segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Filhos reproduzem violência aprendida com os pais

Criar um filho nos dias de hoje não é fácil! Lhe oferecer a educação necessária, para que venha a ser uma pessoa de bem e que não se envolva em crimes e nem mesmo com a violência é um caminho estreito. Mas como devemos criar os nosso filhos, longe da violência, quando somos nós mesmos a prática-la contra eles?

A resposta a essa pergunta não é fácil, no entanto a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do RS, realizou um estudo em que analisou o cotidiano das crianças e em especial a violência, que revelou números extraordinários, em relação a violência sofrida por estes meninos e meninas.

Ao todo em dois anos de estudos foram ouvidas 540 crianças entre 6 e 8 anos de idades, seus país, irmão e outros parentes e um total de 2889 entrevistados. A PUC-RS teve a pesquisa financiada por uma fundação holandesa e visitou um total de 15 comunidades, sendo favelas no Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.

O professor e cientista social da PUC/RS, Hermílio Santos, participou do estudo e afirmou que os resultados do estudo são extremamente desconfortáveis, pelo fato de quando os pais iniciam os castigos físicos nos filhos; caso que segundo ele em mais de 60% acontece com crianças de 0 a 2 anos de idade.

Durante o estudo Hermílio questionou aos pais se a prática resolve? Segundo o professor a resposta em sua maioria foi negativa por parte dos responsáveis pelas crianças. Ao que o cientista afirmou a violência é uma prática e que os pais decidem bater; já que este é o modelo o qual eles conhecem e apenas reproduzem em seus filhos.

Questionado sobre se isto é uma questão cultural, Hermílio afirmou ter receio de fazer tal afirmação, até pelo fato de que não pode se considerar algo imutável. Segundo o professor isso pode mudar e acrescentou que há vários fatores, em que não se pode bater nas crianças e completou ao dizer que não existe palmada pedagógica, ao dizer que isso é conversa “para boi dormir”.

Lei da Palmada

Em relação a lei da palmada, o professor e cientista social afirmou que no estudo foram analisadas apenas favelas, e não a classe média e colocou que a tendência é que a classe média bata menos, do que as pessoas de baixa renda.

A partir deste fato, o professor supõe que a lei vá penalizar mais as pessoas de baixa renda, do que as famílias da classe média. No entanto, como não houve aplicação da lei na sua forma devida, o professor preferiu não se posicionar nem contra e nem a favor da questão. Ainda conforme o pesquisador só proibir bater não resolve e completou “não pode bater”.

Hermílio citou exemplos de Alemanha e Suécia onde hoje, não há prática de violência contra a criança, que atualmente os pais praticam o dialogo para educar os filhos. Ainda conforme o cientista é preciso que outros fatores fundamentais sejam abordados e possam abranger o tema, entre eles o pré-natal, para que a mãe possa criar afeto com o filho.

O professor afirmou que uma outra pesquisa como essa não está prevista, mas que os pesquisadores irão voltar as comunidades visitadas, para verificar o que mudou após está pesquisa.

Os Dados:
  • No Rio de Janeiro 71% das crianças de até 8 anos admitiram ter apanhando ao menos uma vez;
  • Em Recife o número sobe para 75% da criança;
  • Em São Paulo o número cai para 57%
  • Em relação as crianças de dois anos o número é ainda maior:
  • No Rio de Janeiro o registro é de 76%
  • Em São Paulo o número sobe para 83%
  • No Recife o número chega a 94%

Fonte: Diário da Manhã

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