segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Presidentes latino-americanos definirão ações para tornar a região uma zona livre da pobreza extrema

Declarar a América Latina e o Caribe como uma zona livre de pobreza extrema figura como um dos objetivos da III Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe), que começa nesta quarta-feira, 28 de janeiro, e prossegue até quinta-feira, 29, em San José, Costa Rica. "É o objetivo prioritário do presidente Luis Guillermo Solís e do conjunto de presidentes da América Latina, não há razão para que sigamos tendo extrema pobreza, é necessário baixar os índices de pobreza e os níveis de desigualdade”, expressou o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, ao ressaltar a urgência de erradicar esse problema social. Acrescentou que a única forma de alcançar a meta é estreitando laços entre os 33 estados membros da Celac e fomentando alianças com países como a China.

Cerca de 70 milhões de pessoas da região vivem em extrema pobreza, sem satisfazerem suas necessidades básicas (mais de 10% da população), segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).

Os diplomatas dos países da Celac, reunidos desde domingo, 25, também falaram sobre a opção de fixar metas com prazos de cumprimento para medir, de maneira tangível, os resultados que obtenham as nações da Celac, também em temas como a mudança climática e no desenvolvimento da ciência e tecnologia.

Nessa reunião, Solís, da Costa Rica, transferirá ao governo do mandatário equatoriano, Rafael Correa, a presidência temporária da Celac, que ocupou por um ano. Para a Cúpula se espera a participação dos governantes das 33 nações parte.

O atual presidente da Comunidade já confirmou a presença de Dilma Rousseff, do Brasil; Nicolás Maduro, da Venezuela; Rafael Correa, do Equador; e José Mujica, do Uruguai.

O mandatário equatoriano pontuou à imprensa que a presidência temporária da Celac propiciará a aproximação com outros blocos. Ele ressaltou que o "mundo do futuro será em blocos”, dado que advertiu que sozinhos não se conseguirá obter a influência no terreno regional e mundial.

A gestão de Correa propõe quatro eixos que serão impulsionados nesse período. O primeiro, a redução da pobreza extrema a 5 %, entre cinco e 10 anos. O outro tema é uma nova arquitetura financeira regional, fortalecendo uma moeda comum como o Sucre, e criando mecanismos de financiamento próprios, sem descuidar dos novos blocos regionais multipolares, como a China.

O terceiro ponto tem a ver com o desenvolvimento da ciência e tecnologia, compartilhar a experiência positiva do Equador. A última proposta é o desenvolvimento da infraestrutura regional, em transportes, energia e produção. Essas propostas devem ser levadas aos 33 membros da Celac, para substituir a Organização de Estados Americanos (OEA).

Análises

O economista e analista político mexicano Miguel Angel Ferrer afirma que já ter podido reunir a totalidade das nações latino-americanas e caribenhas em um mecanismo de integração política e econômica em meio à diversidade é, indubitavelmente, uma conquista monumental. "Mas o avanço se agiganta ante nossos olhos quando se conhecem algumas de suas realizações”.

Em sua avaliação, com o absoluto consenso de todos os seus membros, a Celac tem feito, como bloco, enormes aportes à paz e à estabilidade da região, como, por exemplo, a proclamação da região latino-americana e caribenha como zona de paz e livre de armas nucleares, o apoio ao processo de paz na Colômbia, declarações contra o bloqueio a Cuba, o respaldo permanente à soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas (e a promoção do diálogo sobre esse tema na ONU), e o respeito à institucionalidade e ao governo, democraticamente eleito, da Venezuela, a raiz dos acontecimentos violentos de fevereiro de 2014.

Para Nydia Egremy Pinto, especialista mexicana em relações internacionais, a Celac entrou em cena, em dezembro de 2011, com voz forte para ser escutada dentro e fora do continente, pronunciando-se pela paz, a autodeterminação, a soberania e contra a ingerência estrangeira, a ganância, a amoralidade do bloqueio contra Cuba, a indiferença com os pobres e marginalizados do mundo.

"Por sua credibilidade e efetividade, a Celac já é vista como um dos blocos multinacionais mais atrativos do emaranhado mundial. A partir desse foro, a América Latina e o Caribe projetam sua importância e transcendência rumo a um mundo ávido por soluções e alternativas frente aos seus complexos desafios. Assim reconhece a China, a superpotência emergente de maior crescimento e grande mercado global, que encontrou nesse bloco regional um interlocutor chave no âmbito político e econômico”, assinala Nydia.

Encontro popular

Um dia antes da Cúpula da Celac, ocorre nesta terça-feira, 27, nas instalações da Universidade da Costa Rica, o II Encontro de Movimentos Populares Centro-Americanos Antiimperialistas e pela Dignidade dos Povos. Este evento tem o propósito de fundar uma rede que articule os movimentos sociais e políticos de esquerda e progressistas da região centro-americana, assim como acompanhar a Cúpula da Celac. A organização está a cargo da Federação de Estudantes da Universidade da Costa Rica (FEUCR).

A Celac

Considerado o fato institucional de maior transcendência no hemisfério durante o último século, a entidade foi criada com o propósito de aprofundar a integração política, econômica, social e cultural da América Latina e Caribe. A Celac é um mecanismo que aposta em um maior grau de concertação política frente aos desafios que impõe o cenário atual de profunda crise econômica. Fomenta a paz, a estabilidade e o direito de todo Estado a construir seu próprio sistema político, livre de ameaças, agressões e medidas coercitivas unilaterais, a partir de uma perspectiva coordenada no âmbito das Nações Unidas.

O bloco está integrado por 33 países, que cobrem uma superfície territorial de mais de 20 bilhões de quilômetros quadrados. Com uma população de 600 milhões de habitantes se confirma como uma das regiões de maior riqueza étnico-cultural e de valores patrimoniais únicos. A soma de suas economias, tomada conjuntamente, constitui a terceira maior e mais potente em nível mundial, com 6,06 bilhões de dólares. Possui a quinta parte das reservas mundiais de petróleo e compreende uma área de singulares atrativos turísticos em nível internacional.

Por seu amplio caudal de riquezas naturais se distingue como o entorno de maior diversidade biológica do planeta. Abriga quase a metade dos bosques tropicais do mundo, 23% das áreas florestais do mundo, mais de 30% de toda a água doce disponível e aproximadamente 40% do total de recursos hídricos renováveis do planeta.

As nações que compreende a Celac têm alcançado avanços sem precedentes em indicadores de desenvolvimento humano, em cumprimento aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Assim demonstra o fato de que mais de 73 milhões de pessoas saíram da pobreza na última década. Dos 38 países que no mundo têm cumprido com os objetivos na luta contra a fome, 12 são da América Latina e Caribe.


Fonte: Adital

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