para essa direção”.

Assim, os riscos precisam ser mais pesquisados para que a saúde da mulher seja protegida. Enquanto isso, o equilíbrio entre benefícios e riscos continua a ser avaliado por médicos, pacientes e pesquisadores. (Samaisa dos Anjos)

SERVIÇO

Para falar com a AnvisaCentral de atendimento: 0800 642 9782
Ouvidoria: http://migre.me/oMB9I


Fonte: O Povo

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