segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Universo da transexualidade em Natal é tema de livro-reportagem

Sob o formato de um livro-reportagem, em "De corpo e alma: a transexualidade vista por dentro e por fora", o jornalista Allyson Moreira acompanhou de perto o drama e os desafios de ser transexual na capital Rio Grande do Norte.

O estado é o terceiro com maior índice de assassinatos cometidos contra transexuais e travestis para cada milhão de habitante, no Brasil. "Com histórias contadas por quem vive e sente, na pele e na alma, tento traçar também a longa e difícil jornada de quem busca corresponder o corpo ao gênero com o qual se identifica e, principalmente, a aprovação social", explicou.

Esse livro foi fruto de um projeto experimental para a conclusão do curso de graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, sob a orientação da professora Eloisa Klein. O trabalho obteve nota máxima da banca julgadora, composta ainda pelas professoras Juliana Bulhões e Ângela Pavan.

Allyson explica que o preconceito e a discriminação são elementos que dão contornos dramáticos a uma trajetória repleta de punições, violência e intrigas na vida das duas personagens do livro: a universitária Emilly Mel e a militar aposentada e ativista Jacqueline Brazil. "Ambas, com muita luta e sacrifício, conseguiram superar os desafios e ganhar forças para construir aprendizados significativos e mudar suas histórias pessoais", ressalta.

O jornalista disse que a ideia de que "somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro", do psicanalista Sigmund Freud, é uma constate na vida das que, como elas, subvertem as normas sociais instituídas, na busca diária pelo reconhecimento de uma identidade que traduz sua forma de se ver no mundo.

Para ele, o jornalista que aqui se coloca a investigar, portanto, é também um cidadão que busca cumprir o importante papel social de sua profissão: informar para ajudar o outro a refletir, educar-se e, principalmente, compreender a diversidade de ideias, práticas e sentimentos na sociedade que o cerca.

Assim, muito mais do que um trabalho jornalístico, o livro é resultado do esforço de um sujeito para livrar-se de alguns preconceitos que lhe foram apresentados como verdades. "Ao longo da minha vida, me fizeram acreditar por muito tempo que todo homem que se veste de mulher e se relaciona com pessoas do mesmo sexo era imoral, sofria distúrbios mentais, não era nada confiável e vivia da prostituição. Uma visão completamente equivocada de uma realidade muito mais complexa e plural, embora ainda muito presente no discurso hegemônico, que agora me proponho a tentar desmistificar nessa reportagem", finaliza.


Fonte: Blasting News Brasil

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